Resumo de Doenças Parasitárias Sistêmicas

Doenças Parasitárias Sistêmicas: Guia Completo para Estudantes

Introdução

A malária é uma urgência clínica que exige um diagnóstico rápido e um manejo adequado conforme a gravidade. Este material foca no diagnóstico e tratamento (incluindo critérios de gravidade e diretrizes terapêuticas) para que você possa identificar, classificar e tratar pacientes com malária de forma segura e eficaz.

Definição: O diagnóstico de malária envolve a detecção de parasitas ou antígenos no sangue e a classificação do paciente conforme a gravidade para decidir a via e o tipo de tratamento.

1. Processo diagnóstico passo a passo

Descrevemos o algoritmo diagnóstico em etapas para facilitar sua aplicação clínica.

  1. Suspeita clínica
  • Apresentação inespecífica: febre, mal-estar geral, cefaleia, mialgias, vômitos, histórico de viagem a área endêmica.
  1. Exames laboratoriais básicos
  • Achados habituais: anemia, trombocitopenia, aumento de LDH e bilirrubina (por hemólise).
  1. Diagnóstico de certeza: exame microscópico
  • Gota espessa: teste muito sensível, estima a densidade parasitária, mas não distingue a espécie.
  • Esfregaço de sangue periférico (extensão): teste específico, visualiza Plasmodium à microscopia óptica; confirma o diagnóstico, permite identificar a espécie e estimar o índice de parasitemia (prognóstico).

Definição: Gota espessa é uma preparação de sangue concentrada que maximiza a detecção de parasitas; o esfregaço permite observar a morfologia para identificar a espécie.

  1. Testes rápidos (RDT)
  • Detecção de antígenos parasitários por imunocromatografia.
  • Indicam presença/ausência de Plasmodium e distinguem P. falciparum vs não-falciparum, mas NÃO identificam a espécie exata.
  • Resultado em ~1 h; úteis quando a microscopia não está disponível.
  1. Técnicas moleculares (PCR)
  • Teste mais sensível e específico; identifica a espécie com alta precisão.
  • Indicada quando é necessária confirmação ou identificação de espécies em casos complexos.

Repetição de testes

  • Se a suspeita clínica for alta e o teste inicial for negativo, repetir a cada 12–24 h.
  • Até 3 testes negativos não descartam malária (possível baixa carga parasitária ou sequestro). É necessário que os parasitas tenham saído para a corrente sanguínea para serem detectados no sangue periférico.

Você sabia que até 3 testes negativos seriados podem ser necessários para descartar malária se a suspeita clínica permanecer alta?

2. Classificação por gravidade

A classificação condiciona a via e a intensidade do tratamento.

  • Se forem preenchidos os critérios de malária grave, o paciente necessita de internação em UTI e tratamento por via IV.
  • Consideram-se pelo menos 2 critérios para estabelecer a gravidade (lista resumida abaixo).

Definição: Malária grave é aquela com manifestações sistêmicas significativas que colocam a vida em risco e requerem tratamento IV e suporte intensivo.

Critérios de malária grave (devem ser somados pelo menos 2)

  • Choque

  • Anemia grave: Hb < 5 g/dL

  • Desconforto respiratório / edema agudo de pulmão (EAP)

  • Insuficiência respiratória aguda

  • Hipoglicemia: glicemia < 40 mg/dL (monitorar a glicemia mesmo em casos leves)

  • Acidose metabólica: pH < 7.35

  • Insuficiência renal e/ou hepática

  • Bilirrubina > 2.5 mg/dL

  • Convulsões

  • Malária cerebral: alteração do nível de consciência, convulsões, prostração extrema

  • Sangramento espontâneo significativo

  • Hemoglobinúria

  • Hiperlactacidemia > 5 mmol/L

  • Hiperparasitemia > 2.5% (em pacientes semi-imunes provenientes de áreas endêmicas, limiar 10–20%)

  • As convulsões e o sangramento espontâneo são apresentações frequentes de malária grave.

Curiosidade: A hiperparasitemia em pacientes semi-imunes requer porcentagens mais altas para ser considerada grave porque sua imunidade parcial tolera maiores cargas parasitárias sem falência orgânica.

3. Decisões terapêuticas: critérios gerais

A escolha do tratamento depende de:

  • Espécie de Plasmodium (quando a identificação estiver disponível).
  • Procedência do paciente (resistências regionais, p. ex. sude
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Malária: diagnóstico e manejo

Klíčové pojmy: Diagnóstico: suspeita clínica + gota espessa + esfregaço para confirmação, Gota espessa sensível; esfregaço específico para identificar espécie e parasitemia, TRDs detectam antígenos e distinguem P. falciparum vs não-falciparum em ~1 h, PCR é o teste mais sensível e específico para identificar a espécie, Repetir os testes a cada 12–24 h, até 3 vezes, se a suspeita clínica permanecer alta, Malária grave requer pelo menos 2 critérios e tratamento IV em UTI, Tratamento da malária grave: artesunato IV 2.4 mg/kg nas horas 0, 12, 24 e a cada 24 h até a oralização, Após artesunato IV, completar o ciclo com tratamento oral (p. ex. Riamet), Monitorar a glicemia, pois a hipoglicemia pode ocorrer mesmo em formas não graves, Controle laboratorial 2 semanas pós-artesunato devido ao risco de anemia hemolítica tardia, Em pacientes semi-imunes, o limiar de hiperparasitemia grave é maior (10–20%), Associar ceftriaxona na malária grave devido ao risco de coinfecção bacteriana

## Introdução A malária é uma urgência clínica que exige um diagnóstico rápido e um manejo adequado conforme a gravidade. Este material foca no diagnóstico e tratamento (incluindo critérios de gravidade e diretrizes terapêuticas) para que você possa identificar, classificar e tratar pacientes com malária de forma segura e eficaz. > Definição: O diagnóstico de malária envolve a detecção de parasitas ou antígenos no sangue e a classificação do paciente conforme a gravidade para decidir a via e o tipo de tratamento. ## 1. Processo diagnóstico passo a passo Descrevemos o algoritmo diagnóstico em etapas para facilitar sua aplicação clínica. 1) Suspeita clínica - Apresentação inespecífica: febre, mal-estar geral, cefaleia, mialgias, vômitos, histórico de viagem a área endêmica. 2) Exames laboratoriais básicos - Achados habituais: anemia, trombocitopenia, aumento de LDH e bilirrubina (por hemólise). 3) Diagnóstico de certeza: exame microscópico - Gota espessa: teste muito sensível, estima a densidade parasitária, mas não distingue a espécie. - Esfregaço de sangue periférico (extensão): teste específico, visualiza Plasmodium à microscopia óptica; confirma o diagnóstico, permite identificar a espécie e estimar o índice de parasitemia (prognóstico). > Definição: Gota espessa é uma preparação de sangue concentrada que maximiza a detecção de parasitas; o esfregaço permite observar a morfologia para identificar a espécie. 4) Testes rápidos (RDT) - Detecção de antígenos parasitários por imunocromatografia. - Indicam presença/ausência de Plasmodium e distinguem P. falciparum vs não-falciparum, mas NÃO identificam a espécie exata. - Resultado em ~1 h; úteis quando a microscopia não está disponível. 5) Técnicas moleculares (PCR) - Teste mais sensível e específico; identifica a espécie com alta precisão. - Indicada quando é necessária confirmação ou identificação de espécies em casos complexos. Repetição de testes - Se a suspeita clínica for alta e o teste inicial for negativo, repetir a cada 12–24 h. - Até 3 testes negativos não descartam malária (possível baixa carga parasitária ou sequestro). É necessário que os parasitas tenham saído para a corrente sanguínea para serem detectados no sangue periférico. Você sabia que até 3 testes negativos seriados podem ser necessários para descartar malária se a suspeita clínica permanecer alta? ## 2. Classificação por gravidade A classificação condiciona a via e a intensidade do tratamento. - Se forem preenchidos os critérios de malária grave, o paciente necessita de internação em UTI e tratamento por via IV. - Consideram-se pelo menos 2 critérios para estabelecer a gravidade (lista resumida abaixo). > Definição: Malária grave é aquela com manifestações sistêmicas significativas que colocam a vida em risco e requerem tratamento IV e suporte intensivo. ### Critérios de malária grave (devem ser somados pelo menos 2) - Choque - Anemia grave: Hb < 5 g/dL - Desconforto respiratório / edema agudo de pulmão (EAP) - Insuficiência respiratória aguda - Hipoglicemia: glicemia < 40 mg/dL (monitorar a glicemia mesmo em casos leves) - Acidose metabólica: pH < 7.35 - Insuficiência renal e/ou hepática - Bilirrubina > 2.5 mg/dL - Convulsões - Malária cerebral: alteração do nível de consciência, convulsões, prostração extrema - Sangramento espontâneo significativo - Hemoglobinúria - Hiperlactacidemia > 5 mmol/L - Hiperparasitemia > 2.5% (em pacientes semi-imunes provenientes de áreas endêmicas, limiar 10–20%) - As convulsões e o sangramento espontâneo são apresentações frequentes de malária grave. Curiosidade: A hiperparasitemia em pacientes semi-imunes requer porcentagens mais altas para ser considerada grave porque sua imunidade parcial tolera maiores cargas parasitárias sem falência orgânica. ## 3. Decisões terapêuticas: critérios gerais A escolha do tratamento depende de: - Espécie de Plasmodium (quando a identificação estiver disponível). - Procedência do paciente (resistências regionais, p. ex. sude