Resumo de Manejo do Trabalho de Parto e Parto

Manejo do Trabalho de Parto e Parto: Guia SEO para Estudantes

Introdução

O manejo do trabalho de parto e parto abrange as decisões e as práticas clínicas desde o início das contrações até a dequitação e o cuidado imediato do recém-nascido. Este material sintetiza recomendações baseadas em evidências para a admissão na sala de parto, manejo do primeiro, segundo e terceiro períodos do trabalho de parto, e cuidado neonatal precoce, com ênfase em práticas que favorecem a segurança materno-fetal e a experiência da gestante.

Definição: Trabalho de parto — Período caracterizado por contrações uterinas regulares e dolorosas que produzem modificações cervicais progressivas, desde a dilatação até a dequitação.

1. Fases do trabalho de parto: conceitos-chave

1.1 Fase latente

  • Definição: período inicial com contrações e alterações cervicais, geralmente com dilatação < 5 cm.
  • Manejo recomendado:
    • Oferecer possibilidade de início espontâneo em gestações normais.
    • Oferecer indução entre as semanas 41 e 42 para evitar riscos da gestação prolongada.
    • Não indicar internação na sala de parto durante a fase latente (dilatação ≤ 4 cm) salvo indicação clínica clara.
    • Se for enviada para casa, informar sobre os sinais de alarme, diferença entre contrações de Braxton Hicks e contrações efetivas, e sinais de ruptura de membranas.

Definição: Contrações de Braxton Hicks — contrações uterinas isoladas, não progressivas e habitualmente indolores, que não produzem alterações cervicais significativas.

1.2 Fase ativa (primeiro período ativo)

  • Definição: inicia aos 5 cm de dilatação e finaliza com dilatação completa.
  • Indicações e práticas:
    • Considerar a internação na sala de parto a partir da fase ativa em gestações normoevolutivas.
    • Evitar internação prematura (antes de 5 cm), pois se associa a maior risco de cesariana.
    • Não é necessária a cardiotocografia contínua de rotina em trabalho de parto espontâneo em mulheres saudáveis.
    • Ausculta intermitente da frequência cardíaca fetal a cada 15–30 minutos durante um minuto imediatamente após a contração (com Pinard ou Doppler).
    • Promover micção espontânea na internação.
    • Favorecer a ingestão de líquidos claros e mobilidade/livre adoção de posturas verticais.
    • Toque vaginal: pode-se considerar o toque a cada 4 horas na fase ativa; não é obrigatório.
    • Não realizar amniotomia nem uso rotineiro de ocitocina ou antiespasmódicos para abreviar o trabalho de parto.

Você sabia que a duração do primeiro período do trabalho de parto aumenta com a idade materna e com o índice de massa corporal? Essa prolongação é especialmente notável em mulheres com obesidade.

1.3 Avaliação da duração do trabalho de parto

  • Durações observadas (nulíparas): fase latente $3.7$–$5.9$ horas; fase ativa a partir de 5 cm $3.8$–$4.3$ horas; segundo período $14$–$66$ minutos.
  • Não usar rigidamente o critério de dilatação de $1\ \text{cm}/\text{h}$ para diagnosticar falta de progresso, dada a grande variabilidade individual.

2. Segundo período (expulsivo)

  • Não direcionar o puxo materno de forma rotineira.
  • Em mulheres com analgesia epidural, retardar o início do puxo por 1 a 2 horas se não houver indicação urgente.
  • Não realizar episiotomia de rotina; indicá-la em situações específicas, como períneo curto, apresentação de face/composta/pélvica, distocia de ombros ou necessidade de parto instrumentado. Técnica recomendada: mediolateral e sempre com analgesia adequada.
  • Não aplicar pressão sobre o fundo uterino (manobra de Kristeller).

Definição: Episiotomia mediolateral — incisão no períneo direcionada obliquamente para fora da vagina para ampliar o canal de parto, evitando lacerações graves em certos casos.

3. Terceiro período (dequitação)

  • Recomendações:
    • Clampeamento do cordão pelo menos $60$ segundos após o nascimento em recém-nascidos a termo ou pré-termo que não requerem ventilação com pressão positiva.
    • Considerar o clampeamento imediato se houver descolamento de placenta, placenta prévia, rotura uterina, laceração
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Manejo do trabalho de parto

Klíčové pojmy: Fase latente: dilatação < 5 cm; manejo expectante e educação sobre sinais de alerta, Oferecer indução entre 41–42 semanas em gestações não complicadas, Internar na sala de parto na fase ativa (≥ 5 cm) para gestações com evolução normal, Evitar cardiotocografia contínua em trabalho de parto espontâneo em mulheres saudáveis; usar ausculta intermitente a cada 15–30 min, Promover mobilidade, posturas verticais e líquidos claros durante o trabalho de parto, Não usar amniotomia, ocitocina ou antiespasmódicos de rotina para abreviar o trabalho de parto, Segundo período: não direcionar o puxo rotineiro; episiotomia seletiva e mediolateral quando indicada, Terceiro período: clampeamento do cordão ≥ 60 s se não houver necessidade de ventilação e administrar uterotônicos para prevenir hemorragia pós-parto, Usar tração controlada do cordão para reduzir a perda sanguínea e a necessidade de extração manual, Não revisar manualmente a cavidade uterina nem administrar antibióticos profiláticos após parto não complicado, Comunicação e acompanhamento contínuo melhoram os resultados e a experiência materna, Não empregar o critério rígido de dilatação de $1\ \text{cm}/\text{h}$ para diagnóstico de falta de progressão

## Introdução O manejo do trabalho de parto e parto abrange as decisões e as práticas clínicas desde o início das contrações até a dequitação e o cuidado imediato do recém-nascido. Este material sintetiza recomendações baseadas em evidências para a admissão na sala de parto, manejo do primeiro, segundo e terceiro períodos do trabalho de parto, e cuidado neonatal precoce, com ênfase em práticas que favorecem a segurança materno-fetal e a experiência da gestante. > Definição: Trabalho de parto — Período caracterizado por contrações uterinas regulares e dolorosas que produzem modificações cervicais progressivas, desde a dilatação até a dequitação. ## 1. Fases do trabalho de parto: conceitos-chave ### 1.1 Fase latente - Definição: período inicial com contrações e alterações cervicais, geralmente com dilatação < 5 cm. - Manejo recomendado: - Oferecer possibilidade de início espontâneo em gestações normais. - Oferecer indução entre as semanas 41 e 42 para evitar riscos da gestação prolongada. - Não indicar internação na sala de parto durante a fase latente (dilatação ≤ 4 cm) salvo indicação clínica clara. - Se for enviada para casa, informar sobre os sinais de alarme, diferença entre contrações de Braxton Hicks e contrações efetivas, e sinais de ruptura de membranas. > Definição: Contrações de Braxton Hicks — contrações uterinas isoladas, não progressivas e habitualmente indolores, que não produzem alterações cervicais significativas. ### 1.2 Fase ativa (primeiro período ativo) - Definição: inicia aos 5 cm de dilatação e finaliza com dilatação completa. - Indicações e práticas: - Considerar a internação na sala de parto a partir da fase ativa em gestações normoevolutivas. - Evitar internação prematura (antes de 5 cm), pois se associa a maior risco de cesariana. - Não é necessária a cardiotocografia contínua de rotina em trabalho de parto espontâneo em mulheres saudáveis. - Ausculta intermitente da frequência cardíaca fetal a cada 15–30 minutos durante um minuto imediatamente após a contração (com Pinard ou Doppler). - Promover micção espontânea na internação. - Favorecer a ingestão de líquidos claros e mobilidade/livre adoção de posturas verticais. - Toque vaginal: pode-se considerar o toque a cada 4 horas na fase ativa; não é obrigatório. - Não realizar amniotomia nem uso rotineiro de ocitocina ou antiespasmódicos para abreviar o trabalho de parto. Você sabia que a duração do primeiro período do trabalho de parto aumenta com a idade materna e com o índice de massa corporal? Essa prolongação é especialmente notável em mulheres com obesidade. ### 1.3 Avaliação da duração do trabalho de parto - Durações observadas (nulíparas): fase latente $3.7$–$5.9$ horas; fase ativa a partir de 5 cm $3.8$–$4.3$ horas; segundo período $14$–$66$ minutos. - Não usar rigidamente o critério de dilatação de $1\ \text{cm}/\text{h}$ para diagnosticar falta de progresso, dada a grande variabilidade individual. ## 2. Segundo período (expulsivo) - Não direcionar o puxo materno de forma rotineira. - Em mulheres com analgesia epidural, retardar o início do puxo por 1 a 2 horas se não houver indicação urgente. - Não realizar episiotomia de rotina; indicá-la em situações específicas, como períneo curto, apresentação de face/composta/pélvica, distocia de ombros ou necessidade de parto instrumentado. Técnica recomendada: mediolateral e sempre com analgesia adequada. - Não aplicar pressão sobre o fundo uterino (manobra de Kristeller). > Definição: Episiotomia mediolateral — incisão no períneo direcionada obliquamente para fora da vagina para ampliar o canal de parto, evitando lacerações graves em certos casos. ## 3. Terceiro período (dequitação) - Recomendações: - Clampeamento do cordão pelo menos $60$ segundos após o nascimento em recém-nascidos a termo ou pré-termo que não requerem ventilação com pressão positiva. - Considerar o clampeamento imediato se houver descolamento de placenta, placenta prévia, rotura uterina, laceração