A farmacologia da inflamação e da dor é uma área essencial na medicina, pois aborda a compreensão e o tratamento de duas das respostas fisiológicas mais comuns e incômodas do corpo. Desde uma alergia sazonal até a dor crônica da artrite, os fármacos desempenham um papel crucial na modulação dessas respostas. Este artigo te guiará pelos principais grupos farmacológicos utilizados para controlar a inflamação, a dor e as reações alérgicas, oferecendo uma visão clara e concisa para estudantes.
Compreendendo a Histamina e os Anti-histamínicos: Bloqueadores de Reações Alérgicas
A histamina é um mediador químico fundamental, derivado do aminoácido histidina, que intervém em múltiplos processos fisiológicos e patológicos. Sua ação é chave na resposta a alergias, na secreção gástrica, na hipersensibilidade imediata e na inflamação, e inclusive atua como neurotransmissor no sistema nervoso central.
Onde a histamina é produzida e encontrada?
A histamina é produzida e armazenada em diversas células e tecidos. Os principais são:
- Mastócitos: Células imunitárias em tecidos conjuntivos. São abundantes no tecido conjuntivo frouxo e perivascular.
- Basófilos: Um tipo de glóbulos brancos que contêm histamina em seus grânulos citoplasmáticos.
- Células epidermoides: Presentes na pele.
- Sistemas específicos: Sistema respiratório, sistema digestório (especialmente no estômago) e o sistema nervoso central.
Liberação e Receptores da Histamina
A liberação de histamina pode ser:
- Fisiológica: Como no estômago, onde participa na secreção ácida.
- Fisiopatológica (imunitária): Em reações alérgicas, a IgE se une aos mastócitos, desencadeando a liberação de histamina. Substâncias como a cocaína, succinilcolina, toxinas de insetos, bradicininas, substância P e citocinas também podem induzir sua liberação.
A histamina exerce seus efeitos através de pelo menos três tipos de receptores:
- Receptores H1: Localizados no músculo liso brônquico, conjuntiva e sistema cardiovascular. Suas ações incluem dor, prurido, eritema em terminações nervosas; constrição do músculo brônquico; produção de prostaglandinas; aumento da frequência cardíaca; estimulação vagal; tosse e espirros; e aumento do estado de alerta no SNC.
- Receptores H2: Encontram-se na mucosa gástrica, útero e cérebro.
- Receptores H3: Presentes em terminações nervosas, envolvidos na retroalimentação.
Anti-histamínicos H1: Mecanismo e Classificação
Os anti-histamínicos são fármacos que se unem aos receptores H1 de histamina. Seu mecanismo é de antagonismo competitivo, ou seja, unem-se ao receptor sem ativá-lo e deslocam a histamina, impedindo seus efeitos.
Classificam-se em duas gerações principais:
Anti-histamínicos Clássicos ou de Primeira Geração:
- Exemplos: Clorfeniramina, Difenidramina, Bromfeniramina, Meclizina, Tripolidina, Hidroxizina, Azelastina.
- Características: Frequentemente causam sedação e têm efeitos anticolinérgicos.
- Clorfeniramina: Inibe a união de histamina com H1, relaxando o músculo liso, aliviando o prurido e a tosse. Indicada para rinite alérgica, alergias por medicamentos, alimentos ou picadas. Dose de 4 mg VO a cada 4-6 hrs. Reações adversas incluem sedação, boca seca, visão turva. Contraindicada em hipertrofia prostática, glaucoma, asma.
- Difenidramina: Impede a união de histamina a H1 em brônquios, trato digestório, útero e grandes vasos. Indicada para reações alérgicas. Dose de 25-50 mg VO a cada 4-6 hrs. Causa visão turva, transtornos gastrointestinais e sedação. Contraindicada em hipertrofia pilórica/prostática, asma, glaucoma.
Anti-histamínicos de Segunda Geração ou Não Sedativos:
- Exemplos: Loratadina, Desloratadina, Fexofenadina, Levocetirizina, Terfenadina, Ebastina, Epinastina.
- Características: Não causam sedação significativa, permitindo alerta e concentração. Não têm efeitos anticolinérgicos.
- Loratadina: Antagonista seletivo de H1 periféricos. Indicada para rinite alérgica e urticária. Dose de 10 mg a cada 24 hrs. Poucas reações adversas, como sedação leve ou boca seca. Contraindicada na gravidez e lactação.
- Desloratadina: Metabólito ativo da Loratadina, sem efeito sedativo. Indicada para rinite alérgica e urticária crônica. Dose de 5 mg a cada 24 hrs. Similares reações adversas leves à loratadina. Contraindicada na gravidez e lactação.
Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs): Uma Solução Versátil para a Dor e a Inflamação
Os AINEs são um grupo heterogêneo de substâncias com propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e antipiréticas. São muito eficazes para a dor somática (musculoesquelética), visceral (dismenorreia, cólica) e óssea (metastática). Além disso, são úteis em processos inflamatórios crônicos como a Artrite Reumatoide, espondiloartropatias, artrose e reumatismos de partes moles.
Mecanismo de Ação dos AINEs na Inflamação e na Dor
A inflamação é uma resposta complexa do corpo a agentes infecciosos (bactérias, vírus), irritantes (químicos), isquemia ou lesões físicas/térmicas. O processo de dor inicia-se pela ativação de nociceptores (fibras pequenas desmielinizadas na epiderme e mucosas) por substâncias liberadas na lesão, como histamina, bradicinina, prostaglandinas e leucotrienos.
A lesão da membrana celular libera fosfolipídios que, sob a ação de bradicinina e adrenalina, aumentam a produção de ácido araquidônico. Este ácido é metabolizado pelas enzimas ciclooxigenase (COX) para produzir prostaglandinas, tromboxanos e leucotrienos, que são os principais mediadores da inflamação, febre e dor.
Uma descoberta chave é a existência de duas isoformas de COX:
- COX-1: Presente em processos fisiológicos como a proteção gástrica, função renal e agregação plaquetária (homeostase).
- COX-2: Induzida em processos inflamatórios patológicos.
Os AINEs atuam principalmente inibindo a COX, bloqueando a síntese de prostaglandinas, tromboxanos e leucotrienos, reduzindo assim a inflamação, a febre e a dor.
Classificação de AINEs: Inibidores de COX
Os AINEs dividem-se em dois grandes grupos:
1. Inibidores Não Seletivos (Atuam sobre COX-1 e COX-2): Estes fármacos inibem ambas as isoformas da COX, o que explica seus efeitos anti-inflamatórios e analgésicos, mas também seus efeitos adversos gastrointestinais (por inibição da COX-1 protetora).
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Ácido Acetilsalicílico (Aspirina):
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Mecanismo: Inibe a COX, reduzindo a síntese de prostaglandina E1 (o pirógeno mais importante) no hipotálamo, exercendo uma ação antifebril. Também é um antiagregante plaquetário (antitrombótico).
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ADME: Oral, liga-se 98% a proteínas plasmáticas, metabolizado no fígado (ácido salicílico ativo), eliminado pela urina.
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Indicações: Dor tegumentar, osteoartrite, febre, isquemia cerebral, infarto, tromboembolias.
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Dose: 325-650 mg a cada 4-6 hrs (adultos); 10-15 mg/kg a cada 4-6 hrs (crianças).
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Reações Adversas: Hemorragias gastrointestinais, broncoespasmo em asmáticos, perda de audição.
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Contraindicações: Problemas pépticos, gravidez, transtornos de coagulação, crianças com varicela ou influenza (risco de Síndrome de Reye), dengue.
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Toxicidade: Dose tóxica de 4 g; dose letal de 10-30 g. O tratamento inclui lavagem gástrica, carvão ativado, bicarbonato e vitamina K.
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Naproxeno: Mais potente que o AAS como inibidor de prostaglandinas (10-20 vezes).
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Mecanismo: Derivado do ácido arilpropiônico, inibe a COX.
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ADME: Oral, VM 12 hrs, 99% ligado a proteínas, metabolizado no sangue e fígado, eliminado pela urina.
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Indicações: Artrite reumatoide, artrite juvenil, osteoartrite, dismenorreia, espondilite anquilosante, artrite gotosa.
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Dose: 275-500 mg (adultos); 10 mg/kg/dia (crianças >5 anos).
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Reações Adversas: Doença péptica, erupções cutâneas, disfunção renal.
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Contraindicações: Gravidez, lactação, gastrite.
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Ibuprofeno: Derivado do ácido fenilpropiônico.
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Mecanismo: Inibidor da COX.
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ADME: Oral, 99% ligado a proteínas, metabolizado no fígado, VM 2 hrs, eliminado pela urina.
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Indicações: Dor leve ou moderada com inflamação, dismenorreia, osteoartrite, artrite reumatoide.
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Dose: 400 mg a cada 8 hrs (adultos); 20 mg/kg/dia em 4-6 tomadas (crianças >1 ano).
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Reações Adversas: Erupção cutânea, cefaleia, gastrite, visão turva.
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Contraindicações: Gravidez e lactação.
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Etodolaco: Derivado racêmico do ácido acético.
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Mecanismo: Inibidor da COX.
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ADME: Oral e parenteral, metabolizado no fígado, eliminado pela urina e fezes.
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Indicações: Dor leve e moderada, artrite, osteoartrite.
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Dose: 200-300 mg a cada 12 hrs.
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Reações Adversas: Úlcera gastrointestinal.
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Contraindicações: Gastrite e úlcera gástrica.
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Piroxicam: Derivado do ácido enólico.
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Mecanismo: Inibe a COX, evitando a formação de prostaglandinas.
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ADME: Oral, VM 50 hrs, metabolizado no fígado, eliminado pela urina.
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Indicações: Manejo crônico de artrite reumatoide e osteoartrite; dor musculoesquelética aguda, gota aguda, pós-operatório, dismenorreia.
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Dose: 20 mg uma vez ao dia.
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Reações Adversas: Gastrite, úlcera péptica.
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Contraindicações: Gastrite e úlcera.
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Diclofenaco (Derivado de ácidos heteroarilacéticos):
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Mecanismo: Inibe a COX.
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Indicações: Uso crônico em AR, artrose, espondilite anquilosante. Mais potente que indometacina e naproxeno por acúmulo no líquido sinovial.
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Dose: 100 mg a cada 12 hrs VO, 75 mg IM.
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Reações Adversas: Similares a outros AINEs.
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Cetorolaco (Derivado de ácidos heteroarilacéticos):
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Mecanismo: Inibe a COX.
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Indicações: Dor moderada a intensa, a curto prazo (não mais de 5 dias) por via IV ou IM. Principalmente como analgésico pós-operatório.
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Dose: Não superar os 40 mg/dia em uso crônico.
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Reações Adversas: Úlceras gástricas, até perfuração intestinal.
2. Inibidores Seletivos da COX-2: Estes fármacos diminuem a inflamação e a dor sem inibir a ação protetora das prostaglandinas no estômago (ou seja, não inibem a COX-1). No entanto, alguns (rofecoxibe e valdecoxibe) foram retirados do mercado por sua relação com o aumento do risco de infarto do miocárdio.
- Celecoxibe:
- Mecanismo: Bloqueia a COX-2, inibindo a produção de prostaglandinas.
- ADME: Oral, metabolizado no fígado, VM 11-12 hrs, eliminado pela urina.
- Indicações: Artrose, artrite reumatoide, espondilite anquilosante.
- Dose: 100 mg a cada 12 hrs com alimentos.
- Reações Adversas: Dor abdominal, dispepsia, erupção cutânea.
- Contraindicações: Alergia a sulfas, asmáticos.
Paracetamol (Acetaminofeno): Um Analgésico e Antipirético com Baixo Perfil Anti-inflamatório
O paracetamol não é considerado um AINE típico. Sua ação principal é a nível central, inibindo a síntese de prostaglandinas no SNC, o que lhe confere propriedades analgésicas e antipiréticas. Tem pouca ação sobre a COX periférica, resultando em baixa capacidade anti-inflamatória e sem efeitos antiagregantes plaquetários.
- Indicações: Antipirético e analgésico. Preferido em pacientes com alterações da coagulação, crianças com infecções virais e febre (para evitar a Síndrome de Reye associada ao AAS), e na gota (não compete com a eliminação do ácido úrico).
- ADME: Boa absorção oral, metabolismo de primeira passagem. Produz um metabólito tóxico (N-acetilbenzoiminoquinona) que em doses baixas é neutralizado pela glutationa hepática.
- Reações Adversas: Mínimas em doses terapêuticas (erupções cutâneas, alterações leucocitárias passageiras). Em doses tóxicas, o esgotamento da glutationa hepática provoca necrose hepatocelular. O antídoto é a N-acetilcisteína, que deve ser administrada antes das 10 horas da intoxicação.
Anti-inflamatórios Esteroides: Glicocorticoides e seu Impacto Potente
Os anti-inflamatórios esteroides, também conhecidos como glicocorticoides, são hormônios produzidos no córtex suprarrenal (junto com os mineralocorticoides e andrógenos suprarrenais). São potentes anti-inflamatórios e imunossupressores.
Glicocorticoides Importantes
- Exemplos: Betametasona, Cortisona, Dexametasona, Fludrocortisona, Hidrocortisona, Metilprednisolona, Prednisolona, Prednisona, Triancinolona.
- Inibidores da biossíntese ou função: Eplerenona, Cetoconazol, Espironolactona.
Mecanismos de Ação dos Adrenocorticosteroides
Os glicocorticoides atuam através de receptores intracitoplasmáticos específicos em tecidos-alvo. Promovem a ativação e desativação de genes, influenciando na produção de proteínas. Seus mecanismos incluem:
- Metabolismo: Favorecem a gliconeogênese, catabolismo proteico e lipólise. Aumentam a resistência ao estresse ao elevar a glicose para energia.
- Células de Defesa: Modificam a quantidade de células de defesa, levando-as ao tecido linfoide e aumentando os glóbulos vermelhos circulantes.
- Efeitos Endócrinos: Por retroalimentação, diminuem a produção de glicocorticoides endógenos e aumentam o TSH.
- Outros Efeitos: Aumentam a filtração glomerular, propiciam a secreção de pepsina (risco de úlceras) e, em tratamentos crônicos, causam descalcificação.
Mecanismo Anti-inflamatório Específico
Como anti-inflamatórios, os glicocorticoides:
- Inibição da Fosfolipase A2: Bloqueiam indiretamente a produção de ácido araquidônico, reduzindo a síntese de prostaglandinas e leucotrienos.
- Diminuição da COX-2: Reduzem a síntese de COX-2, o que leva a menos prostaglandinas.
- Inibição da Degranulação de Mastócitos: Bloqueiam a liberação de histamina, reduzindo a permeabilidade capilar.
- Efeitos em células imunes: Inibem a ação de leucócitos e macrófagos.
Usos Terapêuticos e ADME
- Usos: Tratamento restitutivo em insuficiência adrenocortical primária (Doença de Addison) e secundária/terciária, diagnóstico da Síndrome de Cushing, hiperplasia suprarrenal congênita, alergias (asma, rinite alérgica), aceleração da maturação pulmonar em recém-nascidos prematuros. Como anti-inflamatórios, são chave em problemas artríticos, reumatoides e processos inflamatórios da pele.
- ADME: Administram-se por via oral, IM, IV, intra-articular, tópica, aerossol. Boa absorção, união a proteínas plasmáticas (>90%), metabolizados no fígado e eliminados pelo rim.
- Dosagem: Para evitar a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal em tratamentos crônicos, prefere-se uma dosagem alternada. Em tratamentos tópicos prolongados podem causar estrias, hipotrofia ou cataratas oculares.
Efeitos Adversos e Retirada Gradual de Glicocorticoides
Os efeitos adversos dos glicocorticoides são variados e significativos, especialmente com tratamentos crônicos:
- Descalcificação, osteoporose (requer suplementos de cálcio e Vitamina D).
- Síndrome de Cushing (redistribuição de gorduras, acne, hipertricose, estrias, giba de búfalo).
- Cataratas por uso prolongado.
- Hiperglicemia, hipopotassemia.
- Diminuição do crescimento.
- Maior risco de infecção.
- Transtornos emocionais, úlcera péptica, hipertensão.
A retirada de glicocorticoides deve ser gradual em tratamentos crônicos e doses elevadas para evitar a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-glândula suprarrenal.
Analgésicos Opioides: Potência para a Dor Severa
Os analgésicos opioides são os mais potentes disponíveis, eficazes para a dor moderada a severa. Derivados do ópio (papoula), contêm alcaloides como a morfina, papaverina e codeína.
Classificação de Opioides e Receptores
Os opioides classificam-se em naturais, sintéticos e endógenos. Os opioides endógenos do nosso corpo incluem encefalinas, dinorfinas e endorfinas, que atuam sobre receptores opioides específicos. Foram identificados pelo menos 8 receptores, com 5 no SNC (mu, kappa, delta, sigma e épsilon). Os receptores mu e kappa são os principais envolvidos na analgesia.
A analgesia opioide ocorre a nível espinhal e supraespinhal:
- Nível Espinhal Pré-sináptico: Os receptores opioides incrementam o fluxo de cálcio, diminuindo a liberação de neurotransmissores da dor.
- Nível Supraespinhal Pós-sináptico: Os receptores aumentam o fluxo de potássio, inibindo os neurônios que conduzem a dor.
Classificação dos Opioides Farmacológicos:
1. Agonistas Totais:
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Morfina: Protótipo do grupo.
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Mecanismo: Atua sobre receptores mu, kappa e delta, mas a analgesia deve-se principalmente à ativação dos receptores mu.
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ADME: Oral, retal, parenteral. Atravessa a barreira hematoencefálica (BHE). VM 2-4 hrs. Sofre metabolismo de primeira passagem. Metabolizada no fígado, eliminada pela urina, fezes, saliva, suor, leite materno.
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Indicações: Dor moderada a intensa (pós-operatória, visceral, queimaduras, infarto), edema agudo de pulmão cardiogênico.
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Dose: 30-60 mg a cada 12 hrs VO; 4-15 mg SC/IV a cada 4 hrs.
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Reações Adversas: Gastrointestinais, sonolência, confusão, espasmos brônquicos, uretrais, biliares, rigidez, dificuldades para dormir.
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Intoxicação: Apresenta-se com 120 mg VO ou 30 mg IV. Caracterizada por coma, pupilas puntiformes e depressão respiratória. Contraindicações: Asma, TCE, convulsões, insuficiência hepática ou renal, abdome agudo, cólica biliar, arritmias.
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Outros agonistas totais: Dextropropoxifeno, Metadona, Meperidina, Fentanil, Oxicodona.
2. Agonistas Parciais:
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Buprenorfina:
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Mecanismo: Agonista parcial de receptores mu e antagonista de receptores kappa. Efeito analgésico superior e mais prolongado que a morfina.
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ADME: Metabolizada parcialmente no fígado, eliminada 80% pelas fezes e 20% pela urina. Oral, IV, IM, transdérmica.
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Indicação: Dor moderada e severa.
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Dose: 0.2-0.4 mg sublingual; 0.3-0.6 mg IV; adesivos.
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Reações Adversas: Sonolência, sedação, hipotensão, cefaleia.
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Contraindicações: Depressão respiratória, intoxicação alcoólica.
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Outros agonistas parciais: Nalbufina, Pentazocina.
3. Antagonistas:
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Naloxona:
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Mecanismo: Antagonista puro de narcóticos, reverte seus efeitos. Liga-se a receptores mu 10 vezes mais que a kappa e delta.
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ADME: IV, IM ou SC. Efeito em 2-5 min, duração 80 min. Metabolizada no fígado, eliminada pela urina.
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Indicação: Antídoto na intoxicação por opiáceos.
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Dose: 0.4 mg/kg por dose até reverter a depressão respiratória.
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Reações Adversas: Náuseas, hipertensão, taquicardia.
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Contraindicações: Hipersensibilidade.
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Naltrexona:
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Mecanismo: Antagoniza as sensações prazerosas das endorfinas causadas pelo álcool.
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Indicações: Coadjuvante no tratamento do alcoolismo.
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Dose: 50 mg ao dia por 6-12 meses.
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Outro antagonista: Nalmefeno.
Flashcards
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Relaxantes Musculares, Agonistas GABA e Bloqueadores de Canais de Sódio
Estes grupos farmacológicos também têm um papel no manejo da dor e do espasmo:
- Relaxantes Musculares: Carisoprodol, Metaxalona, Metocarbamol, Orfenadrina.
- Agonistas GABA e Bloqueadores de Canais de Sódio: Já cobertos em outros temas de farmacologia (benzodiazepínicos, anticonvulsivantes, hipnóticos Z, anestésicos locais).
Fármacos Antigotosos: Controlando o Ácido Úrico
A gota é uma doença metabólica caracterizada por um aumento do ácido úrico, que se deposita em articulações, ossos, rins e pele. O ácido úrico provém do recâmbio celular (purinas) e da dieta. Afeta 1 em cada 10 homens, e 1 em cada 5 desenvolve a doença. Tipicamente afeta o hálux, mas também pode causar cálculos renais e tofos na pele.
O tratamento da gota busca controlar a doença, não curá-la. Uma dieta adequada, evitar o álcool e baixar de peso são fundamentais. Os medicamentos têm duas funções:
- Evitar a formação excessiva de ácido úrico.
- Aumentar sua eliminação através do rim.
Medicamentos Antigotosos Chave:
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Colchicina: Muito eficaz para diminuir a dor e inflamação na artrite gotosa aguda (em 12-24 hrs).
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Mecanismo: Liga-se à proteína tubulina, impedindo sua polimerização e inibindo a migração de leucócitos aos locais de inflamação, o que bloqueia suas ações metabólicas e fagocíticas.
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ADME: Oral ou IV, boa concentração em 50 min, VM 9 dias, metabolizada no fígado, eliminada pela urina.
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Indicações: Artrite gotosa aguda.
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Dose: 0.5 mg VO 2-4 vezes por semana; 2 mg IV a cada 7 dias.
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Reações Adversas: Diarreia, dor ardente na garganta, oligúria, hematúria, dor abdominal, depressão da medula óssea, neuropatias.
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Contraindicações: Insuficiência hepática ou renal, gravidez, lactação, hematopatias.
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Alopurinol: Análogo sintético da hipoxantina.
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Mecanismo: Inibe a xantina oxidase, bloqueando a conversão de hipoxantina a xantina e desta a ácido úrico.
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ADME: Boa absorção oral, VM 2-3 hrs, metabolizado no fígado, excretado pela urina.
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Indicação: Hiperuricemia, nefropatia primária ou secundária ao ácido úrico e artrite gotosa crônica.
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Dose: 300 mg uma vez ao dia.
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Reações Adversas: Febre, erupção cutânea, sintomas gastrointestinais, hepatopatia.
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Contraindicação: Insuficiências renal e hepática.
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Probenecida: Fármaco uricosúrico.
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Mecanismo: Inibe a reabsorção de ácido úrico no túbulo proximal renal, aumentando sua excreção na urina.
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ADME: Boa absorção oral, VM 5 hrs, metabolizada no fígado, excretada pela urina.
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Indicação: Somente em artrite gotosa crônica (NÃO usar em gota aguda).
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Dose: 250 mg duas vezes ao dia por uma semana.
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Reações Adversas: Erupção cutânea e gastrointestinais.
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Contraindicação: Insuficiência renal.
Antiespasmódicos: Alívio para o Músculo Liso
Os antiespasmódicos relaxam o músculo liso e são úteis em doenças intestinais como dispepsia não ulcerosa, síndrome do intestino irritável e doença diverticular. Dividem-se em:
1. Antimuscarínicos:
- Exemplos: Atropina, Propantelina, Dicicloverina.
- Mecanismo: Inibem a atividade parassimpática, relaxando o músculo liso.
- Indicação: Dispepsia não ulcerosa, síndrome do intestino irritável, doença diverticular.
- Via: Oral.
- Efeitos Adversos: Boca seca, visão turva, taquicardia, pele seca, retenção urinária.
- Contraindicações: Glaucoma, miastenia, refluxo gastroesofágico, hipertrofia prostática.
2. Fármacos que Atuam Diretamente sobre o Músculo Liso:
- Exemplos: Mebeverina, Alverina, Óleo de menta.
- Mecanismo: Relaxam diretamente o músculo liso.
- Via: Oral.
- Indicações: Síndrome do intestino irritável, doença diverticular.
- Reações Adversas: Náuseas, cefaleia, pirose.
- Contraindicações: Íleo paralítico.
Fármacos Antirreumáticos: Abordando a Artrite Reumatoide
A artrite reumatoide (AR) é uma doença crônica inflamatória que afeta simetricamente as articulações, principalmente mãos e pés, causando dor, inflamação, vermelhidão, calor e rigidez matinal. Diagnostica-se pela presença do fator reumatoide. O objetivo do tratamento é diminuir a dor, a inflamação, a progressão do dano articular e melhorar a qualidade de vida, já que não tem cura.
A abordagem inicial inclui AINEs, corticosteroides e fisioterapia. Se não houver controle de sintomas, recorre-se a um segundo grupo de medicamentos:
- Metotrexato: Um antineoplásico utilizado em AR refratária a AINEs. Dose de 7.5-15 mg uma vez por semana. Principal reação adversa: hepatotoxicidade.
- Cloroquina e Hidroxicloroquina: Usadas em AR, com atividade imunossupressora. Dose de Cloroquina 250 mg/dia; Hidroxicloroquina 200-400 mg/dia.
- Leflunomida: Imunomodulador eficaz em AR.
- Mecanismo: Inibidor seletivo e reversível da di-hidroorotato desidrogenase (DHODH), bloqueia o ciclo celular de linfócitos T e inibe sua proliferação, diminuindo a destruição articular.
- Dose: Iniciar com 100 mg por 3 dias, depois 25 mg/dia.
- Reação Adversa: Transtornos gastrointestinais e elevação de transaminases.
- Infliximabe: Anticorpo anti-TNF alfa. O TNF alfa induz citocinas (IL-1, IL-6) que causam a doença. Ao bloquear sua ação, é muito eficaz em AR.
- Anakinra: Proteína recombinante e antagonista competitivo do receptor de IL-1. Usa-se com Metotrexato. Aplica-se diariamente por via subcutânea.
- Sais de Ouro (Aurotioglicose, Aurotiomalato, Auranofina):
- Mecanismo: Inibem a maturação e função de fagócitos mononucleares e linfócitos T, atrasando a reatividade imunitária e a destruição óssea.
- ADME: Oral e IM, boa absorção, 95% ligado a proteínas, VM 7 dias, metabolizado no fígado, eliminado pela urina.
- Indicação: AR sem resposta a outros fármacos.
- Dose: Auranofina 3-6 mg 1-2 vezes ao dia.
- Reações Adversas: Dermatite (estomatite, faringite, colite, gastrite), leucopenia, trombocitopenia.
- Contraindicações: Insuficiências renal e hepática, lactação, tratamento com radiação, alterações hematológicas.
Perguntas Frequentes sobre Farmacologia da Inflamação e da Dor
Qual é a diferença principal entre os AINEs não seletivos e os seletivos da COX-2?
Os AINEs não seletivos inibem tanto a COX-1 quanto a COX-2. Isso lhes confere propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e antipiréticas, mas também podem causar efeitos adversos gastrointestinais (por inibir a COX-1 protetora). Os AINEs seletivos da COX-2, em contrapartida, inibem principalmente a COX-2, reduzindo a inflamação e a dor com um menor risco de dano gástrico, embora alguns tenham sido associados a riscos cardiovasculares.
Por que a retirada de glicocorticoides deve ser gradual?
A retirada dos glicocorticoides deve ser gradual, especialmente após tratamentos crônicos ou com doses altas, para evitar a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal. Uma interrupção abrupta pode levar a uma insuficiência adrenal, já que o corpo deixa de produzir seus próprios glicocorticoides endógenos devido à administração externa dos fármacos.
Qual é o risco de dar aspirina a crianças com varicela ou influenza?
Administrar aspirina a crianças com infecções virais como varicela ou influenza é contraindicado devido ao risco de desenvolver a Síndrome de Reye. Este é um transtorno grave, embora raro, que pode causar dano cerebral e hepático. Nesses casos, prefere-se o uso de paracetamol como antipirético e analgésico.
Como os opioides atuam para aliviar a dor?
Os opioides atuam sobre receptores específicos (principalmente mu e kappa) no sistema nervoso central. A nível espinhal, reduzem a liberação de neurotransmissores da dor ao aumentar o fluxo de cálcio. A nível supraespinhal, inibem os neurônios que conduzem a dor ao aumentar o fluxo de potássio, diminuindo assim a percepção da dor.
O que é a gota e como é tratada farmacologicamente?
A gota é uma doença metabólica caracterizada por altos níveis de ácido úrico que se deposita nas articulações e outros tecidos, causando inflamação e dor. O tratamento farmacológico inclui a colchicina para os ataques agudos de gota, e fármacos como o alopurinol (para reduzir a produção de ácido úrico) ou a probenecida (para aumentar a excreção renal de ácido úrico) para o manejo crônico e a prevenção de futuros ataques. É crucial complementar o tratamento com mudanças na dieta e estilo de vida.