Podcast sobre Perspectivas Decoloniais em Serviço Social
Perspectivas Decoloniais em Serviço Social: Guia Essencial
Podcast
Perspectivas Decoloniais em Serviço Social
Délka: 5 minut
Přepis
Carmen: Pera aí, então tanto o Serviço Social quanto as ciências sociais buscam se aprofundar no dia a dia das pessoas e das comunidades? Pra entender como tudo funciona?
Mateo: Exatamente! Parece um pouco como ser um detetive do cotidiano, né? Mas o objetivo é super nobre: compreender pra poder melhorar as condições de vida de todo mundo.
Carmen: Que incrível! Tá, adorei esse ponto de partida. Você está ouvindo Studyfi Podcast, e hoje, com o Mateo, a gente vai explorar o mundo do Serviço Social de uma perspectiva que talvez você não conhecia.
Mateo: É isso mesmo, Carmen. E tudo começa com uma mudança de mentalidade, uma virada que a autora Esperanza Gomez chama de perspectiva intelectual e decolonial.
Carmen: Decolonial. É uma palavra potente. O que significa nesse contexto?
Mateo: Significa questionar as ideias que a gente sempre deu como certas. Historicamente, gerou-se uma mudança que reivindicou o social de um novo ângulo. Isso gerou novos debates na teoria, na metodologia e até na ética do Serviço Social.
Carmen: E eu entendo que isso teve um impacto tão grande que chegou até organismos como a UNESCO, né?
Mateo: Totalmente! A UNESCO aborda a diversidade como uma condição própria dos seres humanos. Pensa que ela foi fundada em 1945, logo depois da guerra e durante os processos de independência na África. O mundo estava mudando e era evidente que éramos incrivelmente diversos.
Carmen: Claro, tinha que ter um organismo que zelasse por isso.
Mateo: Exato. O objetivo deles era a paz e a segurança mundial. E eles viram na cultura uma fonte de evolução e progresso. A diversidade cultural se ampliou pra incluir questões étnicas, sexuais, religiosas... de todo tipo.
Carmen: E aí entra o pluralismo, né? Pra garantir que as minorias também tenham voz e direitos.
Mateo: Precisamente. É sobre fazer com que todo mundo participe no cenário social.
Carmen: O texto também menciona os "saberes diversos". Não é a mesma coisa que o conhecimento tradicional da ciência?
Mateo: Ótima pergunta! Não exatamente. A UNESCO ressalta que o saber é acumulativo, universal e pessoal. Não só nos dá identidade e coesão social, mas também é uma fonte para a paz.
Carmen: Como o saber pode ser uma fonte para a paz? Parece bem poético.
Mateo: É sim, mas também é muito prático! Quando a gente valoriza diferentes tipos de conhecimento, não só o científico-acadêmico, a gente combate preconceitos e rompe com as incertezas que nos separam.
Carmen: E é aqui que a gente conecta com a América Latina, né? A autora propõe um Serviço Social latino-americano e decolonial.
Mateo: Exato. A proposta é começar a pensar, sentir e agir a partir do nosso próprio contexto. Por muito tempo, a teoria social na América Latina se nutriu de ideias da Europa e dos Estados Unidos.
Carmen: Como se só desse pra pensar de lá...
Mateo: Exato. A virada decolonial nos convida a valorizar outras formas de conhecimento, a ouvir o que os sábios dos nossos povos nos transmitiram. É um conhecimento que não se centra só na razão, mas que também inclui o coração, as emoções, a experiência vivida.
Carmen: Imagino que isso implica questionar bastante o sistema atual.
Mateo: Implica questionar como o conhecimento é construído na nossa profissão, quem tem o poder de dizer o que é válido e o que não é. É sobre priorizar os saberes esquecidos, aqueles que os movimentos sociais e as organizações populares da nossa região produzem.
Carmen: Uau. Então, pra que o Serviço Social dê essa virada decolonial, não é só uma mudança de teoria, é uma mudança de paradigma completa.
Carmen: E tudo isso nos leva diretamente ao nosso último grande tema: a decolonialidade. É uma palavra que soa... intimidante.
Mateo: Um pouco, sim. Mas é chave. O filósofo Rodolfo Kusch fala do 'fedor do que é americano'.
Carmen: O fedor? Parece bem forte.
Mateo: É sim. Ele se refere a como as elites viam o indígena como algo impuro ou desagradável. É um medo da nossa própria identidade, do que ele chama de 'o americano profundo'.
Carmen: Então, como a gente sai desse medo?
Mateo: Kusch propõe entender uma dualidade. Para a visão ocidental, o importante é 'ser' alguém, algo transitório. Mas para a cosmovisão indígena, o fundamental é 'estar'.
Carmen: 'Estar'? Tipo estar conectado a um lugar, a uma comunidade?
Mateo: Exato! 'Estar' é permanência, é a raiz. A modernidade nos empurrou a 'ser' soldados do progresso, esquecendo como 'estar'. Isso criou uma identidade híbrida, aprisionada.
Carmen: Parece que a gente vive num conflito constante.
Mateo: E é sim. Por isso a proposta da decolonialidade é criar uma 'filosofia do estar'. É sobre desaprender o que foi imposto pela colônia.
Carmen: Ou seja, voltar a valorizar o que é nosso? O comunitário, a conexão com a terra?
Mateo: Justamente. É integrar o sagrado e o coletivo, em vez de só valorizar o racionalismo ocidental. Não se trata de anular o ocidental, mas de encontrar um equilíbrio.
Carmen: Incrível! Desde o poder da narrativa até a filosofia do 'estar', a gente cobriu muita coisa hoje. A chave parece ser questionar e buscar um equilíbrio.
Mateo: Esse é o ponto. Não tem respostas fáceis, mas fazer as perguntas certas já é um grande passo. Obrigado por nos acompanhar nessa reflexão.
Carmen: E obrigada a você, Mateo. E a todos vocês por ouvirem o Studyfi Podcast. A gente se vê no próximo episódio!