Podcast sobre Marcadores Moleculares e Plantas Transgênicas

Marcadores Moleculares e Plantas Transgênicas: Guia Completo

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Marcadores Moleculares e Plantas Transgênicas0:00 / 25:17
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AlbaE tudo isso com ervilhas! É incrível pensar que um monge num jardim lançou as bases da genética moderna!
LucasTotalmente. E não com poucas, mas com quase 28.000 plantas! Uma dedicação impressionante.

Marcadores Moleculares e Plantas Transgênicas

Délka: 25 minut

Přepis

Alba: E tudo isso com ervilhas! É incrível pensar que um monge num jardim lançou as bases da genética moderna!

Lucas: Totalmente. E não com poucas, mas com quase 28.000 plantas! Uma dedicação impressionante.

Alba: Para quem acabou de sintonizar, vocês estão ouvindo o Studyfi Podcast. Hoje, com o Lucas, vamos desvendar o melhoramento genético. Lucas, nos leva pro começo, com Gregor Mendel.

Lucas: Claro! Mendel passou oito anos estudando plantas de ervilha. O legal foi que ele escolheu características muito claras, como plantas altas ou baixas, ou sementes lisas ou rugosas. Não havia ambiguidade.

Alba: E daí saíram as famosas leis dele, né? Você pode resumir pra gente de forma simples?

Lucas: Com certeza. A primeira é a Lei da Uniformidade. Se você cruza dois indivíduos de raça pura com características opostas, como uma planta alta e uma baixa, todos os 'filhos' deles na primeira geração serão iguais.

Alba: Ok, todos híbridos idênticos. E a segunda?

Lucas: É a Lei da Segregação. Ela sugere que aqueles traços que pareciam ter desaparecido, como o da planta baixa, não se perderam. Eles estavam simplesmente ocultos e podem reaparecer na geração seguinte.

Alba: Entendi. Os traços não se fundem pra sempre!

Lucas: Exato! E a terceira é a Lei da Transmissão Independente. Basicamente, ela diz que características diferentes, como a cor e a altura, são herdadas separadamente. A cor da flor não afeta a altura da planta.

Alba: E essas leis são a base de tudo. Então, o que é exatamente o melhoramento genético?

Lucas: É um ramo da agricultura que manipula a herança genética das plantas para criar variedades novas e melhores. Pensa nisso como uma aceleração da evolução, mas guiada por nós, aplicando as leis de Mendel.

Alba: Quando se aplica a plantas, se chama fitomelhoramento, certo?

Lucas: Correto. E tudo começou com uma técnica que o Mendel usava: a emasculação. Consiste em tirar os estames de uma flor para poder polinizá-la manualmente com o pólen de outra planta que você escolher.

Alba: Parece um trabalho bem delicado. E como isso evoluiu?

Lucas: Bom, além da hibridização clássica, existem outras técnicas. A mutagênese, por exemplo, onde se usam agentes químicos ou físicos para induzir mudanças no DNA e ver se sai algo interessante.

Alba: E depois tem as 'New Breeding Techniques' ou NBTs. O que as torna diferentes?

Lucas: Essas técnicas são muito mais precisas. Elas permitem editar, silenciar ou inserir genes específicos. O ponto chave aqui é a cisgenia e a intragênese.

Alba: Espera aí, essas palavras parecem complicadas.

Lucas: Eu simplifico pra você. A transgênese, que é a mais conhecida, usa genes de uma espécie não compatível, como colocar um gene de bactéria numa planta. Já a cisgenia usa genes da mesma espécie.

Alba: Ah, então é como mover um gene de uma variedade de maçã pra outra, em vez de trazer de um peixe, por exemplo.

Lucas: Exatamente! Por isso o resultado final é indistinguível de algo que você poderia obter com cruzamentos tradicionais, só que muito mais rápido e preciso. Com isso podemos nos preparar para o próximo tema.

Alba: E falando em manipular o DNA, isso nos leva diretamente aos marcadores moleculares. Parece super técnico, Lucas.

Lucas: Parece mais complicado do que é, Alba. Pensa assim: um marcador molecular é como um ponto de referência num cromossomo. Um sinal no mapa genético.

Alba: Tipo um 'você está aqui' no mapa de um shopping?

Lucas: Exatamente! E esse sinal pode ser um gene, ou simplesmente uma sequência de DNA que a gente sabe onde está. Nos ajuda a nos orientar.

Alba: Ok, gostei dessa analogia. Então, como a gente encontra esses sinais num trecho de DNA que é longuíssimo?

Lucas: A gente usa várias ferramentas. As principais são a famosa PCR, ou Reação em Cadeia da Polimerase, pra fazer muitas cópias. Também usamos enzimas de restrição, que são como tesouras moleculares que cortam o DNA em lugares específicos.

Alba: Tesouras moleculares... genial! E uma vez que a gente corta o DNA, o que vem depois?

Lucas: A gente separa os pedaços por tamanho usando algo chamado eletroforese. E pra torná-los visíveis, usamos sondas marcadas que se ligam à sequência que a gente procura. É um kit de ferramentas bem completo.

Alba: Entendi. Então, todos os marcadores são detectados da mesma forma?

Lucas: Boa pergunta. Na verdade, a gente pode classificá-los em dois grandes grupos. Por um lado, estão os que se baseiam na hibridização do DNA. E por outro, os que se baseiam na amplificação, ou seja, na PCR.

Alba: Hibridização? O que é isso exatamente?

Lucas: Aqui vem a parte interessante! A hibridização é como pescar. Imagina que você quer encontrar um gene específico num mar de DNA.

Alba: Ok, estou visualizando um gene com uma vara de pescar.

Lucas: Quase! O que a gente faz é projetar um fragmento de DNA complementar a esse gene, que seria o nosso anzol. A esse anzol a gente chama de 'sonda'.

Alba: E eu suponho que essa sonda se liga só ao gene que nos interessa.

Lucas: Exato! Ela o 'pesca'. Pra que isso funcione, a gente precisa conhecer pelo menos uma parte da sequência do gene que a gente procura. Assim a gente consegue projetar o anzol perfeito.

Alba: Fascinante. E que técnicas usam esse método de 'pesca molecular'?

Lucas: Duas das clássicas são RFLP e VNTR. Vamos começar com RFLP, que significa Polimorfismo no Comprimento dos Fragmentos de Restrição. Um nome longuíssimo.

Alba: Com certeza. Como funciona em palavras simples?

Lucas: Com RFLP, a gente corta o DNA de dois indivíduos com as mesmas 'tesouras' moleculares. Se houver uma pequena diferença na sequência de DNA deles, as tesouras vão cortar em lugares diferentes.

Alba: Ah, e isso vai criar fragmentos de tamanhos diferentes!

Lucas: Precisamente! E essas diferenças, esses padrões de corte únicos, são os que a gente detecta. É como uma impressão digital genética. A outra técnica, VNTR, é similar, mas se foca em sequências que se repetem em tandem.

Alba: Em tandem? Tipo numa bicicleta?

Lucas: Algo assim. São sequências curtas de DNA que estão uma atrás da outra, repetidas várias vezes. O número de repetições varia muito entre pessoas, e isso também nos dá uma impressão genética única.

Alba: Incrível. Então, essas técnicas de hibridização são muito potentes, mas me parecem que levam tempo.

Lucas: Levam tempo, sim. Por isso, hoje em dia, as técnicas baseadas em PCR ganharam muito terreno. São mais rápidas e sensíveis, mas delas podemos falar a seguir.

Alba: ...então, essas impressões de DNA são super específicas, mas podem ser complexas. Existem métodos mais... diretos?

Lucas: Absolutamente! E isso nos leva aos marcadores baseados na amplificação de DNA. Aqui a estrela do show é a PCR, a Reação em Cadeia da Polimerase.

Alba: Ah, a famosa PCR. Basicamente, é como uma fotocopiadora para o DNA, né?

Lucas: Exato! É uma fotocopiadora molecular. E dentro desse grupo, a gente tem vários marcadores, mas vamos começar com um bem popular: os RAPD.

Alba: RAPD... parece música.

Lucas: Pode ser. Significa 'Amplificação Aleatória de DNA Polimórfico'. A chave aqui é 'aleatória'.

Alba: Aleatória? Como isso funciona?

Lucas: A gente usa iniciadores ou 'primers' bem curtos, de uns 10 a 12 nucleotídeos. E o legal é que a gente não precisa saber nada da sequência do genoma da planta que estamos estudando.

Alba: Ou seja, a gente simplesmente adiciona e vê o que acontece?

Lucas: Exatamente isso! Os primers se ligam ao acaso no genoma e a PCR copia os fragmentos que ficam no meio. É um pouco como pescar com uma rede de malha aleatória, você nunca sabe o que vai tirar!

Alba: Parece rápido e econômico. Essa deve ser uma grande vantagem.

Lucas: É. Você não precisa de conhecimento prévio do genoma, o ensaio é simples e você obtém um monte de marcadores por todo o genoma. Mas... tem o seu lado obscuro.

Alba: Sempre tem um 'mas'.

Lucas: O grande 'mas' é a reprodutibilidade. Por ser uma amplificação aleatória, uma pequena mudança nas condições do laboratório pode mudar os resultados. Além disso, são marcadores dominantes.

Alba: Dominantes? O que isso significa nesse contexto?

Lucas: Significa que a gente só consegue ver a presença de uma banda, mas não consegue distinguir um homozigoto de um heterozigoto. A gente perde um pouco de informação genética.

Alba: Então, se a gente vê diferenças nas bandas entre duas plantas, a que se deve?

Lucas: Pode ser por várias coisas. Talvez uma mutação impediu que o primer se ligasse, ou uma inserção ou deleção fez o fragmento mais longo ou mais curto. Inclusive uma mutação poderia criar um novo sítio para o primer se ligar!

Alba: Entendi. E pra que são usados principalmente, com essas vantagens e desvantagens em mente?

Lucas: Eles são fantásticos para a identificação genética de indivíduos. Por exemplo, para diferenciar clones ou híbridos. Já foram usados para estudar a diversidade genética em programas de melhoramento, como na palma de óleo ou em melancias.

Alba: Ah, claro! Pra ver o quão aparentadas estão essas 42 variedades de melancia e procurar as que têm resistência a doenças.

Lucas: Exatamente. Ele te dá um mapa geral da diversidade genética de forma muito rápida. É uma ferramenta poderosa para uma primeira avaliação.

Alba: Então, pra resumir: os RAPD são como um panorama rápido e econômico da diversidade genética, embora às vezes um pouco imprecisos. Me parece uma ferramenta genial pra começar.

Lucas: É. Mas se a gente precisa de mais precisão e reprodutibilidade, a gente tem que olhar outros marcadores. E falando nisso, tem uns baseados em enzimas que são fascinantes... as isoenzimas.

Alba: Que incrível! E falando em modificar plantas... como a gente faz pra que elas se tornem essas... biofábricas?

Lucas: Ótima pergunta! Existem várias formas, mas uma das mais engenhosas usa vírus vegetais. Sim, vírus!

Alba: A gente usa um vírus pra que a planta produza algo que a gente quer? Como isso funciona?

Lucas: Pensa assim: a gente pega o genoma de um vírus que infecta plantas e tira as partes que não são essenciais. Nesse buraco, a gente insere as instruções pra fabricar, por exemplo, uma proteína farmacêutica.

Alba: Ou seja, a gente 'hackeia' o vírus pra que ele trabalhe pra gente?

Lucas: Exato! Depois, a gente simplesmente infecta a planta com esse vírus modificado. A planta, em vez de replicar o vírus original, começa a produzir massivamente a molécula que nos interessa.

Alba: Parece quase fácil demais. Tem alguma limitação?

Lucas: Sim, claro. A gente depende muito de conhecer bem o vírus e de que plantas ele pode infectar. Isso tem limitado um pouco o uso em larga escala por enquanto.

Alba: Mas mesmo assim, que tipo de coisas já foram produzidas com essas técnicas?

Lucas: De tudo! Por exemplo, em sementes de tabaco já foi produzido o fator estimulante de granulócitos, uma proteína que ajuda pacientes com um número baixo de glóbulos brancos.

Alba: Uau, isso é salvar vidas literalmente com plantas.

Lucas: Totalmente. Também já foi produzido o fator de crescimento epidérmico, que ajuda a reparar tecidos. Mas aqui vem o surpreendente... nem tudo são remédios.

Alba: O que você quer dizer?

Lucas: Que as mesmas técnicas são usadas para produzir enzimas industriais. As que são usadas pra tratar seus jeans, nos detergentes pra roupa ou pra clarificar sucos de fruta.

Alba: Não acredito! Então tem plantas fabricando ingredientes pro meu detergente?

Lucas: É isso mesmo! E são mais baratas de produzir, não precisam de refrigeração e o processo é muito mais simples que o tradicional com microrganismos. É uma revolução silenciosa.

Alba: Isso é fascinante. O que mais está sendo feito? Plásticos talvez?

Lucas: Você acertou em cheio! Está sendo trabalhado na produção de biopolímeros, como o PHA, em plantas. Imagina colher plástico que cresce usando só luz solar.

Alba: Seria a solução ideal. Mas imagino que não seja tão simples.

Lucas: Não, o desafio é fazer com que a planta produza o polímero sem afetar o próprio crescimento dela. Está sendo conseguido, por exemplo, que ela os produza nos cloroplastos, onde tem a matéria-prima necessária.

Alba: E pra terminar... ouvi algo que parece ficção científica: vacinas comestíveis?

Lucas: É o próximo grande passo! Produzir vacinas em plantas é incrivelmente barato e seguro. Além disso, se você as produz numa banana ou num tomate, você pode comer.

Alba: Adeus, injeções!

Lucas: Exato! Elimina a necessidade de seringas, pessoal de saúde e a cara cadeia de frio pra transportá-las. Já está sendo pesquisado com a vacina da Hepatite B em tomates e bananas.

Alba: ...então, essa é a base da engenharia genética. Mas vamos levar isso pro campo, literalmente. Lucas, o que é exatamente uma planta transgênica?

Lucas: Ótima pergunta! É mais simples do que parece. Uma planta transgênica é uma à qual a gente adicionou um gene de interesse de forma artificial. E aqui vem o interessante: esse gene pode vir de outra planta, de um animal, ou até de uma bactéria!

Alba: Ou seja, a gente pode dar superpoderes de uma bactéria pra um milho?

Lucas: Exatamente! Não é uma capa, mas quase. Pensa nisso como dar uma nova instrução à planta que ela não tinha antes.

Alba: Ok, entendi. E quais foram os primeiros... 'experimentos' com isso?

Lucas: Bom, a primeira geração de plantas transgênicas se concentrou na agronomia. O objetivo era aumentar o rendimento e facilitar o trabalho do agricultor.

Alba: Como, por exemplo?

Lucas: Dois exemplos clássicos: a tolerância a herbicidas e a resistência a insetos. Foi introduzido um gene de uma bactéria na soja pra que ela pudesse sobreviver a um herbicida que mata as ervas daninhas.

Alba: Inteligente! Você mata a erva daninha, mas não a sua lavoura.

Lucas: Exato. E depois tem o famoso Milho Bt. Foi adicionado um gene da bactéria *Bacillus thuringiensis*.

Alba: O famoso Bt? O que ele faz?

Lucas: Ele produz uma proteína que é tóxica para certas larvas de insetos. Quando o inseto morde a planta, a proteína perfura o sistema digestivo dele. É como um guarda-costas microscópico para o milho.

Alba: Que brutal! Uma morte bem gráfica pra um inseto. Adorei. Também lembro de ter ouvido falar de um tomate que não estragava tão rápido.

Lucas: O tomate Flavr Savr! Um dos pioneiros. Foi silenciado um gene pra atrasar a maturação. Foi incrível, embora comercialmente não tenha tido tanto sucesso.

Alba: Então, a primeira onda foi pra ajudar os agricultores. O que veio depois?

Lucas: A segunda e terceira geração se focaram na qualidade. Já não se tratava só de produzir mais, mas de produzir *melhor*.

Alba: Melhor em que sentido? Mais saboroso?

Lucas: Às vezes, mas sobretudo mais nutritivo ou com propriedades especiais. O caso mais famoso é o 'arroz dourado'.

Alba: Arroz dourado? Parece coisa de conto de fadas.

Lucas: Quase. É um arroz modificado pra produzir provitamina A. Isso é crucial em países onde a deficiência dessa vitamina causa cegueira infantil.

Alba: Uau, isso sim que é uma virada de jogo. A gente passa de matar insetos pra prevenir doenças.

Lucas: Totalmente. Também se trabalha em plantas que possam produzir vacinas, enzimas ou cosméticos de forma mais eficiente e barata.

Alba: Incrível. Então, a gente viu como são criados e pra que servem... mas tudo isso gera muito debate. O quão seguros são esses cultivos? Vamos falar da biossegurança.

Alba: Entendi. Mas então, qual é o objetivo final? Por que a gente quer modificar uma planta em primeiro lugar?

Lucas: Essa é a pergunta chave! O melhoramento genético busca coisas muito específicas. Às vezes, pra ajudar os agricultores com plantas mais resistentes a pragas ou à seca.

Alba: Claro, pra que tenha melhores colheitas. Faz sentido.

Lucas: Exato. Mas também buscamos benefícios pra nós, os consumidores. Como melhorar o sabor, a cor ou até a composição nutricional dos alimentos.

Alba: Tipo adicionar mais vitaminas?

Lucas: Justamente. Pensa em alimentos com mais proteínas, ou com vitaminas que normalmente não teriam. E não é só comida... também são usados pra produzir fármacos ou até biocombustíveis.

Alba: Uau, então as aplicações são enormes. Vai muito além da minha salada.

Lucas: Totalmente. Da agricultura até a farmácia.

Alba: Ok, e como se faz? Como a gente coloca um gene numa célula vegetal? Parece ficção científica.

Lucas: Bom, primeiro você precisa de um bom protocolo de cultura de tecidos. É a base de tudo. Você tem que conseguir regenerar uma planta completa a partir de poucas células.

Alba: É como a tela antes de começar a pintar.

Lucas: Exato! Uma vez que você tem isso, existem dois grandes caminhos. Usar vetores biológicos, como uma bactéria que faz o trabalho pra você, ou métodos de transferência direta.

Alba: Transferência direta? O que é isso, um envio por correio genético?

Lucas: Algo assim! Um dos mais famosos é a biobalística. Basicamente, é uma 'pistola de genes'.

Alba: Espera aí, uma pistola? De verdade?

Lucas: Sim. São cobertas micropartículas de ouro ou tungstênio com o DNA que você quer introduzir... e literalmente são disparadas contra as células da planta.

Alba: Incrível! E funciona?

Lucas: Funciona muito bem! As partículas atravessam a parede celular e liberam o DNA dentro. A vantagem é que pode ser usada em quase qualquer espécie. Não depende de um vetor biológico específico.

Alba: Parece super direto. Tem alguma desvantagem?

Lucas: Tem. Às vezes é difícil controlar quantas cópias do gene se integram, e isso pode causar instabilidade. Por isso, embora existam outros métodos como a eletroporação, os mais usados a nível comercial continuam sendo a biobalística e a transformação com bactérias.

Alba: Isso nos leva a uma pergunta inevitável... com toda essa tecnologia, os alimentos transgênicos são seguros?

Lucas: É o grande debate. A FAO apoia um sistema de avaliação científica para cada caso, analisando benefícios e riscos.

Alba: Ou seja, cada produto é avaliado separadamente.

Lucas: Correto. Até agora, nos países onde foram usados cultivos modificados geneticamente, não foram vistos danos significativos à saúde ou ao meio ambiente.

Alba: Isso é tranquilizador.

Lucas: Sim, mas... e é um mas importante... o fato de não terem sido observados efeitos negativos ainda não significa que não possam surgir no futuro. Por isso a regulamentação e a vigilância são tão rigorosas.

Alba: Entendi. É um campo com um potencial incrível, mas que a gente tem que lidar com cuidado. E essa regulamentação nos leva diretamente ao nosso próximo tema: as políticas e a percepção pública dos OGMs.

Alba: ...e é assim que funcionam essas enzimas de restrição. Mas, Lucas, uma coisa é cortar e colar DNA num tubo de ensaio, e outra é colocar ele numa planta viva. Como se faz isso?

Lucas: Essa é a pergunta de um milhão, Alba! E a resposta é incrível. A gente usa um verdadeiro hacker da natureza: uma bactéria do solo chamada *Agrobacterium tumefaciens*.

Alba: Um hacker? Adorei como isso soa.

Lucas: É que ela é! Essa bactéria infecta plantas através de feridas. E o que ela faz é transferir um pedaço do seu próprio material genético, um fragmento chamado T-DNA.

Alba: E o que esse T-DNA provoca na planta?

Lucas: Faz com que a planta desenvolva um tumor, conhecido como galha da coroa. Dentro desse tumor, a planta começa a fabricar um tipo de aminoácido modificado que só a bactéria pode usar como alimento.

Alba: Que esperta! Basicamente, a bactéria sequestra a maquinaria celular da planta pra construir uma despensa pra ela.

Lucas: Exato! Ela utiliza um conjunto de proteínas chamadas Vir. Pensa nelas como o kit de ferramentas dela: uma proteína detecta a ferida, outra ativa os genes, outra corta o T-DNA e outra o protege na sua viagem à célula vegetal.

Alba: Entendi. Mas se ela causa tumores, como a gente usa pra melhorar cultivos sem adoecê-los?

Lucas: Aí está a genialidade da biotecnologia. A gente usa plasmídeos 'desarmados'. Os cientistas tiraram do T-DNA os genes que causam o tumor e produzem aquele alimento pra bactéria.

Alba: E imagino que nesse espaço vazio... colocam outra coisa?

Lucas: Exato! Ali a gente insere o gene que nos interessa. Por exemplo, um gene pra que a planta resista à seca. A gente mantém a capacidade da bactéria de transferir DNA, mas muda o pacote que ela entrega.

Alba: Então a gente usa o sistema de entrega dela, mas com o nosso próprio conteúdo. Tipo mudar a carta de um carteiro.

Lucas: A analogia perfeita! Na verdade, é usado um sistema binário. Um plasmídeo leva as 'ferramentas' Vir e outro plasmídeo, menor e mais fácil de manusear, leva o nosso gene de interesse. Juntos, eles fazem o trabalho.

Alba: Super eficiente. Agora, uma vez que você faz isso, como você sabe quais das milhares de células vegetais realmente incorporaram o novo gene?

Lucas: Ah, essa é a próxima peça do quebra-cabeça! Pra isso a gente precisa dos genes marcadores e repórteres, que são uma história fascinante por si só.

Alba: Então, além dos marcadores de seleção, existem outras formas de 'ver' se a transformação funcionou?

Lucas: Claro! E são muito visuais. Vamos falar dos marcadores morfológicos. O que você acha se eu te disser que a gente pode fazer com que as células de uma planta se multipliquem sem controle ou que nasçam pelos onde não deveria?

Alba: Pelos? Tipo uma planta adolescente? Parece divertido!

Lucas: Exato. A gente usa genes como o 'ipt', que dispara a produção de citocininas e causa uma proliferação celular massiva. Ou os genes 'rol', que aumentam a sensibilidade às auxinas e... zás! A planta começa a gerar raízes aéreas, como pelinhos.

Alba: Que loucura! Agora, mudando um pouco de assunto... Ouvi dizer que também se usam vírus. Como isso funciona? Não é perigoso?

Lucas: É uma ótima pergunta. A gente usa vírus vegetais modificados como se fossem um serviço de mensageria super rápido. Não buscamos uma transformação permanente, mas sim uma 'expressão transitória'. O vírus entra, entrega o gene, a célula produz a proteína que a gente quer e pronto.

Alba: Entendi. E como 'tunam' o vírus pra que ele faça isso?

Lucas: Existem duas formas principais. A mais comum é colocar o gene forâneo dentro do vírus completo, com um promotor muito forte pra que ele se expresse ao máximo. A outra, mais nova, é reconstruir o vírus, tirando partes que a gente não precisa pra abrir espaço pro gene de interesse.

Alba: E quais são os vírus estrela pra esse trabalho?

Lucas: Os mais usados são os que têm DNA, como os Geminivírus ou o Caulimovírus. De fato, o Vírus do Mosaico da Couve-flor ou CaMV é um clássico.

Alba: Vírus do Mosaico da Couve-flor! Parece o vilão de um filme de verduras.

Lucas: Totalmente! Mas é super útil. E também usamos vírus de RNA, como o do mosaico do tabaco.

Alba: Uau, que viagem. Desde Agrobacterium até vírus mensageiros e marcadores que fazem crescer pelos...

Lucas: Exato. Hoje vimos as ferramentas chave da transformação vegetal. Desde os vetores biológicos e físicos até como a gente seleciona as células que realmente se transformaram. É um campo fascinante.

Alba: Sem dúvida. Muito obrigado, Lucas. E a todos os nossos ouvintes, obrigado por nos acompanhar no Studyfi Podcast. Até a próxima!

Lucas: Até mais, pessoal!