Resumo de Cetoacidose Diabética: Apresentação e Tratamento

Cetoacidose Diabética: Apresentação e Tratamento Completo

Introdução

A Cetoacidose Diabética (CAD) é uma emergência metabólica caracterizada por hiperglicemia, cetonemia e acidose metabólica. Ocorre principalmente em pacientes com diabetes tipo 1, mas também pode aparecer em diabetes tipo 2 em situações de estresse. Reconhecimento e tratamento rápidos são essenciais para reduzir morbimortalidade.

Definição: A Cetoacidose Diabética é o conjunto de hiperglicemia significativa, produção excessiva de corpos cetônicos e acidose metabólica resultante da deficiência absoluta ou relativa de insulina.

Fisiopatologia em partes digeríveis

  • Falta de insulina leva a aumento da gliconeogênese e glicogenólise hepática, causando hiperglicemia.
  • Lipólise aumentada produz ácidos graxos livres que são convertidos em cetonas (acetoacetato, beta-hidroxibutirato) pelo fígado.
  • Acúmulo de corpos cetônicos causa acidose metabólica com redução do bicarbonato e do pH.
  • A hiperglicemia provoca poliúria osmótica e perda de água e eletrólitos, levando à desidratação e possível hipotensão.

Quadro clínico

  • Tríade clássica: polidipsia, poliúria, perda de peso.
  • Sinais e sintomas adicionais: dor abdominal, náusea, vômito, desidratação, taquicardia, hipotensão, respiração de Kussmaul (hiperventilação), hálito cetônico.

Definição: Kussmaul é um padrão respiratório profundo e rápido que surge como tentativa de compensar a acidose metabólica.

Fatores desencadeantes

  • Infecções (principal fator desencadeante)
  • Uso/retirada de corticoides
  • Interrupção de insulinoterapia
  • Infarto agudo do miocárdio, AVC, outras causas de estresse fisiológico

Exames laboratoriais essenciais

  • Glicemia plasmática
  • Eletrólitos, com ênfase em potássio sérico ($K^+$)
  • Gasometria venosa: pH e bicarbonato ($HCO_3^-$)
  • Urina: presença de corpos cetônicos (cetonúria)
  • Anion gap: ajuda a avaliar a acidose metabólica

Definição: Anion gap é calculado como $\text{AG} = \left[Na^{+}\right] - \left(\left[Cl^{-}\right] + \left[HCO_3^{-}\right]\right)$ e indica presença de ácidos não mensurados quando elevado.

Critérios de gravidade e metas de resolução

  • Resolução esperada: glicemia < $200$ mg/dL, bicarbonato $>15$ mEq/L, pH > $7{,}3$, anion gap normalizado.

Tratamento passo a passo

  1. Avaliação inicial rápida e monitorização contínua (sinais vitais, diurese, glicemia capilar).
  2. Reposição volemica: soro fisiológico 0,9% que é a primeira medida
    • Dose inicial: $15$–$20\ \text{mL/kg}$ (ou bolos de $250$–$500$ mL/h dependendo do quadro).
  3. Avaliar e corrigir potássio:
    • Dosar $K^+$ sérico antes de iniciar insulina.
    • Se $K^+$ $<3{,}3$ mEq/L: adiar insulina e repor potássio até estar $\ge 3{,}3$ mEq/L.
    • Faixa aceitável para iniciar insulina: $3{,}3$ a $5{,}2$ mEq/L.
    • Reposição típica: $20$–$30$ mEq/h conforme necessidade e monitorização.
  4. Insulinoterapia:
    • Insulina regular em infusão contínua: $0{,}1\ \text{U/kg/h}$.
    • Monitorar glicemia capilar a cada $1$ hora e ajustar dose conforme redução da glicemia.
  5. Tratar causa desencadeante (por exemplo, antibiótico para infecção).
  6. Após queda da glicemia para $\sim200$ mg/dL, reduzir infusão de insulina e iniciar 5% dextrose na infusão para evitar hipoglicemia e permitir correção da acidose até normalização do andamento metabólico.

Definição: Insulinoterapia em CAD tem dupla função: reduzir glicemia e suprimir produção de corpos cetônicos pela restauração da sinalização insulínica.

Monitorização e ajustes

  • Monitorizar $K^+$ a cada $2$–$4$ horas enquanto em infusão de insulina.
  • Avaliar gasometria venosa e bicarbonato periodicamente para acompanhar correção da acidose.
  • Controlar débito urinário e sinais de sobrecarga hídrica, especialmente em pacientes com comorbidades cardíacas.
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Cetoacidose Diabética

Klíčové pojmy: Tríade clínica: polidipsia, poliúria, perda de peso, CAD envolve hiperglicemia, cetonemia e acidose metabólica, Principal gatilho: infecção; corticoides também contribuem, Solicitar glicemia, eletrólitos (K+), urina para cetonas e gasometria venosa, Reposição volêmica inicial: SF 0,9% $15$–$20$ mL/kg ou $250$–$500$ mL/h, Dosar $K^+$ antes de iniciar insulina; adiar se $K^+ < 3{,}3$ mEq/L, Insulina regular em infusão contínua $0{,}1$ U/kg/h e monitorar glicemia horária, Repor potássio $20$–$30$ mEq/h conforme monitorização, Metas de resolução: glicemia < $200$ mg/dL, $HCO_3^- > 15$ mEq/L, pH > $7{,}3$, Tratar causa desencadeante após estabilização, Monitorizar $K^+$ a cada $2$–$4$ horas durante insulina, Complicações: hipoglicemia, hipocalemia, sobrecarga hídrica

## Introdução A **Cetoacidose Diabética (CAD)** é uma emergência metabólica caracterizada por hiperglicemia, cetonemia e acidose metabólica. Ocorre principalmente em pacientes com diabetes tipo 1, mas também pode aparecer em diabetes tipo 2 em situações de estresse. Reconhecimento e tratamento rápidos são essenciais para reduzir morbimortalidade. > **Definição:** A Cetoacidose Diabética é o conjunto de hiperglicemia significativa, produção excessiva de corpos cetônicos e acidose metabólica resultante da deficiência absoluta ou relativa de insulina. ## Fisiopatologia em partes digeríveis - Falta de insulina leva a aumento da gliconeogênese e glicogenólise hepática, causando **hiperglicemia**. - Lipólise aumentada produz ácidos graxos livres que são convertidos em **cetonas** (acetoacetato, beta-hidroxibutirato) pelo fígado. - Acúmulo de corpos cetônicos causa **acidose metabólica** com redução do bicarbonato e do pH. - A hiperglicemia provoca **poliúria osmótica** e perda de água e eletrólitos, levando à **desidratação** e possível hipotensão. ## Quadro clínico - Tríade clássica: **polidipsia**, **poliúria**, **perda de peso**. - Sinais e sintomas adicionais: dor abdominal, náusea, vômito, desidratação, taquicardia, hipotensão, respiração de Kussmaul (hiperventilação), hálito cetônico. > **Definição:** Kussmaul é um padrão respiratório profundo e rápido que surge como tentativa de compensar a acidose metabólica. ## Fatores desencadeantes - Infecções (principal fator desencadeante) - Uso/retirada de corticoides - Interrupção de insulinoterapia - Infarto agudo do miocárdio, AVC, outras causas de estresse fisiológico ## Exames laboratoriais essenciais - Glicemia plasmática - Eletrólitos, com ênfase em potássio sérico ($K^+$) - Gasometria venosa: pH e bicarbonato ($HCO_3^-$) - Urina: presença de corpos cetônicos (cetonúria) - Anion gap: ajuda a avaliar a acidose metabólica > **Definição:** Anion gap é calculado como $\text{AG} = \left[Na^{+}\right] - \left(\left[Cl^{-}\right] + \left[HCO_3^{-}\right]\right)$ e indica presença de ácidos não mensurados quando elevado. ## Critérios de gravidade e metas de resolução - Resolução esperada: glicemia < $200$ mg/dL, bicarbonato $>15$ mEq/L, pH > $7{,}3$, anion gap normalizado. ## Tratamento passo a passo 1. Avaliação inicial rápida e monitorização contínua (sinais vitais, diurese, glicemia capilar). 2. Reposição volemica: soro fisiológico 0,9% que é a primeira medida - Dose inicial: $15$–$20\ \text{mL/kg}$ (ou bolos de $250$–$500$ mL/h dependendo do quadro). 3. Avaliar e corrigir potássio: - Dosar $K^+$ sérico antes de iniciar insulina. - Se $K^+$ $<3{,}3$ mEq/L: adiar insulina e repor potássio até estar $\ge 3{,}3$ mEq/L. - Faixa aceitável para iniciar insulina: $3{,}3$ a $5{,}2$ mEq/L. - Reposição típica: $20$–$30$ mEq/h conforme necessidade e monitorização. 4. Insulinoterapia: - Insulina regular em infusão contínua: $0{,}1\ \text{U/kg/h}$. - Monitorar glicemia capilar a cada $1$ hora e ajustar dose conforme redução da glicemia. 5. Tratar causa desencadeante (por exemplo, antibiótico para infecção). 6. Após queda da glicemia para $\sim200$ mg/dL, reduzir infusão de insulina e iniciar 5% dextrose na infusão para evitar hipoglicemia e permitir correção da acidose até normalização do andamento metabólico. > **Definição:** Insulinoterapia em CAD tem dupla função: reduzir glicemia e suprimir produção de corpos cetônicos pela restauração da sinalização insulínica. ## Monitorização e ajustes - Monitorizar $K^+$ a cada $2$–$4$ horas enquanto em infusão de insulina. - Avaliar gasometria venosa e bicarbonato periodicamente para acompanhar correção da acidose. - Controlar débito urinário e sinais de sobrecarga hídrica, especialmente em pacientes com comorbidades cardíacas.