Procedimentos de Emergência para Tripulação de Cabine

Domine os procedimentos de emergência essenciais para Tripulantes de Cabine. Aprenda sobre evacuações, incêndios, descompressão e equipamentos de segurança. Prepare-se!

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Procedimentos de Emergência para Tripulação de Cabine: Seu Guia Essencial de Segurança Aérea

Ser um Comissário de Voo (CV) implica uma grande responsabilidade, e uma das mais cruciais é dominar os procedimentos de emergência para tripulação de cabine. Esses protocolos são vitais para garantir a segurança de todos a bordo e exigem treinamento constante e atualização sobre os equipamentos e situações de risco. Este artigo oferecerá um resumo completo das emergências mais comuns e como a tripulação de cabine está preparada para enfrentá-las.

Papel do CV e Fundamentos de Segurança em Voo

O CV é um profissional com um Certificado de Competência concedido pela autoridade aeronáutica (como a ANAC no Brasil), que atesta sua aptidão. Sua responsabilidade principal é a segurança dos passageiros. Isso implica conhecer a fundo todos os procedimentos para situações de emergência, mantendo-se instruído e atualizado permanentemente.

Autoridade e Hierarquia a Bordo: Quem Lidera no Ar

É fundamental compreender a estrutura de comando a bordo de uma aeronave para uma resposta coordenada em situações críticas. A autoridade máxima é o piloto em comando ou comandante, que zela pela segurança do voo, da carga e pelo cumprimento das funções da tripulação. A hierarquia estabelecida é:

  1. Piloto em comando
  2. Instrutor (se houver)
  3. Copiloto/Primeiro oficial
  4. Chefe de Cabine/Comissário Chefe
  5. Comissário de Voo

Cabine de Comando e Cabine Estéril: Zonas de Acesso Restrito

A cabine de comando é o coração operacional do avião, com todos os controles vitais. Seu acesso é restrito à tripulação de cabine e pessoas autorizadas pelo comandante em solo. Durante a cabine estéril, desde o fechamento das portas até os 10.000 pés de altitude (e vice-versa), a tripulação de cabine não deve interromper a tripulação de comando, exceto por uma emergência. A comunicação é realizada por interfone, pressionando as teclas EMER CALL/EMERGENCY. As situações que justificam essa interrupção incluem:

  • Fogo/fumaça na cabine
  • Perda de combustível
  • Passageiro disruptivo
  • Ruído estranho ou vibração anormal

Durante a decolagem e o pouso, o CV deve realizar uma Revisão Silenciosa (Silence Review), avaliando variáveis como o tipo de aeroporto, a localização de equipamentos de emergência e os anúncios aos passageiros.

Sinais Luminosos e Avisos: Comunicação Crucial com o Passageiro

A tripulação de cabine utiliza diversos sinais e anúncios para informar os passageiros sobre o estado do voo e as medidas de segurança:

  • Sinal de apertar cintos: Acende por decisão do comandante (taxiamento, decolagem, pouso ou turbulências). O CV deve fazer um anúncio e checar a cabine.
  • Sinal "Retorne ao seu assento": Encontra-se nos lavatórios e acende com o sinal de cintos. É inibido em caso de despressurização.
  • Proibido fumar: Inclui cigarros eletrônicos. É estritamente proibido manipular os detectores de fumaça nos lavatórios.

Cartões de Segurança e Localização Correta da Bagagem de Mão

A informação de segurança é vital para os passageiros:

  • Cartão de segurança: Em cada assento, identifica o tipo de avião, saídas de emergência e dispositivos de flutuação.
  • Cartão de Saída de Emergência: Adicional em assentos de saída, instruindo os passageiros sobre como operar em caso necessário.
  • Cartões em Braille: A tripulação deve dispor deles para passageiros invidentes.
  • Localização da bagagem de mão: Deve ir em compartimentos superiores ou debaixo do assento dianteiro, sem obstruir corredores. Em saídas de emergência, toda a bagagem deve ir em compartimentos superiores.

Operação Normal de Portas e o Armado de Escorregadores

A correta operação de portas é um procedimento crítico que exige consciência situacional. Ao abrir uma porta sem verificar se o escorregador está desarmado, pode-se provocar um acionamento inadvertido. Cada porta tem um CV designado para sua operação, e somente em emergência essa responsabilidade pode ser delegada. Com as portas abertas, sempre deve haver um CV supervisionando.

O armado e desarmado de escorregadores implica ativar ou desativar o escorregador de evacuação. Após o embarque e a ordem do comandante, cada CV designado deve armar seu escorregador, checar os indicadores e reportar ao Chefe de Cabine, que informará o comandante.

O Reabastecimento de Combustível: Precauções em Solo

Durante o reabastecimento de combustível, é indispensável a vigilância da tripulação de cabine. Sempre deve haver tripulantes nas zonas de portas dianteiras, traseiras e saídas de emergência. Se o embarque for realizado por várias portas, utilizam-se escadas como vias de evacuação principais em caso de incêndio. Se o embarque for apenas pela porta dianteira, a traseira deve permanecer aberta com uma escada ou o escorregador armado.

Cabine Liberada: Preparação para Decolagem e Pouso

O procedimento de "Cabine Liberada" assegura que a cabine está pronta para as fases críticas do voo:

  • Antes da decolagem: Após a demonstração de segurança, os CVs checam cintos apertados, bagagem estivada e corredores livres. Informam ao Chefe de Cabine, que por sua vez reporta ao comandante.
  • Antes do pouso: Iniciada a descida (aproximadamente a 10.000 pés), o comandante solicita que a cabine seja assegurada. Realiza-se um anúncio aos passageiros para guardar objetos e apertar cintos. Os CVs verificam e reportam que a cabine está segura para pousar.

Assegurando a Bordo: Os Cintos de Segurança

Os cintos de segurança são essenciais para a proteção de todos a bordo:

  • Cintos de passageiros: De duas correias e fivela metálica, são usados durante taxiamento, decolagem, pouso e quando o sinal de cintos está aceso.
  • Cintos para bebês: Extensões para bebês menores de dois anos que viajam no colo. São entregues para a fase de cruzeiro, mas durante decolagem e pouso, a criança deve ser segurada pelos braços do adulto.
  • Dispositivo de retenção infantil: Assentos com encosto rígido, aprovados pela Autoridade Aeronáutica. Devem ter uma etiqueta de aptidão e ser localizados em assentos de janela, nunca em saídas de emergência.
  • Cintos de tripulação de cabine: Arneses de quatro pontos nos jumpseats, utilizados durante taxiamento, decolagem, pouso e quando o sinal de cintos está aceso, salvo ao realizar checagens de segurança.
  • Cintos de tripulação de comando: Arneses de cinco pontos na cabine de comando, ajustados em todas as fases do voo.

Posição de Decolagem e Pouso do CV: Preparação para o Impacto

Para maximizar a segurança, os CVs adotam uma posição específica:

  1. Sentado o mais próximo possível do encosto.
  2. Cinto de segurança ajustado sobre os quadris e arnês ajustado.
  3. Pés separados e apoiados no chão, afastados do assento, com sapatos baixos.
  4. Mãos sobre as pernas.
  5. CV em jumpseat olhando para frente: queixo tocando o peito.
  6. CV em jumpseat olhando para trás: cabeça apoiada contra o apoio de cabeça.

Sistemas de Oxigênio no Avião: Sua Fonte de Ar em Emergência

O avião conta com vários sistemas de oxigênio para distintas situações:

  1. Oxigênio de emergência para passageiros e tripulação: Necessário em caso de despressurização de cabine até atingir uma altitude segura (<12.000 ft). As máscaras se desdobram automaticamente a ~14.000 ft. Geralmente, há uma máscara extra por fileira de assentos (para bebês) e uma nos lavatórios.
  2. Oxigênio portátil: Transportável para primeiros socorros ou assistência médica.
  • Cilindro de oxigênio: Para assistir passageiros ou tripulantes após uma despressurização ou por outras necessidades médicas.
  • PBE (Protective Breathing Equipment): Equipamento de Proteção Respiratória, máscara antifumaça com óculos e cilindro de oxigênio para combater incêndios.
  1. Oxigênio da cabine de comando/cockpit: Sistema independente para as máscaras da tripulação de comando.

Sistema de Comunicação a Bordo: Conectividade em Todo Momento

Os aviões estão equipados com sistemas de comunicação interna e externa:

  • Interfonia: Para comunicação entre a tripulação de cabine e com a cabine de comando. Há interfones perto de cada saída de emergência para usar em evacuações.
  • Alto-falantes (Public Address - PA): Permitem realizar anúncios aos passageiros da cabine de comando ou das estações de CV. Deve ser audível em toda a cabine, lavatórios e galleys.

Equipamento de Emergência: Conhecendo Suas Ferramentas de Sobrevivência

Os CVs devem conhecer a localização, a checagem pré-voo e o modo de uso de todos os equipamentos de emergência, detalhados no LOPA do avião:

  • ELT (Emergency Locator Transmitter): Rádio transmissor que emite sinais de emergência por 48 horas em frequências internacionais (406, 243 e 121.5 MHZ). Flutua na água. A checagem pré-voo inclui que esteja assegurado, acessível e com cartão de vigência.
  • Extintores de Incêndio: Os mais comuns são de Halon e de Água.
  • Extintor de Halon: Gás que inibe a combustão quimicamente. Para todo tipo de incêndios. Dura 8-10 segundos, alcance 2 metros. Checagem: assegurado, acessível, manômetro na faixa verde, pino inserido, lacre, vigência.
  • Extintor de Água: Somente para incêndios Classe A (sólidos orgânicos). Resfria a combustão. Dura 40 segundos, alcance 2-3 metros. Nunca sobre circuitos elétricos! Checagem: assegurado, acessível, vigência, lacre, alinhado.
  • Luvas de Proteção: Anticalóricas, para manipular objetos a altas temperaturas ou combater incêndio.
  • Machado: Na cabine de comando, com cabo isolante. Para cortar ou remover painéis, anteparos ou fuselagem.
  • Kit para Artigos Perigosos (MAPP): Bolsa de lona com elementos para manipular substâncias perigosas, incluindo luvas, máscaras, óculos, capuz, panos absorventes e algemas flexíveis. Checagem: lacrado e acessível.
  • Kit de Sobrevivência: Associado a balsas ou escorregadores-balsa. Contém água, balde de escoamento, bastões fosforescentes, sinalizadores, espelho de sinais, esponja, inflador, kit farmacêutico, lanterna, marcador de água, remendos, rações alimentícias, apito e toldo.
  • Megafone: Amplificador de som a bateria. Checagem: assegurado, acessível e funcionamento.
  • Oxigênio Portátil: Cilindro de 310 litros com duas saídas (HI-LO) para máscara. Pressão de 1.800 PSI. Checagem: assegurado, acessível, pressão 1800 psi, máscaras conectadas.
  • PBE (Protective Breathing Equipment): Proporciona atmosfera respirável para proteger de fumaça e gases durante o combate de incêndios. Dura pelo menos 15 minutos. Checagem: assegurado, acessível, indicador não rosado.
  • Balsa Adicional: Incorporadas em voos estendidos sobre água ou quando a capacidade dos escorregadores-balsa é insuficiente. São infláveis, reversíveis, de cor amarela, com sistema de autoinflado (15 segundos), kit de sobrevivência, toldo e capacidade para 10-15 pessoas. Pesam entre 20-25 kg. Checagem: se aplicável, que esteja no avião.
  • Colete Luminoso: Com tiras refletivas e inscrição CREW, para ser distinguido em emergências. Checagem: acessível e em seu lugar.
  • Kit de Demonstração: Contém máscara de oxigênio, cartão de segurança, colete salva-vidas, extensões e cinto de segurança para demonstrações. Checagem: no lugar, acessível e completo.
  • Coletes Salva-Vidas: Elementos de flutuação. Amarelos para passageiros, vermelhos para tripulação. Têm câmara de flutuação, luz de localização, alça vermelha para inflado automático e bocal manual. Inflam-se ao sair do avião. Os de adultos podem ser usados em crianças >15kg; os de crianças <15kg. Checagem: nos assentos (passageiros), no lugar (crianças e tripulação), aleatório (adultos).
  • Almofada do Assento como Elemento de Flutuação: Remove-se do assento e tem correias para fixação.

Gerenciamento de Incêndio e Fumaça a Bordo: Protocolos de Atuação

O incêndio a bordo é uma das emergências mais graves e deve ser tratado com a máxima celeridade. A tripulação deve checar constantemente a cabine, lavatórios e galleys (a cada 30 min os lavatórios) para prevenir focos de incêndio, verificando que os detectores não tenham sido manipulados e as tampas das lixeiras estejam fechadas. A fumaça é tóxica e pode ser fatal em segundos.

Composição e Classificação do Incêndio: O incêndio requer combustível, oxigênio e calor. Classifica-se por tipo de combustível:

  • Classe A: Sólidos orgânicos (papel, tecido). Extintor de Água.
  • Classe B: Líquidos inflamáveis (combustíveis). Extintor de Halon.
  • Classe C: Elétricos e gases (painéis, fornos). Extintor de Halon.
  • Classe D: Metais inflamáveis (alumínio). Extintor de Halon.
  • Classe E: Classes B, C e D em compartimentos elétricos.

Métodos de Extinção:

  • Abafamento: Reduzir oxigênio (cobertores, Halon).
  • Resfriamento: Água ou outro líquido não inflamável (café, chá, extintor de água).
  • Remoção do material combustível: Retirar o material.

Procedimento Geral de Extinção:

  1. Identificar tipo e origem do incêndio. Usar PBE e luvas.
  2. Cortar circuitos elétricos (se aplicável).
  3. Atacar com o extintor adequado (Halon para a maioria).
  4. Informar ao comandante (local, severidade, fumaça, ações, extintores).
  5. Mover passageiros da área, instruí-los a respirar na altura dos joelhos (a fumaça sobe) e proteger a boca e o nariz.
  6. Manter vigiado o local e assegurar-se de que não reapareça.

Equipe de Trabalho em um Incêndio (3 CVs):

  • Atacante: Identifica incêndio, corta circuitos, avisa ao informante, se protege, ataca o incêndio, resfria a área se necessário.
  • Informante: Detalha ao comandante (quem, onde, severidade, ações, extintores usados, situação na cabine). Mantém informado.
  • Assistente: Provê equipamento, realoca cilindros de oxigênio, move passageiros, previne que respirem fumaça, assegura que o incêndio não reapareça e resfria.

Situações Específicas de Incêndio:

  • Incêndio em equipamentos elétricos: Cortar suprimento, apagar com Halon, informar à Tripulação de Comando (TC), mover passageiros, vigiar.
  • Incêndio em bagagem/assentos/outros: Mover passageiros, cortar suprimento, abafar com roupa/cobertores ou Halon/líquido não inflamável, informar à TC, vigiar, localizar dono.
  • Incêndio sobre uma pessoa: Envolver com cobertor para abafar. Prestar primeiros socorros.
  • Fumaça na cabine em voo: Informar ao capitão, desobstruir área, cobrir nariz/boca, ordenar aos passageiros cobrir nariz/boca e respirar na altura dos joelhos.
  • Torching (Motor/APU): Chama temporária. Não costuma exigir evacuação. Calmar e tranquilizar os passageiros.
  • Alarme de detector de fumaça no lavatório: Informar ao comandante, verificar lavatório (ocupado/desocupado), comprovar calor na porta, atacar com extintor. Se houver calor/fumaça, proteger-se com PBE/luvas, abrir porta, descarregar Halon, fechar, esperar, reentrar, localizar foco, descarregar mais se necessário. Sem calor/fumaça, entrar com precaução, verificar motivo, informar.
  • Incêndio em forno: NÃO ABRIR A PORTA (intensifica o incêndio). Cortar circuit breakers, informar à TC. Se persistir, proteger-se, abrir a porta suavemente o suficiente para introduzir o bico do extintor, descarregar, fechar, vigiar.
  • Incêndio em lixeira: Apagar com Halon, água ou líquido não inflamável, fechar tampa, informar à TC, vigiar.
  • Incêndio/fumaça em painel/OHB/compartimento galley: Mover passageiros, verificar temperatura, cortar suprimento (se aplicável), usar PBE, abrir pouco o OHB, inserir bico do Halon, descarregar, esperar, reverificar, descarregar Halon se persistir, encharcar com água (exceto elétricos), informar à TC, vigiar.

Despressurização em Cabine: A Perda de Pressurização

É a perda de pressão da cabine, rápida ou lenta, por danos estruturais ou falha do sistema. O Tempo Útil de Consciência (TUC) é crítico e varia com a altitude.

  • Despressurização rápida/explosiva: TC anuncia "TRIPULAÇÃO DESCIDA DE EMERGÊNCIA", acende cintos. CVs: Usar máscara, assegurar-se em jumpseat/assento, ordenar uso de máscara/cinto (PA ou viva voz), pedir ajuda para carros. TC anunciará "TRIPULAÇÃO, ALTITUDE SEGURA".
  • Despressurização lenta: Avaliar, informar ao comandante, desobstruir área (4 fileiras), ordenar uso de cinto.

Incapacitação de um Tripulante de Comando: Quando um Piloto não Pode Voar

É a redução da aptidão de um tripulante para cumprir sua tarefa. Pode ser súbita ou gradual. Se ocorrer em solo, o piloto em funções decide. Se for em voo, especialmente em fases críticas, o piloto em funções requererá assistência do CV para atender ao afetado e ajudar na cabine de comando.

Acesso de Emergência à Cabine de Comando: Se a tripulação de cabine chamar reiteradamente sem resposta (suspeita de incapacitação de ambos os pilotos), digita-se uma chave no key pad. A porta se destranca por 5 segundos.

Turbulência: Navegando os Movimentos do Ar

Existem três tipos de turbulência: leve, moderada e severa. Os CVs devem realizar checagens de cabine e galleys para evitar objetos soltos. Se prevista, o comandante acenderá o sinal de cintos e informará a tripulação.

Procedimentos de Evacuação: A Saída Segura

Uma emergência é uma situação que requer ação rápida, precisa e eficiente para proteger vidas. O comandante tem a faculdade de tomar decisões imediatas para a segurança do voo. As emergências podem ocorrer em qualquer fase.

  • Prioridades ante uma emergência (SOS):
  • Sobreviver ao impacto: Uso de cinto e posição de impacto.
  • Ordem de evacuação: Sob ordem da TC, CV executa.
  • Sobreviver fora: Afastar-se do avião e reunir passageiros.

Evacuação Iminente (Sem Ordem do Comandante): Em caso de perigo iminente com risco de vida e impossibilidade de comunicar-se com a cabine de comando (avião parado e motores desligados), qualquer CV pode iniciar uma evacuação. Isso inclui fumaça considerável, incêndio importante, ruptura da fuselagem ou avião na água.

Evacuação em Solo (Aeronave Parada, Motores Desligados):

  1. Aplicar procedimento de abertura de saída de emergência (checar condições exteriores, abrir porta, verificar saída habilitada).
  2. Iniciar evacuação com comandos: "SOLTEM CINTOS... SAIAM... POR AQUI... AJUDEM EMBAIXO (ABP)".
  3. Levar megafone e outros equipamentos se disponível.
  4. Comprovar saída de passageiros e TC.
  5. Abandonar o avião, reunir passageiros e afastar-se a distância segura.

Evacuação na Água (Aeronave Parada):

  1. Aplicar procedimento de abertura de saída de emergência.
  2. Comandos: "SOLTEM CINTOS... PEGUEM A ALMOFADA DO ASSENTO... COLOQUEM O COLETE SALVA-VIDAS... SAIAM POR AQUI... INFLEM O COLETE".
  3. Usar colete salva-vidas.
  4. Levar ou delegar outros equipamentos.
  5. Comprovar saída de passageiros e TC.
  6. Abandonar o avião, inflar colete, reunir passageiros, resgatar pessoas à deriva.

Posição de Contenção: Um CV ou ABP detém o fluxo de passageiros na saída indicando com a mão "PARE - STOP".

Preparação de Cabine para uma Evacuação Planejada

Quando o comandante decide uma preparação de cabine, informa ao Chefe de Serviço de Bordo (CSB), que instrui a tripulação. O objetivo é preparar os passageiros e assegurar a cabine para um pouso forçado ou amaragem.

  1. PASSO 1 (TESTI T): O comandante informa ao CSB com os dados chave: Tipo de emergência, Evacuação (se necessária), Sinal de evacuação (quem e quando), Tempo disponível, Informações adicionais.
  2. PASSO 2 (FRASEOLOGIA): O CSB anuncia por PA, instruindo passageiros a retornar aos assentos, guardar bagagem, desligar eletrônicos, endireitar encostos, guardar mesas, ajustar cintos, adotar posição de proteção, remover objetos pontiagudos. Em amaragem, instrui-se sobre coletes salva-vidas. A iluminação de cabine é ajustada. O CSB e CVs em galley colocam o colete salva-vidas antes da fraseologia.
  3. PASSO 3 (ABP - Available Body Person): O CSB solicita que se identifiquem pessoas (pessoal de companhia aérea, militares, bombeiros) para ajudar a abrir portas ou assistir embaixo do avião.
  4. PASSO 4 (CABINE): A tripulação checa que a cabine e galleys estejam livres de obstáculos, trava trolleys e gabinetes. Assiste a Menores Desacompanhados (UM).
  5. PASSO 5 (AVISOS PRÓXIMOS AO POUSO): A ~2.000 pés (~2 min antes), o comandante anuncia "TRIPULAÇÃO, PRÓXIMOS AO POUSO/AMARAGEM". Os CVs diminuem a iluminação e se asseguram em seus jumpseats. Os CVs responsáveis reportam "CABINE PREPARADA" ao CSB, que reporta ao comandante.
  6. PASSO 6 (BRACE FOR IMPACT): A ~500 pés (~30 seg antes), a TC anuncia "BRACE FOR IMPACT". O CSB repete por PA "PROTÉJA-SE... PROTÉJA-SE...". Toda a tripulação grita a ordem e assume a posição de proteção até que o avião se detenha.
  7. PASSO 7 (APÓS O IMPACTO): O comandante indica se é necessária a evacuação ("TRIPULAÇÃO EVACUAÇÃO...") e aciona o EVAC CMD se disponível.

Instrução aos ABP: Selecionam-se dois ABP por porta e um por setor alar, realocando-os perto das saídas. São instruídos para assistir na abertura de portas e em amaragem, também na remoção, traslado e inflado de balsas auxiliares.

Saídas de Emergência Inoperantes/Bloqueadas: Se uma saída está bloqueada por incêndio, fumaça, obstáculos, água, etc., redireciona-se os passageiros com o comando: "SAÍDA BLOQUEADA... POR LÁ".

Em resumo, os procedimentos de emergência são a espinha dorsal da segurança aérea, e cada CV é treinado para reagir com eficácia e profissionalismo diante de qualquer situação inesperada. A preparação constante e o conhecimento exaustivo desses protocolos são a chave para proteger vidas no ar.

Perguntas Frequentes sobre Procedimentos de Emergência Aérea

O que é a cabine estéril e por que é tão importante na segurança aérea?

A cabine estéril é um período crítico durante a decolagem (desde o fechamento das portas até os 10.000 pés) e o pouso (desde os 10.000 pés até a abertura das portas) em que a tripulação de cabine não deve interromper a tripulação de comando, exceto em caso de uma emergência real. Sua importância reside em permitir que os pilotos se concentrem completamente nas fases mais exigentes do voo, reduzindo distrações que poderiam comprometer a segurança. As interrupções só são permitidas por situações como incêndio, fumaça ou passageiros disruptivos.

Quais são os passos chave em uma evacuação planejada de um avião?

Uma evacuação planejada segue vários passos essenciais, frequentemente resumidos no acrônimo TESTI (Tipo de emergência, Evacuação, Sinal, Tempo, Informações adicionais) que o comandante comunica ao Chefe de Cabine. Em seguida, instrui-se os passageiros mediante anúncios detalhados e demonstrações de segurança, assegura-se a cabine, recruta-se pessoas de apoio (ABP) e prepara-se para o impacto com a ordem "¡Protéja-se!". Após o impacto, a tripulação executa a evacuação seguindo as ordens do comandante ou por perigo iminente.

Como se combate um incêndio na cabine de um avião?

O combate a um incêndio na cabine de um avião requer uma resposta rápida e coordenada. O procedimento geral inclui identificar o tipo de incêndio e sua origem, usar o Equipamento Respiratório de Proteção (PBE) e luvas, cortar os circuitos elétricos se possível, atacar o incêndio com o extintor adequado (Halon para a maioria, Água para sólidos), informar imediatamente ao comandante com detalhes, realocar os passageiros longe da área afetada e assegurar-se de que o incêndio esteja completamente extinto e não reapareça. Trabalha-se em equipe com papéis específicos de atacante, informante e assistente.

O que ocorre se um piloto se incapacita durante o voo?

A incapacitação de um tripulante de comando em voo é uma situação grave. O piloto em funções assumirá o controle total da aeronave. A tripulação de cabine será requerida para assistir o piloto em funções, tanto na atenção do tripulante incapacitado quanto em qualquer apoio necessário dentro da cabine de comando. Se ambos os pilotos se incapacitarem e não responderem, a tripulação de cabine tem um procedimento de acesso de emergência à cabine de comando mediante uma chave para abrir a porta e assumir o controle se necessário.

Para que se utilizam os coletes salva-vidas e as almofadas dos assentos em uma emergência aquática?

Os coletes salva-vidas são elementos de flutuação individuais, geralmente amarelos para passageiros e vermelhos para a tripulação, que se inflam ao sair do avião (puxando uma alça vermelha ou soprando). Contam com uma luz de localização que se ativa com a água. As almofadas dos assentos também podem ser utilizadas como elementos de flutuação em uma emergência aquática, já que são projetadas para se desprenderem facilmente e têm correias de fixação, proporcionando uma flutuabilidade adicional em caso de amaragem. São utilizadas após a ordem da tripulação em uma evacuação na água.

Flashcards

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Onde os equipamentos de emergência devem ser localizados antes do voo (verificação pré-voo)?

No local designado, normalmente junto aos equipamentos de combate a incêndio (extintores e PBE); devem estar selados e acessíveis no local designado.

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