Exame Neurológico e do Estado Mental

Explore o exame neurológico e do estado mental: consciência, memória, linguagem, praxias. Um guia essencial para estudantes de medicina. Aprenda mais aqui!

O Exame Neurológico e do Estado Mental é uma ferramenta fundamental na medicina para avaliar a função cerebral e detectar possíveis alterações. Essa análise exaustiva não aborda apenas as capacidades cognitivas, mas também a percepção, o comportamento e a interação com o ambiente. Compreender seus componentes é crucial para estudantes e profissionais da saúde, pois permite identificar precocemente qualquer sinal que exija uma intervenção mais aprofundada.

Exame Neurológico e do Estado Mental: Um Guia Completo

Desde o momento em que um paciente entra na consulta, o exame neurológico e mental se inicia. A impressão geral oferece informações valiosas sobre o estado de vigília, a constituição corporal, o autocuidado e a marcha. É importante registrar a cooperação do indivíduo, a presença de alguma fácies característica (como a de Hutchinson ou parkinsoniana), a idade aparente e a atitude do paciente.

1. Consciência: Definição e Avaliação Quantitativa

A consciência é o estado de percepção e entendimento que uma pessoa tem de si mesma e de seu ambiente, abrangendo desde a vigília plena até o coma. Seu comprometimento pode afetar todas as demais funções cognitivas e pode ser agudo ou crônico. É avaliada de maneira quantitativa e qualitativa.

O comprometimento quantitativo da consciência é avaliado segundo o nível de reatividade com o meio, diferenciando estados como:

  • Vigil: Paciente acordado com plena consciência.
  • Sonolência: Tendência ao sono, mas com resposta adequada a ordens verbais simples, complexas e estímulos dolorosos.
  • Obnubilação: Menor grau de comprometimento, o paciente está sonolento, mas pode ser despertado com estímulos verbais, mostrando confusão, lentidão e diminuição do alerta.
  • Sopor: Alteração da vigília onde o paciente está dormindo e só desperta momentaneamente com diferentes estímulos (voz, tato, dor, segundo a profundidade).
  • Coma: Ausência total de vigília, o paciente não pode ser despertado nem com estímulos dolorosos, embora possa haver respostas reflexas não integradas.

2. Consciência: Exploração Qualitativa e Neuroanatomia

O comprometimento qualitativo é descrito como uma alteração da percepção com predomínio de um estado afetivo que gera reações inadequadas ao contexto. Associa-se a atividade psicomotora alterada (aumentada ou deprimida), diminuição variável da vigília, desorientação, alteração do ciclo sono-vigília, desorganização do pensamento e transtornos da percepção (ilusões, alucinações).

Neuroanatomia da Consciência: A formação reticular mesencefálica (tronco encefálico) e o córtex cerebral regulam o estado de consciência.

Exploração: Avalia-se o estado de alerta ao meio, o padrão respiratório, a abertura e o padrão ocular, reflexos pupilares (fotomotor, oculocefálicos, corneano), a resposta ao estímulo verbal e doloroso, e a atividade motora. A Escala de Coma de Glasgow é uma ferramenta chave para medir o comprometimento quantitativo, considerando a abertura ocular e as respostas verbais e motoras.

3. Atenção: Focalização e Concentração

A atenção é a capacidade de manter e focalizar seletivamente a consciência sobre uma coisa, situação ou pessoa. A concentração refere-se à atividade sustentada da atenção.

Neuroanatomia: É uma função bilateralizada que envolve estruturas corticais e subcorticais difusas como o tálamo, estriado, sistema reticular ativador, sistema límbico e córtex pré-frontal.

Objetivo: Avaliar o estado de alerta e atenção do paciente.

Exploração:

  • Inversão de séries: Repetir dias da semana ou meses do ano em ordem inversa.
  • Digit span: Repetir uma sequência de dígitos. Esses testes estão incluídos no Minimental test.

Alterações da Atenção:

  • Distratibilidade: Diminuição da atenção com tendência à distração.
  • Aprosexia: Diminuição total ou ausência da capacidade atencional.
  • Hipoprosexia: Diminuição parcial por distratibilidade, inibição ou labilidade atentiva emocional.

4. Orientação: Habilidade para Reconhecer-se e Localizar-se

A orientação é a capacidade de reconhecer-se e localizar-se em relação ao ambiente, a outros e a si mesmo. Divide-se em alopsíquica (tempo, espaço e outras pessoas) e autopsíquica (de si mesmo e do próprio corpo).

Neuroanatomia: Implica estruturas como o hipocampo, tálamo, córtex pré-frontal, frontal, temporal e parietal.

Objetivo: Avaliar a capacidade de orientar-se no tempo, espaço e pessoa.

Exploração:

  • Tempo: Perguntar data (dia, mês, ano), ou perguntas alternativas como "a quanto estamos do Natal?".
  • Espaço: Perguntar endereço (estabelecimento, bairro, cidade, país).
  • Pessoas: "Quem sou eu?", "Como se chama?", "Em que trabalha?". Esses testes também fazem parte do Minimental test.

Alteração: Desorientação.

Diagnósticos Diferenciais/Causas: Demências, acidentes cerebrovasculares, síndrome confusional aguda, psicose (especialmente esquizofrenia), traumatismo cranioencefálico (TCE).

5. Memória: Tipos e Avaliação

A memória é o instrumento que permite reter, conservar e evocar vivências e informações. É a capacidade de armazenar, usar e recordar a informação.

Neuroanatomia: Envolve o hipocampo, tálamo, amígdala do lobo temporal, corpos mamilares e cerebelo. Em nível bioquímico, a acetilcolina desempenha um papel importante.

Objetivo: Avaliar a memória imediata, de curto e longo prazo.

Memória de Curto Prazo ou Recente

  • Definição: Memória de minutos, com capacidade de retenção que aumenta até a puberdade e declina com a idade. Menos dependente da atenção.
  • Exploração:
    • Pedir ao paciente que se lembre de temas tratados ou do que aconteceu minutos antes na entrevista.
    • Mais sistematizado: solicitar que aprenda 3-4 palavras não relacionadas, uma oração curta, ou um nome e endereço de cinco componentes, e pedir que os recorde 3-5 minutos após uma tarefa mental não relacionada. Monitora-se a precisão, a consciência da correção, a tendência a confabular e a capacidade de autocorreção.
  • Alteração: Comprometimento da consciência ou estado diminuído de consciência (segundo o tipo afetado).
  • Diagnósticos Diferenciais: Síndrome confusional aguda ou Delirium.
  • Causas (Mnemônico DROGAS): Drogas (ilícitas, fármacos), Eletrólitos, L-Hipóxia (alterações ácido-base), Infecções (encefalopatia séptica), Respostas de órgãos dos sentidos/Ritmo cardíaco, Lesão cerebral/Intracranianas (TCE; AVC; HSA), Uremia + encefalopatia hepática, Miocárdio (infarto).

Memória de Longo Prazo

  • Definição: Capacidade de atualizar fatos passados conservados, levando-os à consciência, estabelecendo o elo entre passado e presente. Retenção de informação por dias, inclusive por toda a vida. A evocação pode ser consciente, espontânea ou automática.
  • Exploração:
    • Perguntar sobre dados de conhecimento geral (nome dos 4 últimos presidentes, eventos mundiais, datas históricas).
    • Se forem perguntados dados biográficos pessoais remotos, o médico deve conhecer a informação exata para julgar a precisão.
  • Alterações:
    • Amnésia de fixação ou anterógrada: Transtorno que afeta a capacidade de fixação da memória para fatos futuros. Incapacidade de evocar fatos recentes, conservando os antigos. Inclui memória imediata e/ou recente. Exemplo: Uma jovem com depressão maior não consegue reter informações de estudo, mas se lembra de eventos prévios à depressão. (Amnesia)
    • Amnésia de evocação ou retrógrada: Alteração que afeta a capacidade de evocação de fatos passados. Dificuldade para atualizar lembranças de vivências experimentadas, fixadas e conservadas anteriormente. Exemplo: Um idoso não consegue se lembrar dos nomes de pessoas muito familiares. (Amnesia retrógrada)

Diagnóstico Diferencial Geral da Memória: Comprometimento cognitivo leve, demência, transtornos do humor, síndromes confusionais (memória imediata), transtorno de déficit de atenção (memória imediata).

6. Linguagem: Compreensão e Expressão

A linguagem é o meio humano para expressar o pensamento mediante sinais convencionais (orais, escritos ou mímicos).

Neuroanatomia: A área dominante localiza-se predominantemente no hemisfério esquerdo. Envolve a área de Wernicke (compreensão), o fascículo Arcuado (conexão) e a área de Broca (expressão), modificada por estruturas subcorticais.

Objetivo: Avaliar a capacidade de compreender e expressar a linguagem corretamente.

Exploração: Através de distintos elementos:

  • Linguagem espontânea: Avalia fluência (50 palavras/min normal, verborreia se aumentada), prosódia, sintaxe.
  • Linguagem automática: Repetição de palavras ou frases seriadas aprendidas (dias da semana, série numérica).
  • Nomeação: Nomear objetos (mostrar um relógio e perguntar "o que é?").
  • Repetição: Repetir palavras simples, complexas e frases.
  • Compreensão: Execução de ordens básicas ("feche os olhos") e complexas ("coloque seu pé esquerdo sobre seu joelho direito").
  • Leitura e escrita: Apresentar uma ordem para ler e cumprir, ou pedir que escreva uma frase espontaneamente e por ditado.

Alteração: Afasia: Perturbação da linguagem por perda de expressão ou compreensão devido a dano cerebral. Os tipos de afasia variam segundo a localização do dano:

Fala espontâneaCompreensãoRepetiçãoNomeaçãoCompreensão escritaEscrita
BrocaNão fluenteRelativamente preservadaAlteradaAlteradaAlteradaAlterada
WernickeFluente parafásicaAlteradaAlteradaAlteradaAlteradaAlterada
ConduçãoFluente parafásicaRelativamente preservadaAlteradaAlteradaRelativamente preservadaAlterada
GlobalNão fluenteAlteradaAlteradaAlteradaAlteradaAlterada
Motora transcorticalNão fluenteRelativamente preservadaRelativamente preservadaRelativamente preservadaRelativamente preservadaAlterada
Sensorial transcorticalFluenteAlteradaRelativamente preservadaAlteradaAlteradaAlterada
Mista transcorticalNão fluenteAlteradaRelativamente preservadaAlteradaAlteradaAlterada
AnômicaFluenteRelativamente preservadaRelativamente preservadaAlteradaRelativamente preservadaRelativamente preservada

7. Praxias: Movimentos Voluntários Aprendidos

As praxias são a capacidade de realizar movimentos voluntários a partir de programas motores previamente aprendidos, na ausência de transtornos motores ou de coordenação. Implicam componentes cognitivos (ideação) e motores (execução).

Sequência de Passos (Fórmula Prática):

  1. Intenção (diferença da apraxia agnóstica).
  2. Planejamento.
  3. Programação.
  4. Execução.
  5. Ação.

Neuroanatomia: Relaciona-se com o lobo parietal e o córtex pré-motor do lobo frontal, predominantemente do hemisfério esquerdo.

Objetivo: Avaliar a completa realização de movimentos voluntários, diferenciando-os de alterações do sistema motor e da coordenação.

Exploração: Pede-se ao paciente que realize uma tarefa imaginária (ex. "mostre-me como se penteia", "como bebe uma xícara de chá"). Se houver dificuldade, demonstra-se e pede-se para imitar.

Alterações:

  • Apraxia: Incapacidade de realizar tarefas motoras intencionais previamente aprendidas.
  • Apraxia construtiva: Incapacidade de construir um todo a partir de seus elementos (ex. montar uma escova elétrica).
  • Apraxia de ideação: Incapacidade de realizar atos motores ou sequências gestuais que os integram (compreende a ordem, mas não inicia a ação, manipula o instrumento, mas não a função). Exemplo: usa a escova de dentes para pentear-se. (Apraxia ideatória)
  • Apraxia ideomotora: Incapacidade de executar e/ou reconhecer gestos e ações motoras diante de um pedido verbal. Realiza a ação, mas com erros, não consegue imitar gestos. Exemplo: emprega o pente, mas não o orienta adequadamente. (Apraxia ideomotriz)

Diagnósticos Diferenciais: Acidente cerebrovascular, lesão neoplásica, traumatismo cranioencefálico, demência.

8. Habilidades Visuoespaciais: Orientação e Reconhecimento

As habilidades visuoespaciais são a capacidade de distinguir visualmente a posição relativa dos objetos ou em relação a si mesmo.

Neuroanatomia: O desenvolvimento visuoespacial e visuoconstrutivo integra habilidades visuais, motoras e espaciais. São importantes as vias visuais dorsais (occipito-parietais) e ventrais (occipito-temporais), assim como o lobo frontal (controle executivo) e estruturas mediais do lobo temporal (memória).

Objetivo: Avaliar a falta de reconhecimento do hemiespaço contralateral a uma lesão.

Exploração: Avalia-se o reconhecimento de noções espaciais mediante:

  • Orientação espacial: Interrogar sobre ter-se extraviado em lugares conhecidos, defeitos no reconhecimento de ambientes familiares ou reconhecimento espacial unilateral.
  • Teste de determinação do ponto médio: O paciente deve reconhecer o ponto médio de uma linha horizontal. Em caso de desatenção ou agnosia espacial unilateral, ele o localiza na metade direita da linha.
  • Teste de supressão: Marcar imagens iguais em um conjunto misturado. Um número significativamente maior de imagens suprimidas na metade direita indica alteração.
  • Memória topográfica: Estudar a localização de cidades, países em um mapa mudo, ou o desenho de plantas rudimentares (quarto, casa do paciente).
  • Localização de objetos no espaço: Avaliar precisão de distância absoluta e relativa, apreciação de formas e tamanhos, orientação em coordenadas visuais e deformações de perspectiva.

Teste Adicional: Trail Making Test (Parte A e B): Avalia atenção, habilidade visuoespacial, controle inibitório e abstração. A parte A une números em ordem; a B, números e letras alternadamente (1-A-2-B).

Alteração: Heminegligência espacial.

Diagnósticos Diferenciais: Lesões do hemisfério direito (parietotemporooccipital para visuoespacial sensitivo; pré-frontal para visuoconstrutivo).

9. Controle Inibitório: Regulação de Impulsos

O controle inibitório é a capacidade parcial ou total de expressar e/ou executar desejos, impulsos ou ordens.

Neuroanatomia: Relaciona-se com o lobo frontal e os gânglios da base, assim como a abstração, o planejamento e as condutas sociais.

Objetivo: Avaliar a capacidade de mudar condutas e adaptar-se a variações do meio.

Exploração:

  • Teste de sequências alternadas de mãos (Luria): Realizar movimentos específicos com a mão (lado-punho-palma) e depois alternar as mãos.
  • Teste de execução e supressão de atos motores (go-no-go): Levantar um dedo ao ouvir dois toques, não fazer nada ao ouvir um.
  • Trail Making Test (descrito em habilidades visuoespaciais).
  • Teste de Cartas de Wisconsin: Agrupar cartões segundo critérios mutáveis, avaliando flexibilidade/rigidez cognitiva.
  • Teste de Stroop: Nomear a cor da tinta de palavras que indicam uma cor diferente, avaliando o efeito de interferência cor-palavra.

Alteração: Inibição psicomotora, Transtorno de descontrole de impulsos.

Diagnósticos Diferenciais: Lesões do lobo temporal, lesões do lobo frontal.

10. Juízo de Realidade e Raciocínio: Conclusão de Ideias

O juízo de realidade e raciocínio é a capacidade de avaliar alternativas e agir, compreendendo condutas sociais aceitas e as consequências dos atos. O juízo é a conclusão ao relacionar ideias, e o encadeamento de juízos é o raciocínio.

Neuroanatomia: Avalia-se a capacidade geral de resolução de problemas.

Objetivo: Avaliar a capacidade de mudar conduta e adaptação a variações do meio.

Exploração:

  • Perguntas hipotéticas: "O que faria se sentisse cheiro de fumaça em sua casa?", "O que faria se encontrasse um envelope fechado com nome e endereço na rua?". As respostas devem incluir consideração social.
  • Perguntas sobre a doença: "O que o traz aqui hoje?", "O que você acredita que causa seus problemas?".
  • O cumprimento do paciente com os tratamentos prescritos também pode ser uma medida do juízo.

Alteração: Juízo ausente, pobre, ou socialmente interferido.

Diagnósticos Diferenciais: Transtorno bipolar, esquizofrenia, demência.

11. Cálculo: Raciocínio Aritmético

A capacidade de cálculo refere-se ao raciocínio abstrato através de testes aritméticos simples, dependente do nível educacional.

Neuroanatomia: Implica extensas regiões cerebrais, com maior relevância do córtex parietal posterior esquerdo.

Objetivo: Avaliar a capacidade de realizar cálculos simples.

Exploração:

  • Subtração consecutiva (ex. 100 menos 7, menos 7...). Requer atenção normal.
  • Realizar cálculos aritméticos de dificuldade crescente.
  • Minimental test.

Alterações:

  • Acalculia: Perda da habilidade de calcular, previamente adquirida.
  • Alexia-agrafia numérica: Alteração na leitura e escrita de números.
  • Acalculia espacial: Perda de organização espacial com alteração de regras de colocação de dígitos (ex. 13 em vez de 31).
  • Anaritmetia: Defeito na habilidade primária para o cálculo (esquece valores tabulados, dificuldade para planejar sequências de operações).

Diagnósticos Diferenciais: Acidente cerebrovascular (síndrome de Gerstmann), afasia, demência, síndrome confusional, transtornos visuoconstrutivos.

12. Abstração – Inteligência: Generalização de Dados

A abstração – inteligência é a capacidade de generalizar a partir de dados concretos.

Neuroanatomia: Relaciona-se com o lobo frontal e os gânglios da base.

Objetivo: Avaliar a interpretação de semelhanças, diferenças e provérbios.

Exploração: Formular três perguntas:

  • Semelhança: "No que uma maçã e uma laranja se parecem?" (espera-se categorização ampla).
  • Diferença: "No que um avião difere de um carro?" (espera-se categorização ampla).
  • Provérbio: "O que significa 'Deus ajuda quem cedo madruga'?" (espera-se extrapolar o ensinamento).

Alteração: Pensamento concreto, Concretismo reificante.

Diagnósticos Diferenciais: Déficit cognitivo, esquizofrenia, demência, lesões do lobo frontal.

Perguntas Frequentes sobre o Exame Neurológico e do Estado Mental

O que é a Escala de Coma de Glasgow e quando é utilizada?

A Escala de Coma de Glasgow é uma ferramenta padronizada utilizada para medir o nível de comprometimento quantitativo da consciência de um paciente. Avalia a abertura ocular, a resposta verbal e a resposta motora, atribuindo uma pontuação a cada uma para determinar a gravidade de uma lesão cerebral ou o estado de consciência geral. É comumente usada em situações de emergência e no acompanhamento de pacientes com dano cerebral agudo, como após um traumatismo cranioencefálico.

Qual é a diferença entre amnésia anterógrada e retrógrada?

A amnésia anterógrada (ou de fixação) é a incapacidade de formar novas lembranças após o evento que causou a amnésia, enquanto as lembranças antigas geralmente permanecem intactas. Em contraste, a amnésia retrógrada (ou de evocação) é a dificuldade de lembrar eventos ou informações que ocorreram antes do início da amnésia, afetando o acesso a lembranças previamente armazenadas.

O que indicam as alterações nas praxias?

As alterações nas praxias, conhecidas como apraxias, indicam uma incapacidade de realizar movimentos voluntários aprendidos, apesar de o paciente não apresentar fraqueza muscular, problemas de coordenação ou falta de compreensão da ordem. Essas apraxias sugerem uma disfunção nas áreas cerebrais responsáveis pelo planejamento e execução de sequências motoras complexas, geralmente relacionadas com o lobo parietal e o córtex pré-motor do lobo esquerdo.

Como são avaliadas as habilidades visuoespaciais e o que revelam?

As habilidades visuoespaciais são avaliadas mediante tarefas como a orientação espacial (saber onde se está), o teste do ponto médio (identificar o centro de uma linha), testes de supressão (marcar imagens em um campo visual) ou o desenho de plantas. Revelam a capacidade do paciente de perceber e manipular objetos no espaço, sua orientação no ambiente e a possível presença de heminegligência espacial, indicando frequentemente lesões no hemisfério direito do cérebro.

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