Podcast sobre Melhoramento Genético da Alfafa
Melhoramento Genético da Alfafa: Guia Completo para Estudantes
Podcast
Melhoramento Genético da Alfafa: Do Campo ao DNA
Délka: 27 minut
Kapitoly
O Desafio da Alfafa
Uma Genética Complicada
As Consequências da Tetraploidia
Métodos Tradicionais vs. Biotecnologia
As Ferramentas da Revolução
A Caixa de Ferramentas do Melhorista
Planejando o Sucesso
Selecionando Múltiplos Heróis
A Competição dos Cultivares
O Fator Ambiente
Provas no Mundo Real
Qualidade vs. Segurança
O Problema do Timpanismo
A Solução e a Qualidade
A Ferramenta, Não a Cura
O Problema Invisível no Solo
As Estratégias de Defesa da Planta
Como Identificar as Superplantas
As Fases do Stress Salino
Sinais de Alerta
O Segredo das Sobreviventes
Seleção de Alta Tecnologia
Combatendo os Vilões
Alfafa "Anti-Inchaço"
Adaptação Extrema
A Classificação da Alfafa
Subespécies e Variedades
Resumo Final e Despedida
Přepis
Manuela: Daqui a dez minutos, você vai entender por que o melhoramento genético da alfafa funciona de um jeito completamente diferente do que você aprendeu pra maioria das outras plantas. Existe uma característica única nela que vira o jogo de cabeça pra baixo.
Matheus: E entender essa característica é o segredo pra não errar mais nenhuma questão sobre isso. É a diferença entre uma nota boa e uma nota máxima. Fica com a gente.
Manuela: Você está ouvindo o Studyfi Podcast.
Manuela: Certo, Matheus. Então qual é o grande mistério da alfafa? O que a torna tão... especial?
Matheus: Especial e complicada! A principal razão, Manuela, é que a alfafa é autotetraploide.
Manuela: Autotetra... o quê? Já começou difícil!
Matheus: Calma, é mais simples do que parece. Pensa assim: a maioria dos organismos, como nós, é diploide. Temos dois conjuntos de cromossomos, um do pai e um da mãe, certo?
Manuela: Certo, até aí tudo bem.
Matheus: A alfafa tem quatro conjuntos! Em vez de pares de cromossomos, ela tem quartetos. E isso muda tudo na hora de prever a herança genética.
Manuela: Entendi! Então é como jogar um jogo de cartas com quatro baralhos misturados em vez de dois. A chance de sair uma combinação específica é muito diferente.
Matheus: Exatamente! Essa autotetraploidia tem três consequências diretas que todo estudante precisa saber.
Manuela: Ok, então quais são essas três consequências?
Matheus: Primeira: a variedade total de genótipos só aparece depois de umas duas gerações de cruzamentos livres. Na prática, o melhorista precisa de mais tempo e de mais plantas pra encontrar aquele indivíduo excepcional que ele procura.
Manuela: Faz sentido. Mais combinações possíveis, mais tempo pra elas aparecerem.
Matheus: A segunda é que o equilíbrio genético demora mais pra ser atingido. A população demora mais pra se estabilizar. E a terceira, que é super importante: a alfafa sofre muito com a endogamia, o cruzamento entre parentes.
Manuela: E por que isso é um problema tão grande pra ela?
Matheus: Por causa da genética dela, a perda de vigor é muito rápida. É quase impossível obter 'linhagens puras' como se faz com milho ou soja. Por isso, a estratégia é sempre cruzar plantas que não são parentes pra manter o vigor.
Manuela: Então, com toda essa complicação, como os cientistas melhoravam a alfafa antigamente?
Matheus: Basicamente, com métodos de seleção em massa. O melhorista ia a campo, escolhia as plantas mais bonitas, mais produtivas, mais resistentes, e cruzava elas entre si. O resultado era o que chamamos de 'variedade sintética'.
Manuela: Que é um nome chique pra um 'mix' de plantas boas, né?
Matheus: Exatamente! É um método que funciona, mas é lento e tem limites. E é aqui que a biotecnologia entra pra revolucionar tudo. Lembra do que eu falei no início?
Manuela: Sim! O 'pulo do gato' que os métodos antigos não conseguiam dar.
Matheus: Isso. A biotecnologia nos dá duas ferramentas poderosas: marcadores moleculares e a transformação genética.
Manuela: Marcadores moleculares... soa como um GPS para os genes?
Matheus: É a analogia perfeita! Em vez de só olhar pra planta e torcer pra ter escolhido a melhor, a gente pode olhar direto no DNA dela e ver se ela tem os genes pra resistência a uma doença, por exemplo. Isso se chama seleção assistida. É muito mais rápido e preciso.
Manuela: Uau, isso economiza anos de trabalho! E a outra ferramenta, a transformação genética?
Matheus: Aí é quando a gente vai além. E se a alfafa simplesmente não tem um gene pra resistir a um certo inseto? Com a transgenia, a gente pode pegar esse gene de outra espécie e inseri-lo no genoma da alfafa.
Manuela: Então você cria uma característica que nunca existiu naturalmente naquela planta?
Matheus: Exato! É assim que surgem as alfafas resistentes a herbicidas, a insetos, ou até com maior qualidade nutricional. Superamos a barreira da variabilidade genética que limitava os métodos convencionais.
Manuela: E isso já é uma realidade?
Matheus: Com certeza. O INTA, na Argentina, por exemplo, tem um programa super forte que usa essas técnicas pra criar cultivares de alfafa mais produtivos e resistentes, adaptados pra realidade de lá. Eles combinam o melhor dos dois mundos: a seleção no campo com a precisão do laboratório.
Manuela: Que incrível. Então a autotetraploidia, que era um problemão, hoje é só um desafio que a gente contorna com tecnologia de ponta. O segredo realmente estava no DNA.
Matheus: Exatamente. E agora você sabe por quê.
Manuela: ...e é por isso que entender a base genética é tão crucial. Mas, Matheus, vamos para a prática. Como um cientista realmente começa a... criar uma planta melhor?
Matheus: Ótima pergunta, Manuela. O primeiro passo é ter matéria-prima. Ou seja, variabilidade genética.
Manuela: E onde se encontra essa variabilidade? Numa prateleira de supermercado?
Matheus: Quase isso! O ideal é que ela já exista na própria cultura ou em espécies parentes. Mas se não existir, aí a gente precisa criar.
Manuela: Criar? Como assim? Soa meio... Frankenstein.
Matheus: Não é tão dramático. Antigamente, usavam agentes mutagênicos, mas isso caiu em desuso. Hoje, a biotecnologia é a grande estrela. Falamos de transgênese, edição genética...
Manuela: E o que isso permite na prática?
Matheus: Coisas incríveis! Por exemplo, já temos alfafas transgênicas que toleram herbicidas como o glifosato ou que são resistentes a certos insetos. Estamos até avançando para criar plantas com menos lignina, o que as torna mais digestíveis para os animais.
Manuela: Ok, então o cientista já tem a variabilidade que queria. Qual o próximo passo? É só plantar e cruzar os dedos?
Matheus: Bem que a gente queria que fosse fácil assim. Não, agora vem o planejamento. O melhorista precisa definir o método que vai usar, o tamanho da população, a intensidade da seleção...
Manuela: Parece complicado.
Matheus: Pense nisso como planejar uma viagem. Você precisa saber o destino, quanto dinheiro tem e qual o melhor caminho. Aqui, o "mapa" ideal seria ter informações sobre a herdabilidade das características.
Manuela: Herdabilidade... a chance da característica passar para a próxima geração, certo?
Matheus: Exatamente! O problema é que, na maioria das vezes, essa informação não existe. Então, o melhorista precisa de experiência e... um pouco de intuição. E claro, uma boa infraestrutura, com campo experimental, laboratórios e recursos.
Manuela: Mas geralmente não se melhora só uma coisa, né? Queremos uma planta que seja produtiva E resistente a doenças. Como lidar com múltiplos objetivos?
Matheus: Ah, essa é a ginástica do dia a dia! Existem basicamente três técnicas. A primeira é a seleção por níveis independentes. É como uma gincana: a planta precisa passar pela prova de produtividade, depois pela prova de resistência, e assim por diante. Só os campeões de todas as provas avançam.
Manuela: Entendi. E a segunda?
Matheus: É a seleção em "tandem". Nela, a gente foca em melhorar uma característica por vez. Por algumas gerações, melhoramos só a produtividade. Depois que atingimos um bom nível, começamos a focar na resistência.
Manuela: E a terceira opção?
Matheus: A mais eficiente, geralmente: a seleção por índices. A gente dá uma nota para cada característica importante e cria um índice final, um "score" total. As plantas com as maiores pontuações são selecionadas.
Manuela: Então é como criar um super-herói! Você quer um que tenha força, velocidade e inteligência, não só um que seja super forte mas muito lento.
Matheus: Perfeita analogia! É exatamente isso. Buscamos o equilíbrio para criar a planta mais completa possível.
Manuela: Fantástico! Então já temos a variabilidade e um plano para selecionar nossos "super-heróis". Mas e os vilões? Como a gente lida com as pragas e doenças?
Matheus: Excelente gancho, Manuela. Melhorar a resistência é um dos objetivos mais importantes. E a lógica é parecida, mas com alguns truques específicos...
Manuela: ...e essa é a base genética. Mas vamos ser sinceros, Matheus, a teoria é ótima, mas o que realmente importa é: qual planta vai dar o melhor resultado no campo?
Matheus: Exatamente! É aí que a coisa fica séria. E para responder a isso, temos dados de ensaios reais, como estes da Região Pampeana. Pensa nisso como uma Olimpíada de cultivares de alfafa.
Manuela: Adorei a analogia! Então, olhando a primeira tabela, quem levou o ouro? Vejo aqui uma tal de 'ProINTA Patricia' com números bem altos, tipo 110 toneladas em Marcos Juárez.
Matheus: Isso mesmo! Ela foi uma campeã. E aqui está o porquê isso importa... esses números mostram o potencial genético em ação. Anos de melhoramento para criar uma planta que produz muita forragem de qualidade.
Manuela: Entendi. Mas e a 'Key II', que ficou lá embaixo na lista? Foi azar?
Matheus: Não é bem azar. Pensa assim: nem todo jogador estrela joga bem em qualquer time. Alguns cultivares são mais generalistas, outros são mais específicos. A 'Key II' simplesmente não se adaptou tão bem naquelas condições específicas.
Manuela: Falando em condições, eu notei algo. Parece que todas as plantas produziram mais em Marcos Juárez do que em Anguil, por exemplo. Por que essa diferença tão grande?
Matheus: Ótima observação! Esse é o outro lado da moeda: o ambiente. A genética é só metade da história. O solo, a chuva e o manejo em cada local são diferentes e impactam diretamente a produção.
Manuela: Ah, então não adianta ter a melhor semente do mundo se o terreno não ajuda. É o clássico debate entre natureza e criação, só que para plantas.
Matheus: Exato! Você pode ter um carro de Fórmula 1, mas se a pista for de lama, ele não vai a lugar nenhum. A segunda tabela reforça isso com outros cultivares, mostrando o mesmo padrão.
Manuela: O ponto chave, então, é a combinação certa. Escolher o cultivar certo para o ambiente certo.
Matheus: Precisamente. É essa combinação estratégica que garante o sucesso e a produtividade. Agora, uma vez que você escolheu seu campeão genético, como você prepara o campo para ele brilhar?
Manuela: ...então a teoria por trás da ProINTA Carmina é incrível. Mas, na prática, como sabemos que funciona mesmo? Quero dizer, eles colocaram isso à prova no campo?
Matheus: Com certeza! E os resultados são bem diretos. Fizeram vários ensaios na Estância “La Angelita”. No primeiro, em 2006, eles compararam a Carmina com uma variedade comum.
Manuela: E o que aconteceu?
Matheus: Depois de 100 dias de pastoreio com 100 novilhos, a ProINTA Carmina não só teve menos animais com timpanismo, como também os casos graves foram muito mais raros. É uma grande vitória.
Manuela: Uau, isso já é impressionante! Menos risco para o gado é tudo que um produtor quer.
Matheus: Exato! E no ano seguinte, eles dobraram a aposta. Um ensaio maior, com 250 novilhos. O resultado foi ainda mais claro: o índice de timpanismo na variedade testemunha foi o dobro do registrado na ProINTA Carmina.
Manuela: O dobro! Então ela é tipo a versão “à prova de falhas” da alfafa.
Matheus: Pode-se dizer que sim!
Manuela: Ok, isso responde à questão da segurança. Mas... e a qualidade? Ao tornar as paredes celulares mais resistentes, isso não prejudica a digestibilidade? O gado aproveita menos o alimento?
Matheus: Essa é a pergunta de um milhão de dólares! É como perguntar se um carro mais seguro é, por consequência, mais lento. Para testar isso, eles fizeram outro ensaio, comparando a qualidade da Carmina com outra variedade de ponta.
Manuela: E qual foi o veredito?
Matheus: Em geral, não encontraram diferenças significativas na qualidade. Apenas em um estágio de crescimento específico a Carmina mostrou um pouco mais de fibra e menos proteína, o que já era esperado pelo processo de seleção.
Manuela: Então, o resumo da ópera é: temos uma alfafa muito mais segura, sem sacrificar quase nada da sua qualidade nutricional.
Matheus: Exatamente! É o melhor dos dois mundos. E essa busca pelo equilíbrio perfeito nos leva a pensar sobre o futuro do melhoramento genético de outras culturas...
Manuela: Então, falando em qualidade, não adianta ter uma forragem super produtiva se ela causa problemas para os animais, certo?
Matheus: Exatamente. E um dos grandes vilões é o timpanismo, ou empanturramento. É um problema sério que pode até levar à morte do animal.
Manuela: E existe uma forma de medir isso? O quão grave é o problema?
Matheus: Sim! A Figura 5 do material mostra uma escala de 1 a 5, onde 5 significa que o animal precisou de tratamento ou morreu. Dá pra ver que não é brincadeira.
Manuela: Nossa, que tenso. E como a gente resolve isso?
Matheus: É aí que entra a ciência! Desenvolveram uma nova cultivar chamada ProINTA Carmina, pensando justamente em reduzir esse risco.
Manuela: Ok, então ela é mais segura. Mas... e a qualidade? Ela alimenta tão bem quanto as outras?
Matheus: Ótima pergunta. O Quadro 3 compara a Carmina com outra variedade, a Bárbara. E aqui vem a parte legal... em quase todos os quesitos, como proteína e digestibilidade, elas são estatisticamente iguais.
Manuela: Espera, então a gente tem uma opção mais segura e com a mesma qualidade nutricional?
Matheus: Exato! A única diferença foi um pouquinho mais de fibra em um dos estágios, o que não é um grande problema. É como trocar um pneu de corrida por um pneu de rua... você perde um tiquinho de performance, mas ganha muito em segurança.
Manuela: Adorei a analogia! E o resultado final no timpanismo?
Matheus: Foi um sucesso. A ProINTA Carmina diminuiu a incidência do problema entre 23% e 50%. Isso é gigantesco em uma operação real.
Manuela: Então é a solução definitiva? Adeus timpanismo?
Matheus: Calma, não é uma pílula mágica. Ela ajuda muito, é uma ferramenta incrível, mas não elimina o risco. Pensa nela como um cinto de segurança. Essencial, mas você ainda precisa dirigir com cuidado.
Manuela: Faz todo o sentido. É uma grande ajuda, mas a vigilância continua sendo crucial. Isso mostra a importância do manejo integrado, que é justamente o nosso próximo tópico...
Manuela: E essa questão da adaptação das plantas nos leva a um desafio bem específico, né, Matheus? Um que a gente não vê, mas que está debaixo dos nossos pés: a toxicidade por alumínio no solo.
Matheus: Exatamente, Manuela. E isso é super importante em solos tropicais, que tendem a ser mais ácidos. Pensa assim: pra muitas plantas, o alumínio é como um veneno que ataca a parte mais importante para o seu crescimento inicial... as raízes.
Manuela: E com raízes fracas, a planta não consegue buscar água nem nutrientes. É o começo do fim, basicamente.
Matheus: Isso mesmo. O crescimento fica totalmente comprometido. Então, encontrar plantas que toleram o alumínio não é só um detalhe... é a chave para a agricultura em vastas áreas do planeta.
Manuela: Ok, então como uma planta pode ser “tolerante” a um veneno? Ela desenvolve uma armadura?
Matheus: Quase isso! Existem basicamente duas estratégias geniais. A primeira é a de exclusão. A planta funciona como um segurança de balada.
Manuela: Um segurança? Como assim?
Matheus: A raiz libera substâncias, como ácidos orgânicos, que se ligam ao alumínio ali fora, na terra, e simplesmente dizem: “Você não entra aqui!”. O alumínio é barrado antes mesmo de chegar na célula.
Manuela: Que esperta! E qual é a segunda estratégia?
Matheus: É a tolerância interna. Nesse caso, o segurança falhou e o alumínio entrou na festa. Mas a planta é inteligente... ela acompanha o intruso até uma salinha isolada, a vacúolo, e o tranca lá dentro, onde ele não pode causar problemas.
Manuela: Uau, é uma verdadeira batalha microscópica. Mas... como os cientistas sabem qual planta está usando qual estratégia? Como eles identificam essas campeãs?
Matheus: Ótima pergunta. Existem vários métodos. O mais direto é cultivar as plantas em solo ácido e ver quem sobrevive e cresce melhor. Simples, mas nem sempre preciso.
Manuela: E os métodos mais... de laboratório?
Matheus: Ah, sim! Podemos usar soluções líquidas, tipo hidroponia, com alumínio e medir o crescimento das raízes. E tem um método muito visual que usa um corante chamado hematoxilina.
Manuela: Um corante?
Matheus: Sim! As raízes que absorvem alumínio ficam roxas. As raízes das plantas tolerantes... ficam clarinhas. É um teste rápido e direto pra saber quem está conseguindo se defender.
Manuela: Que incrível! É como revelar uma superpotência com uma tinta mágica.
Matheus: Exato! Cada método tem suas vantagens, mas o objetivo é sempre o mesmo: encontrar os genótipos que vão prosperar onde outros falhariam. E isso nos leva diretamente a como usamos essa informação para criar variedades ainda melhores...
Manuela: E essa capacidade de adaptação é incrível. Mas vamos focar num desafio específico: a salinidade. Como a alfafa lida com o excesso de sal no solo, Matheus?
Matheus: Ótima pergunta, Manuela. É um problema sério. A tolerância da alfafa ao sal muda drasticamente dependendo da sua "idade".
Manuela: "Idade"? Como assim?
Matheus: Pensa nisto em três fases. Primeiro, a germinação. Com muito sal, a semente nem brota direito. Depois vem a fase de plântula, que é super sensível. Uma pequena mudança na concentração de sal pode ser fatal.
Manuela: E a planta adulta? Ela é mais resistente?
Matheus: É sim, mas ainda sofre. É na fase adulta que vemos os maiores impactos na produção. O desafio é que o problema se manifesta de formas diferentes em cada estágio.
Manuela: E quais são os sintomas visíveis? A planta fica com um ar... triste?
Matheus: Basicamente! Com pouco stress, ela só cresce menos. Menos caules, mais curtos. Mas quando o stress aumenta, as folhas mais velhas ganham uma cor verde-azulada estranha e ficam mais suculentas.
Manuela: Que estranho. E no limite?
Matheus: No limite, as bordas das folhas morrem e as folhas mais velhas simplesmente caem. É um sinal claro de que a planta está a desistir da luta.
Manuela: Mas algumas sobrevivem! Qual é o superpoder delas?
Matheus: O superpoder é a "exclusão". As plantas tolerantes são peritas em impedir que o sal chegue às folhas. Elas barram o sódio e o cloro logo na raiz.
Manuela: Então a raiz funciona como um segurança de discoteca?
Matheus: Exatamente! "Tu, sal, não entras!". Além disso, elas produzem substâncias protetoras dentro das células para lidar com o sal que consegue entrar.
Manuela: E como é que os cientistas encontram essas plantas "segurança" mais eficientes?
Matheus: Antigamente, era um processo lento... plantar, esperar, medir. Agora, usamos tecnologia de ponta. Medimos a fluorescência da clorofila ou usamos uma técnica bioelétrica.
Manuela: Bioelétrica? Isso soa a ficção científica.
Matheus: E é quase! Damos pequenos pulsos elétricos e medimos a reação da membrana celular. É super rápido, não destrói a planta e diz-nos na hora se ela é tolerante. É o futuro do melhoramento genético.
Manuela: Incrível como a tecnologia acelera tudo. E falando em melhoramento, isso leva-nos diretamente ao nosso próximo tópico...
Manuela: ...e é por isso que a genética é tão fundamental. Mas, Matheus, falando de forma prática, como os cientistas realmente *melhoram* a alfafa? Não é como se pudessem dar uma injeção de superpoderes na planta, né?
Matheus: Bem que a gente queria! Mas é quase isso. A gente usa técnicas de melhoramento genético para criar plantas mais fortes e produtivas.
Manuela: Melhoramento genético... parece algo saído de um filme de ficção científica.
Matheus: Pense nisso como um treinamento de elite para plantas. Por exemplo, cientistas como Hanson usaram algo chamado "seleção massal dirigida". Eles basicamente escolhem as plantas mais fortes, que resistem a múltiplas pragas, e usam só elas para gerar a próxima geração.
Manuela: Ah, entendi! É a sobrevivência do mais forte, mas com uma ajudinha da ciência.
Matheus: Exatamente! Com o tempo, você cria uma população de alfafa super-resistente. É um processo que conserva as melhores características genéticas, garantindo o seu sucesso na prova.
Manuela: E isso funciona pra outras coisas além de doenças?
Matheus: Sim! Uma das áreas mais fascinantes é a redução de fatores "antiqualitativos".
Manuela: Fatores o quê?
Matheus: Antiqualitativos. Basicamente, substâncias que podem ser ruins para os animais. Um exemplo clássico é o inchaço em bovinos, ou timpanismo, que algumas alfafas podem causar.
Manuela: Nossa, coitadas das vaquinhas! Então os cientistas criaram uma alfafa que não dá gases?
Matheus: Pode-se dizer que sim! Pesquisadores como Howarth descobriram como alterar a planta, seja manipulando taninos ou a estrutura da folha, para que os microrganismos do estômago do boi a digiram de forma mais segura.
Manuela: Incrível! Então, estamos falando de uma alfafa mais forte e mais segura.
Matheus: E mais adaptável! Outros estudos, como os de Hartel e Bouton, focaram em desenvolver alfafa que tolera solos ácidos e com alumínio, que seriam tóxicos para plantas normais. É a planta pronta pra qualquer desafio.
Manuela: Uau. O melhoramento realmente leva a planta a outro nível. O ponto chave aqui é que podemos moldar a alfafa para ser mais produtiva e resiliente.
Matheus: Exato. E essa resiliência tem um impacto direto na produção de alimentos e na economia.
Manuela: Perfeito! Isso nos dá um ótimo gancho para entender a importância econômica, que é nosso próximo ponto...
Manuela: E com isso, chegamos ao nosso último tópico de hoje. Parece que guardamos o mais técnico para o final, hein? Taxonomia e espécies de alfafa.
Matheus: É isso aí! Mas não se assustem. Pensem nisso como a "árvore genealógica" da planta. O nome científico que vocês precisam lembrar é *Medicago sativa*.
Manuela: *Medicago sativa*. Soa quase como um feitiço de um livro de fantasia.
Matheus: É quase isso! E a parte importante é que ela pertence à família Fabaceae. Ou seja, é uma leguminosa, parente do feijão e da soja.
Manuela: Ah, então é por isso que ela é tão boa para o solo, certo? Por fixar nitrogênio.
Matheus: Exatamente! Ser da família Fabaceae é o superpoder dela. É uma informação que conecta vários assuntos e vale ouro na prova.
Manuela: Então, toda alfafa que vemos por aí é *Medicago sativa* e pronto?
Matheus: Boa pergunta! Essa é a espécie principal. Mas dentro dela, temos subespécies. As duas mais famosas são a *sativa*, que é a roxa, e a *falcata*, que tem flores amarelas.
Manuela: E elas são diferentes na prática?
Matheus: Sim, um pouco. A *falcata*, por exemplo, é mais resistente ao frio. E o cruzamento entre elas e outras variedades é o que cria os cultivares modernos que os agricultores usam hoje, adaptados para climas e solos diferentes.
Manuela: Entendi! Então, para resumir tudo... O nome da alfafa é *Medicago sativa*, ela é da família das leguminosas, a Fabaceae, e existem subespécies como a *sativa* e a *falcata*, que deram origem a muitas variedades.
Matheus: Perfeito! Você resumiu tudo. O segredo é conectar o nome à família e entender por que essa família é tão importante na agricultura.
Manuela: É isso aí! Com essa dica final, vocês estão mais do que prontos. Lembrem-se de que todo esse esforço vai valer a pena. Matheus, muito obrigada mais uma vez.
Matheus: Eu que agradeço, Manuela. E para vocês que estão ouvindo, continuem firmes nos estudos. Vocês conseguem!
Manuela: Até a próxima, pessoal! E bons estudos!