Herpes Zóster: Etiologia, Clínica e Tratamento

Descubra tudo sobre o Herpes Zóster: etiologia, clínica, diagnóstico e tratamento. Guia completo para estudantes sobre o cobreiro e NPH. Aprenda já!

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Herpes Zóster: Etiologia, Quadro Clínico e Tratamento para Estudantes

O Herpes Zóster (HZ), comumente conhecido como cobreiro, é uma condição dolorosa que afeta milhões de pessoas. Compreender sua etiologia, quadro clínico e tratamento é fundamental, especialmente para estudantes da área da saúde. Este artigo irá guiá-lo através dos aspectos mais importantes desta doença, desde sua origem viral até as opções terapêuticas disponíveis.

Etiologia do Herpes Zóster: O Vírus Varicela-Zóster

O Herpes Zóster é causado pelo vírus varicela-zóster (VVZ), um alfa-herpesvírus da família Herpesviridae. Este mesmo vírus é o responsável pela varicela (catapora), uma doença benigna predominantemente pediátrica caracterizada por febre e lesões cutâneas (máculas, pápulas, vesículas) e em mucosas. A transmissão do VVZ ocorre por contato direto com as vesículas ou por meio de aerossóis de secreções respiratórias.

Após a infecção primária (varicela), o VVZ não desaparece. Ele permanece latente nos neurônios dos gânglios das raízes dorsais, nos gânglios autônomos (incluindo intestinais) e nos nervos cranianos. O HZ é a reativação espontânea deste vírus latente, manifestando-se como um exantema vesicular doloroso que se localiza seguindo um dermátomo. Esta reativação produz uma disfunção neuroquímica responsável pela dor radicular, que pode ser de intensidade moderada a intensa.

Quadro Clínico do Herpes Zóster: Sintomas e Complicações

A principal manifestação clínica do HZ é um exantema vesicular doloroso que segue a distribuição de um nervo (um dermátomo). Esta dor é uma característica distintiva da doença.

Uma das complicações mais significativas do HZ é a neuralgia pós-herpética (NPH). Esta pode causar uma dor intensa e crônica que compromete as atividades básicas da vida diária, o bem-estar psicológico e a interação social dos pacientes. A NPH se apresenta com maior frequência em idosos, afetando 27% dos não tratados com antivirais com mais de 55 anos, 47% dos maiores de 60, e 73% dos maiores de 70 anos.

Existem apresentações específicas do HZ que requerem atenção especializada:

  • Herpes Zóster com envolvimento do nervo facial (síndrome de Ramsay Hunt): Caracterizado por dor intensa e paralisia de vários nervos cranianos. Sugere-se tratamento com aciclovir intravenoso e corticoides sistêmicos. É vital o encaminhamento ao otorrinolaringologista em caso de HZ ótico, especialmente se envolver os nervos facial e/ou auditivo.
  • Herpes Zóster oftálmico: Requer avaliação por um oftalmologista. São administrados corticoides em doses de 0,5 a 1,0 mg/kg/dia (prednisolona) durante os primeiros 7 a 10 dias, acompanhados de corticoides tópicos. É crucial não usar corticoides na ausência de tratamento antiviral.

Tratamento do Herpes Zóster: Manejo da Dor e Antivirais

O tratamento do HZ busca aliviar os sintomas, encurtar a duração da doença e prevenir complicações como a NPH.

Manejo da Dor Aguda do Herpes Zóster

Durante a fase aguda do Herpes Zóster, recomenda-se uma abordagem escalonada para o manejo da dor, seguindo a “escada analgésica” proposta pela OMS:

  1. Primeiro passo: Para dor leve a moderada, paracetamol oral 500-1000 mg a cada 6 a 8 horas.
  2. Segundo passo: Se a dor for mais intensa, combinar paracetamol com um analgésico opioide fraco, como codeína (15-30 mg a cada 6 ou 8 horas) ou tramadol (50-100 mg a cada 8 horas).
  3. Terceiro passo: Se a dor for muito intensa, combinar paracetamol com um analgésico opioide potente (morfina ou fentanila). Não se sugere o uso de opioides como primeira opção para o manejo da dor.

Além dos analgésicos sistêmicos, podem ser aplicadas medidas locais para aliviar os sintomas e auxiliar no ressecamento das lesões:

  • Sabonete neutro como antisséptico.
  • Compressas frias.
  • Loção de calamina, amido ou bicarbonato de sódio.

Se a dor não ceder com estas medidas, podem ser considerados procedimentos especiais como infiltrações ou bloqueios anestésicos.

Tratamento Antiviral e Adjuvantes

O uso precoce de antivirais (como o aciclovir oral) demonstrou reduzir significativamente a incidência da NPH. Os corticoides sistêmicos em combinação com aciclovir melhoram a qualidade de vida em adultos com mais de 50 anos com HZ localizado, preferencialmente se administrados nas primeiras 72 horas após o início da erupção.

Para o manejo da neuralgia pós-herpética (NPH), os medicamentos adjuvantes são essenciais:

  • Anticonvulsivantes:
    • Gabapentina: Doses de 900-1800 mg/dia em doses divididas. Pode causar edema, devendo ser evitada em pacientes com histórico dessa condição.
    • Pregabalina: Doses de 150-600 mg/dia em doses divididas.
    • Estes fármacos diminuem a intensidade da dor na NPH.
  • Antidepressivos: Em pacientes com dor moderada a grave no início do estudo ou com outros fatores de risco de NPH, deve-se considerar complementar com um antidepressivo (por exemplo, amitriptilina). Não são recomendados os antidepressivos tricíclicos na presença de lesão miocárdica grave ou recente ou arritmia.
  • Lidocaína tópica: É um fármaco de primeira linha para pacientes idosos com polifarmácia ou contraindicações para analgésicos sistêmicos. Disponível como gel de lidocaína a 2% ou 10% e como adesivo de lidocaína a 5%. O gel a 2% é aplicado 4 vezes ao dia nas áreas afetadas, com uma dose máxima de 4,5 mg/kg, sem exceder 300 mg.

Prevenção do Herpes Zóster: A Vacinação

A vacinação é uma ferramenta fundamental na prevenção do HZ e suas complicações. No Brasil, o HZ constitui um problema de saúde pública devido à falta de vacinação universal contra a varicela. A vacina contra o HZ é eficaz para prevenir a doença ou reduzir sua duração e/ou gravidade, oferecendo proteção por pelo menos três anos.

Geralmente, a vacina contra o HZ é bem tolerada, com poucos eventos adversos sistêmicos e reações leves a moderadas no local da injeção. Os pacientes podem ser vacinados sem necessidade de exames sorológicos ou de considerar histórico de varicela ou HZ, nem doenças crônicas.

Perguntas Frequentes sobre Herpes Zóster

O que é o Herpes Zóster e como é adquirido?

O Herpes Zóster é uma doença causada pela reativação do vírus varicela-zóster (VVZ), o mesmo vírus que causa a varicela (catapora). Depois da varicela, o VVZ permanece latente nos gânglios nervosos e pode ser reativado anos depois, manifestando-se como HZ. A transmissão inicial do VVZ ocorre por contato com vesículas ou secreções respiratórias.

Qual é a principal complicação do Herpes Zóster e como é tratada?

A principal complicação é a neuralgia pós-herpética (NPH), uma dor crônica e intensa que pode durar meses ou anos depois que a erupção tenha cicatrizado. Para seu tratamento, são utilizados medicamentos como anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina), antidepresivos (amitriptilina) e lidocaína tópica. O uso precoce de antivirais durante o HZ agudo reduz a incidência de NPH.

É recomendável a vacina contra o Herpes Zóster?

Sim, a vacina contra o Herpes Zóster é altamente recomendável, especialmente em adultos. É eficaz para prevenir o aparecimento da doença ou para reduzir sua duração e gravidade. É bem tolerada e pode ser administrada sem necessidade de exames prévios ou consideração de histórico de varicela ou doenças crônicas.

Flashcards

1 / 15

Qual vírus causa a varicela e o herpes zóster e a qual família ele pertence?

O vírus varicela-zóster (VVZ), um alfa-herpesvírus da família Herpesviridae, subfamília Alphaherpesvirinae.

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