IFRS: Mensuração do Valor Justo e Ativos

Compreenda a IFRS 13 sobre valor justo, IFRS 5 para ativos não circulantes mantidos para venda e IAS 8. Aprenda o impacto em empresas e na regulação financeira. Domine as IFRS hoje!

A mensuração do valor justo e de ativos sob as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS) é um pilar fundamental na contabilidade moderna. Este artigo detalha a IFRS 13 sobre o valor justo, a IFRS 5 para ativos mantidos para venda, a IAS 8 sobre políticas contábeis, e sua aplicação prática, essencial para entender como as empresas apresentam sua posição financeira. É um guia para estudantes que buscam compreender a fundo esses conceitos-chave.

IFRS 13: A Mensuração do Valor Justo em Detalhe

A IFRS 13 foca em como estimar o valor justo, que é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou pago pela transferência de um passivo em uma transação ordenada entre participantes do mercado na data da mensuração. Esta norma é crucial para a função da contabilidade, que é mensurar os fatos econômicos. Sua aplicação pode afetar significativamente a posição financeira de uma empresa, visto que a mensuração de ativos a valor justo influencia diretamente os benefícios econômicos futuros representados por estes.

O Julgamento da Administração e o Valor Justo

O "julgamento da administração" é indispensável na aplicação da IFRS 13. Ele é utilizado ao fazer estimativas e determinar qual informação é confiável e relevante. Embora as estimativas da administração sejam permitidas, estas devem considerar a perspectiva dos participantes do mercado.

Conceitos-Chave da IFRS 13:

  • A IFRS 13 não usa o conceito de valor justo como sinônimo de valor de mercado, mas indica que o mercado deve ser considerado ao estimar tal valor.
  • Apresenta três abordagens principais para determinar o valor justo: a abordagem de mercado, a abordagem de custo e a abordagem de receita.
  • A nova definição de valor justo enfatiza que é um preço de saída.
  • Se um ativo não possui um mercado ativo, a IFRS 13 fornece as diretrizes sobre como estimar seu valor justo, não impedindo sua mensuração.
  • O objetivo final na mensuração do valor justo é estimar o valor de mercado.

IAS 8 e a Seleção de Políticas Contábeis

De acordo com a IAS 8, ao selecionar uma política contábil, uma empresa deve considerar que a escolha seja: confiável (o número pode ser determinado com confiança) e relevante (para a tomada de decisões). Isso assegura que a informação financeira seja útil e represente fielmente a situação da empresa.

IFRS 5: Ativos Não Circulantes Mantidos para Venda

A IFRS 5 estabelece os requisitos para a classificação, mensuração e apresentação dos ativos não circulantes mantidos para venda. Esses ativos são cruciais para a tomada de decisões, pois indicam uma intenção de venda próxima.

Classificação e Mensuração de Ativos para Venda

  • Os ativos não circulantes mantidos para venda são classificados como um item circulante.
  • Se um ativo é classificado para venda (como uma máquina de produção), primeiro ele é mensurado de acordo com sua norma original (ex. IAS 16 para ativo imobilizado) e depois de acordo com a IFRS 5.
  • Um ativo mantido para venda é valorizado pelo menor entre seu valor contábil e seu valor justo (preço de realização) menos os custos de venda.
  • Para que um ativo seja classificado sob a IFRS 5, ele deve estar disponível para venda de forma imediata em sua condição atual.
  • Uma vez classificado para venda, o ativo não é depreciado, pois não está contribuindo para a geração de receitas.
  • A reclassificação de um ativo no ano atual não implica reclassificar o ano anterior, pois a condição de "mantido para venda" não existia no período prévio.
  • As atividades descontinuadas nem sempre geram ativos não circulantes mantidos para venda, pois os ativos poderiam ser usados em outras atividades.
  • Na demonstração do resultado abrangente, as receitas e despesas relacionadas com a atividade descontinuada são apresentadas líquidas (em nota explicativa são apresentadas separadamente).

Exemplo de Reclassificação de um Ativo sob a IFRS 5

Consideremos um ativo não circulante com um valor bruto de $68.000.000 e uma depreciação acumulada de $35.105.000 em 30-09-2021, resultando em um valor líquido de $32.895.000. A depreciação mensal é de $2.500.000.

Em 31-12-2021, a empresa decide classificar o ativo como mantido para venda. Nesta data, o valor justo é de $23.000.000 e as comissões estimadas para a venda são $1.860.000.

Cálculos:

  1. Depreciação adicional (Out-Dez 2021): 3 meses * $2.500.000 = $7.500.000
  2. Valor contábil em 31-12-2021 (antes de reclassificar): $32.895.000 (valor líquido em 30-09-2021) - $7.500.000 (depreciação 3 meses) = $25.395.000
  3. Valor justo menos custos de venda: $23.000.000 - $1.860.000 = $21.140.000
  4. Valor contábil do ativo após reclassificar (menor entre valor contábil e valor justo menos custos de venda): $21.140.000
  5. Ajuste contábil ao reclassificar: $25.395.000 - $21.140.000 = $4.255.000

Este ajuste representa a perda por imparidade ou a redução do valor do ativo para refletir seu valor de venda esperado.

Flashcards

1 / 12

De acordo com a IFRS 5, como são classificados os ativos não circulantes mantidos para venda: como item circulante ou não circulante?

São classificados como um item circulante (mantido para venda).

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Regulamentação Financeira: Bancos, Seguros e Fundos de Investimento

As indústrias de bancos, seguros e fundos de investimento são fortemente reguladas devido ao fato de gerenciarem fundos de terceiros. Esta supervisão busca proteger os investidores e a estabilidade do sistema financeiro. No Chile, a Comissão para o Mercado Financeiro (CMF) desempenha um papel central, juntamente com a Lei Geral de Bancos e o Banco Central do Chile, formando a estrutura institucional dos bancos.

Negócios e Normativa Específica

  • Bancos: Seu negócio principal é a cobrança de juros. Utilizam normas contábeis e instruções específicas emitidas pela CMF (ex. Norma B-1 sobre provisões para risco de crédito, Norma C-1 para demonstrações financeiras anuais, Norma B-3 para créditos contingentes). Em caso de divergência, as normas da CMF prevalecem sobre as IFRS.
  • Companhias de Seguros: Oferecem proteção financeira contra riscos em troca da cobrança de prêmios. Classificam-se em seguros de vida e seguros gerais, devendo ser empresas distintas. Para suas demonstrações financeiras, usam normas e instruções de preparação e apresentação de informações financeiras emitidas pela CMF.
  • Administradoras Gerais de Fundos (AGF): Seu objetivo é a administração de fundos de terceiros, que podem ser públicos ou privados, e se classificam por estratégia (renda fixa, renda variável, mistos). Utilizam IFRS para preparar suas demonstrações financeiras.
  • Fondos de Inversión: Assim como as AGF, utilizam IFRS.
  • AFP (Administradoras de Fundos de Pensões): Regem-se por normas contábeis e instruções específicas da Superintendência de Pensões.

Este panorama demonstra a complexidade e a importância da regulamentação no setor financeiro, onde a aplicação de IFRS e normativas locais coexistem para assegurar a transparência e a solidez.

Perguntas Frequentes (FAQ) sobre IFRS, Valor Justo e Ativos

Por que a IFRS 13 requer o uso do julgamento de valor?

A IFRS 13, ao tratar da estimativa do valor justo, inerentemente requer o julgamento da administração porque implica fazer estimativas e determinar a confiabilidade e relevância da informação, especialmente quando não há um mercado ativo ou para ajustar premissas de mercado.

Um ativo classificado como "mantido para venda" continua sendo depreciado?

Não, um ativo mantido para venda não é depreciado. A lógica é que, ao estar disponível para venda, ele já não contribui para a geração de receitas da empresa através do seu uso, rompendo o princípio da confrontação de receitas e despesas.

O que acontece se houver um conflito entre as IFRS e as normas da CMF para os bancos?

No caso dos bancos regulados pela CMF no Chile, as normas e instruções da CMF têm primazia sobre as IFRS se existir alguma divergência. Isso se deve à necessidade de uma regulamentação específica e mais estrita para o setor bancário que gerencia fundos de terceiros.

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