Resumo de Perspectivas Decoloniais em Serviço Social
Perspectivas Decoloniais em Serviço Social: Guia Essencial
Introdução
A decolonialidade propõe repensar como o conhecimento é produzido e transmitido na América Latina, questionando a hegemonia das ciências modernas europeias e norte-americanas. Busca valorizar saberes locais, comunitários e ancestrais, recuperando dimensões afetivas, espirituais e coletivas que a epistemologia ocidental tem marginalizado.
Definição: A decolonialidade é uma abordagem crítica que questiona as relações de poder epistêmicas e culturais instauradas pela modernidade/colonialidade, promovendo a legitimação e recuperação de saberes locais e práticas sociais alternativas.
1. Por que é necessária uma perspectiva decolonial no Serviço Social?
- A teoria social na América Latina historicamente se nutria de narrativas e referenciais conceituais provenientes da Europa e dos EUA.
- Isso produziu a subalternização de saberes locais e a invisibilização de práticas comunitárias.
- Uma perspectiva decolonial no Serviço Social (SS) exige repensar métodos, epistemologias, ética e objetivos profissionais em função do contexto latino-americano.
Componentes-chave
- Reconhecer as relações de poder na produção do conhecimento.
- Valorizar saberes ancestrais, comunitários e produzidos por movimentos sociais.
- Priorizar práticas pedagógicas que integrem o epistêmico e o afetivo.
Definição: Subalternização é o processo pelo qual certos saberes, práticas ou grupos ficam marginalizados ou ocultos frente a modelos culturais ou científicos dominantes.
2. Elementos conceituais detalhados
Decolonialidade vs. Modernidade
| Aspecto | Modernidade (dominante) | Decolonialidade (proposta) |
|---|---|---|
| Epistemologia | Foco na razão instrumental e universalidade | Pluralidade epistemológica: emoção, espiritualidade, sabedoria comunitária |
| Meta | Progresso tecnológico e acumulação | Bem viver, equilíbrio com a natureza e comunidade |
| Relação com saberes locais | Marginalização ou transformação segundo padrões ocidentais | Reconhecimento, valorização e diálogo intercultural |
Dualidade e cosmovisão
- Kusch e outros autores descrevem uma dualidade (dia/noite, ordem/caos) que na América convive entre o urbano e o profundo, o espiritual.
- Em cosmovisões indígenas, distingue-se entre o "ser" transitório e o "estar" permanente: o "estar" resgata a continuidade cultural e a relação com o território.
Definição: Cosmovisão é o conjunto de percepções, práticas e crenças que articulam a relação de uma comunidade com o mundo e que orientam seu conhecimento e ação social.
3. Problemas Observados na Prática Profissional
- Educação e formação centradas em teorias e metodologias importadas.
- Perda de práticas comunitárias, intuição e conexão com a terra como fontes válidas de conhecimento.
- Produção de identidades híbridas que geram medo do que é próprio e adesão automática a modelos ocidentais.
Exemplo Prático
Uma equipe de Serviço Social que atua em uma comunidade indígena pode planejar intervenções baseadas em pesquisas padronizadas (modelo importado) que não capturam rituais, economia comunal nem formas locais de resolução de conflitos. Uma abordagem decolonial integraria entrevistas com anciãos, observação de práticas comunitárias e espaços de deliberação coletiva para codesenhar soluções.
4. Rumo a uma pedagogia e metodologia decolonial
- Desaprender o imposto: revisar bibliografias e práticas que invisibilizam saberes locais.
- Incorporar saberes de movimentos sociais e organizações populares nos planos de estudo.
- Fomentar métodos participativos: pesquisa-ação participativa, etnografia crítica, metodologias colaborativas.
- Valorizar a intuição, a oralidade e a memória como fontes válidas de evidência.
Definição: Pesquisa-ação participativa (PAP) é uma metodologia na qual pesquisadores e participantes colaboram em todas as fases da pesquisa para produzir conhecimento útil e transformador para a comunidade.
Você sabia que a UNESCO reconhece a diversidade cultural como um motor para
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Decolonialidade Latino-americana
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