Cerâmicas Dentárias e Próteses Fixas

Explore as cerâmicas dentárias e próteses fixas: história, tipos (leucita, dissilicato de lítio, zircônia) e mecanismos de resistência. Um guia essencial para estudantes de odontologia. Saiba mais agora!

Bem-vindos ao nosso guia completo sobre cerâmicas dentárias e próteses fixas! Se você está estudando para provas ou simplesmente quer aprofundar seu conhecimento, este artigo foi feito para você. Abordaremos desde a história até os materiais mais avançados, detalhando como as cerâmicas se tornaram essenciais na odontologia moderna, especialmente em próteses fixas.

Uma Jornada Histórica das Cerâmicas Dentárias para Próteses Fixas

A história das cerâmicas dentárias é longa e fascinante. Em 1774, Alexis Duchâteau e Nicolas Dubois de Chémant foram pioneiros na fabricação de dentaduras cerâmicas, com De Chémant refinando a fórmula na fábrica de porcelana de Sèvres. Mais tarde, em 1887, C.H. Land criou as primeiras coroas e inlays cerâmicos usando uma técnica de matriz de folha de platina. No entanto, a popularidade das restaurações cerâmicas diminuiu com a chegada da resina acrílica nos anos 1940.

O ressurgimento veio quando as desvantagens das resinas (desgaste, descoloração, infiltração) se tornaram evidentes. Em 1962, Weinstein e Weinstein patentearam uma frita de porcelana contendo leucita (aluminossilicato), que permitiu uma correspondência entre a expansão térmica da cerâmica e a do metal em restaurações metalo-cerâmicas. A introdução da queima a vácuo também melhorou significativamente a aparência, densidade, resistência e translucidez das restaurações cerâmicas.

A Busca por Cerâmicas de Elevada Resistência

Uma desvantagem crucial das primeiras restaurações cerâmicas era a sua baixa resistência à fratura. Isso impulsionou o desenvolvimento de materiais mais robustos, seguindo dois caminhos principais:

  1. Dois Materiais Cerâmicos: Um núcleo cerâmico de alta resistência, mas menos estético, é revestido com uma porcelana esteticamente agradável, porém de menor resistência. Este conceito é similar à técnica metalo-cerâmica, mas com um núcleo cerâmico mais fácil de mascarar.
  2. Cerâmica Monolítica: Um material que combina alta resistência com boa estética, eliminando a necessidade de uma espessura adicional para mascarar um núcleo.

Coifa de Alumina: Um Marco na Resistência

O núcleo cerâmico de alta resistência foi introduzido na odontologia por McLean e Hughes em 1965. Eles propuseram o uso de porcelana aluminosa, composta por cristais de óxido de alumínio (alumina; Al2O3) dispersos em uma matriz vítrea. A técnica de McLean utilizava um núcleo opaco com 50% em peso de alumina, revestido por porcelanas estéticas de corpo e esmalte, contendo 15% e 5% de alumina cristalina, respectivamente. Essas restaurações eram aproximadamente 40% mais resistentes que as de porcelana feldspática tradicional e eram produzidas pela técnica de fundição por suspensão (slip-casting).

Zircônia: A Estrela Atual das Cerâmicas Dentárias

Atualmente, as restaurações de zircônia monolítica representam um excelente equilíbrio entre resistência e estética, sendo aceitáveis para restaurações posteriores. Elas são fresadas a partir de blocos pré-sinterizados (conhecido como soft machining, pois a zircônia pré-sinterizada é mais fácil de fresar). As restaurações podem ser coloridas por imersão ou usando blocos pré-sombreados com diferentes níveis de translucidez.

Devido à sua alta resistência, a zircônia permite uma menor redução da estrutura dentária. É crucial um polimento cuidadoso, pois superfícies rugosas podem levar a um aumento do desgaste do dente antagonista. O desgaste do esmalte antagonista é menor com a zircônia monolítica em comparação com outras cerâmicas dentárias.

Mecanismos de Reforço da Resistência das Cerâmicas

As cerâmicas são conhecidas por suas excelentes qualidades estéticas e biocompatibilidade, mas são frágeis e suscetíveis à fratura. A fratura geralmente inicia em duas fontes de falhas:

  1. Defeitos de Fabricação
  2. Rachaduras na Superfície

Para melhorar a resistência, utilizam-se os seguintes métodos:

  • Controle de Defeitos de Fabricação
  • Reforço Cristalino: Aumento da proporção da fase cristalina para bloquear a propagação de fraturas.
  • Transformação Induzida por Estresse: Um mecanismo crucial, especialmente na zircônia.

A Transformação Induzida por Estresse na Zircônia

Este mecanismo é observado em materiais cerâmicos altamente cristalinos, como a zircônia tetragonal parcialmente estabilizada. A zircônia é monoclínica à temperatura ambiente, mas torna-se tetragonal entre 1170°C e 2370°C. A transformação de tetragonal para monoclínica é acompanhada por um aumento de volume.

Para reter a forma tetragonal à temperatura ambiente, adicionam-se óxidos estabilizadores, como o óxido de ítrio. Na zircônia tetragonal estabilizada com 3 mol% de ítria (3Y-TZP), o estresse pode desencadear a transformação de tetragonal para monoclínica, resultando em um aumento do volume do grão que bloqueia eficientemente a propagação da trinca. A zircônia com maiores quantidades de ítrio (4Y-PSZ e 5Y-PSZ) retém também a fase cúbica à temperatura ambiente, mas essa fase não exibe transformação induzida por estresse, o que resulta em propriedades mecânicas ligeiramente inferiores ao 3Y-TZP. Tratamentos superficiais, como a abrasão por partículas, também podem induzir essa transformação e aumentar a resistência da zircônia.

Sistemas Cerâmicos Atuais

Os sistemas cerâmicos modernos são categorizados principalmente por seus métodos de processamento:

Cerâmicas Injetadas Sob Alta Temperatura e Pressão (Heat-Pressed)

Esta técnica envolve a injeção de lingotes cerâmicos aquecidos sob alta pressão em um molde refratário feito pela técnica da cera perdida. Os lingotes estão disponíveis em diversas tonalidades.

Leucita (KAlSi2O6)

A leucita, um aluminossilicato de potássio, é uma fase cristalina de reforço dispersa em uma matriz vítrea, com microestrutura similar à de cerâmicas feldspáticas sinterizadas. O tamanho dos cristais varia de 3 a 10 μm, compreendendo aproximadamente 35% a 50% em volume. Tensões tangenciais residuais são desenvolvidas ao redor dos cristais de leucita durante o resfriamento, promovendo fortalecimento por deflexão de trincas. A prensagem ocorre a aproximadamente 1165°C.

Existem duas técnicas de acabamento:

  • Caracterização (manchas superficiais): Menos complexa.
  • Técnica de estratificação: Aplicação de uma porcelana de revestimento.

Ambas levam a valores de resistência à flexão comparáveis, mas o coeficiente de expansão térmica do material do núcleo para a estratificação é geralmente menor, para ser compatível com a porcelana de revestimento. Um exemplo notável é o IPS Empress (Ivoclar® AG).

Dissilicato de Lítio (Li2Si2O5)

Representado pelo IPS e.max (Ivoclar® AG), o dissilicato de lítio é uma das cerâmicas dentárias injetadas mais utilizadas. Sua microestrutura consiste em cristais interligados e aleatoriamente orientados, formando uma estrutura de "casa de cartas". O material é prensado a 920°C e estratificado com um vidro contendo cristais dispersos de fluorapatita. Suas indicações incluem coroas e próteses fixas anteriores de três elementos (FDPs).

Silicato de Lítio Reforçado com Zircônia (ZLS)

Essas vitrocerâmicas de silicato de lítio reforçadas com zircônia (ZLS) estão disponíveis tanto para prensagem quanto para usinagem CAD/CAM. Exemplos incluem Celtra Press e Vita Ambria (prensáveis) e Celtra Duo e Vita Suprinity (usináveis). A tecnologia se baseia na adição de 10% em massa de óxido de zircônio às composições de vidro de silicato de lítio.

A zircônia atua como agente nucleante e permanece em solução na matriz vítrea, resultando em duas consequências principais:

  • Obtenção de uma microestrutura dupla composta por cristais muito finos de metassilicato de lítio (Li2SiO3) e dissilicato de lítio (Li2Si2O5).
  • Reforço da matriz vítrea pela presença do óxido de zircônio em solução. As propriedades mecânicas são comparáveis ou superiores às do dissilicato de lítio.

Cerâmicas Usinadas (CAD/CAM)

A evolução dos sistemas CAD/CAM revolucionou a produção de inlays, onlays, facetas e coroas. Isso levou ao desenvolvimento de novas cerâmicas usináveis, que podem ser processadas em duas fases:

  • Estágio totalmente sinterizado (hard machining): Mais denso, mas mais difícil de usinar.
  • Estágio pré-sinterizado (soft machining): Mais fácil de usinar, como no caso da zircônia.

Essas tecnologias permitem a fabricação precisa e eficiente de restaurações cerâmicas.

Perguntas Frequentes sobre Cerâmicas Dentárias e Próteses Fixas

O que são cerâmicas injetadas sob alta temperatura e pressão (heat-pressed)?

São cerâmicas processadas injetando lingotes cerâmicos aquecidos sob alta pressão em um molde refratário. Este método é usado para materiais como leucita e dissilicato de lítio, permitindo uma adaptação precisa e propriedades mecânicas otimizadas.

Qual a diferença entre leucita e dissilicato de lítio?

A leucita (ex: IPS Empress) é um aluminossilicato de potássio que reforça a cerâmica pela deflexão de trincas e é prensada a ~1165°C. O dissilicato de lítio (ex: IPS e.max) é uma fase cristalina mais resistente, prensada a 920°C, com uma microestrutura de cristais interligados, ideal para coroas e próteses fixas anteriores.

Como a zircônia é reforçada para uso dentário?

A zircônia é reforçada principalmente pelo mecanismo de transformação induzida por estresse. A adição de óxido de ítrio estabiliza a zircônia na fase tetragonal, que, sob estresse, se transforma em fase monoclínica com aumento de volume, bloqueando a propagação de trincas. Isso confere à zircônia uma alta resistência à fratura.

Quais são as principais vantagens das cerâmicas dentárias?

As cerâmicas dentárias oferecem excelentes qualidades estéticas, mimetizando a aparência natural dos dentes, e são altamente biocompatíveis. Além disso, os avanços tecnológicos permitiram o desenvolvimento de cerâmicas com alta resistência e durabilidade, tornando-as ideais para próteses fixas e outras restaurações dentárias.

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