Guerra Irregular: Operações e Táticas

Desvende as táticas e operações-chave da Guerra Irregular. Análise de papéis psicológicos, ciberataques e guerrilha rural/urbana para estudantes. Domine este conceito estratégico!

A guerra irregular é um conceito complexo e fundamental na estratégia militar moderna, abrangendo ações e táticas diversas. Este artigo aprofunda-se na Guerra Irregular: Operações e Táticas, oferecendo uma análise detalhada de suas características, os papéis das operações psicológicas e cibernéticas, e as táticas-chave empregadas tanto em ambientes rurais quanto urbanos. Compreender esses elementos é crucial para estudantes e profissionais interessados em segurança e defesa.

Entendendo a Guerra Irregular: Operações e Táticas

As operações de guerra irregular (G.I.) são ações realizadas por frações dispersas de cidadãos armados ou pequenas organizações militares contra um agressor superior. Seu objetivo principal é hostilizar e desgastar o inimigo, podendo ser ações isoladas ou parte de um plano coordenado com operações regulares.

Na doutrina, as operações irregulares classificam-se em dois tipos principais: operações de guerrilha (como forma de operar ou de luta) e operações de contraguerrilha. Também existem operações de apoio transversais, como as psicológicas e as do ciberespaço, que se aplicam a todos os componentes de um Teatro de Operações (T.O.).

Papel das Operações Psicológicas na G.I.

A guerra irregular envolve um amplo espectro de operações militares, intensificadas pelo pessoal especializado em operações psicológicas. Estas são realizadas de forma passiva e ativa, buscando influenciar emoções, atitudes e condutas de grupos amigos, neutros ou hostis para alcançar objetivos nacionais.

O papel passivo limita-se a assessorar as forças que realizam operações irregulares, buscando desenvolver uma imagem favorável. Isso é alcançado ganhando o apoio de simpatizantes, neutros e movimentos de resistência, frequentemente com a mera presença e ações das forças militares.

O papel ativo envolve uma direção mais direta, coordenada pelo comandante do T.O. com governos estaduais. Pode incluir:

  • Assistência à população civil (serviços médicos, suprimentos, asilo).
  • Propaganda intensiva sobre o auxílio à população e a participação civil em projetos.
  • Alertar a população sobre ataques iminentes para reforçar a percepção de controle da guerrilha.
  • Encorajar a resistência contra leis e restrições inimigas.
  • Apoiar propagandas educacionais e doutrinárias em benefício próprio.
  • Eliminação de traidores que interfiram nos objetivos guerrilheiros.
  • Assessorar no desenvolvimento e incremento do proselitismo.
  • Organização e doutrinamento de elementos de apoio ao movimento de resistência.

O pessoal de operações psicológicas planeja objetivos, tarefas, temas e mensagens, coordenando com as fases da guerra de guerrilhas. Essas operações oferecem vantagens ao facilitar o desdobramento de destacamentos para apoiar as forças irregulares.

A Comandância Regional de Forças Irregulares (C.R.F.I.) recebe recursos de operações psicológicas do Comandante do T.O. para o controle de operações ativas. Nas Zonas de Operações de Guerrilha (Z.O.G.), os destacamentos assessoram o Comandante da Z.O.G. e podem ser desdobrados em áreas de segurança.

Técnicas nas Operações Psicológicas

A informação é crucial para o sucesso das operações psicológicas na G.I., pois sem ela, uma campanha eficaz é impossível. A informação sobre atitudes, lealdades e vulnerabilidades da população civil é obtida de guerrilhas, agentes secretos e auxiliares.

Os objetivos principais dessas campanhas são:

  • Público não engajado: Converter a população neutra ou opositora em simpatizantes ativos.
  • Simpatizantes do inimigo: Infundir dúvidas e temor para desacreditar colaboradores ou debilitar a fé nas forças inimigas.
  • Forças militares inimigas: Gerar sentimentos de isolamento, falta de apoio, dúvida no resultado, desconfiança mútua e questionamento da moralidade da luta para induzir a rendição ou deserção.
  • Grupos de simpatizantes: Impulsionar a participação ativa no movimento de resistência, assegurando que o movimento pode protegê-los e é um instrumento de progresso.

Propaganda e Contrapropaganda no Contexto Irregular

A propaganda e a contrapropaganda são armas fundamentais das operações psicológicas, cruciais para convencer ou desvirtuar. Seu uso planejado é conhecido como guerra psicológica e é essencial na G.I.

Tipos de Propaganda:

  • Branca: Origem aberta e creditada, oficial e de grande valor histórico.
  • Cinza: Omite a origem, gerando especulações que beneficiam o promotor.
  • Negra: Manifesta uma origem diferente da verdadeira.

Finalidade da Propaganda:

  • Manter e incrementar o sentimento nacionalista.
  • Minar a moral das tropas inimigas, gerando desafeto e derrotismo.
  • Conquistar adeptos na população civil para apoio e participação.
  • Induzir o inimigo à rendição.
  • Divulgar e engrandecer as ações do movimento de resistência, especialmente das guerrilhas.

As ações armadas das guerrilhas, como assaltos, emboscadas, deserções inimigas, resgates de presos e sabotagens, são a principal fonte de propaganda subversiva. Utilizam-se meios variados como redes sociais, internet, jornais clandestinos, panfletos, ocupação temporária de radiodifusoras, murais e alto-falantes para difundir mensagens e aumentar a imagem do movimento enquanto se minimizam as ações inimigas.

Contrapropaganda:

Dirigida ao inimigo ou a grupos estrangeiros, busca contra-atacar ou aproveitar sua propaganda. Pode ser defensiva ou ofensiva. Os sistemas técnicos de contrapropaganda incluem:

  • Antecipação: Contra-atacar um tema antes que o inimigo o use.
  • Direta: Refutar ponto por ponto as acusações inimigas, com cuidado para não lhes dar crédito.
  • Indireta: Introduzir novos temas que refutem o argumento original do inimigo por dedução.
  • Diversória: Desviar a atenção para um novo tema ou reforçar um já eficaz.
  • Silêncio: Ignorar temas sem importância ou que não podem ser explorados satisfatoriamente.
  • Menosprezar o tema: Enfatizar aspectos favoráveis do tema inimigo, insinuar informação oculta ou fazer uma alusão breve e depois calar.

Operações no Ciberespaço: Um Novo Campo de Batalha

O ciberespaço evoluiu de ferramenta para campo de batalha, onde as Tecnologias da Informação e Comunicações (TIC) são tanto armas quanto alvos. Os conflitos híbridos e assimétricos atuais obrigam os estados a desenvolver capacidades humanas, técnicas e tecnológicas neste âmbito, integrando especialistas em informática em guerrilhas e contraguerrilhas para operações irregulares.

A ciberguerra classifica-se pelo meio em que se desenvolve. Embora a legislação internacional atual não classifique as ações hostis no ciberespaço como ataque armado, seus efeitos podem ser devastadores.

Níveis de Ciberguerra em Apoio à G.I.

  • Ciberguerra como parte de operações militares: Busca a superioridade de informação, suprimindo sistemas de defesa e focando em alvos militares.
  • Ciberguerra limitada: A infraestrutura ciberespacial é a arma. Usam-se softwares maliciosos ou engenharia social para reduzir a efetividade do inimigo, degradando a confiança em suas TIC e retardando intervenções militares.
  • Ciberguerra sem limites nem limitações: Não distingue entre alvos militares e civis, podendo causar perdas humanas e um impacto econômico e social catastrófico.

Esses níveis demonstram o impacto que se pode alcançar mediante a exploração do ciberespaço em operações irregulares.

Concepção Operacional do Ciberespaço

Para aproveitar o ciberespaço, é fundamental compreender seus aspectos básicos:

  • Singularidades do ciberespaço:
  • Artificialidade: Criado e modificável pelo ser humano.
  • Imperceptibilidade: Fisicamente invisível e intangível, dificultando a operação.
  • Ubiquidade: Efeitos simultâneos em distintos lugares sem desdobramento físico.
  • Dinamismo: Ambiente mutável que requer monitoramento contínuo e planejamento flexível.
  • Imediatismo: Ações com efeitos quase imediatos em qualquer lugar.
  • Transversalidade: Supraespaço com grande influência em outros âmbitos (terra, mar, ar e espaço).
  • Ciberameaças: Fontes potenciais de efeitos adversos (ciberterrorismo, ciberespionagem, cibersabotagem, hacktivismo, cibercriminalidade). Podem ser originadas por Estados-Nação, grupos organizados (terroristas, criminosos, hacktivistas) ou pessoas isoladas.
  • Camadas do ciberespaço: Para facilitar a atribuição de funções e responsabilidades:
  • Camada humana: Pessoas físicas que interagem no ciberespaço, incluindo guerrilheiros e contraguerrilheiros.
  • Camada ciber-humana: Identidades ou usuários empregados para interagir (uma pessoa pode ter múltiplas ciberidentidades).
  • Camada cognitiva: Conhecimento resultante da interação, doutrina, normas e procedimentos.
  • Camada lógica: Software de sistemas operacionais, bancos de dados e aplicações.
  • Camada de infraestrutura de TIC: Hardware e ativos estratégicos nacionais (energia, saúde, água, transporte).
  • Camada geográfica: Zonas físicas onde se encontra a infraestrutura de TIC e as pessoas.
  • Ciberterreno chave: Elemento em qualquer camada que, ao ser destruído ou interrompido, gera uma vantagem para o adversário. É vital identificá-lo e avaliá-lo para as ciberoperações.

As Ciberoperações: Fim ou Objetivo vs. Meio

As ciberoperações são ações do Estado-Nação para a segurança da sociedade, consideradas operações militares no ciberespaço. Podem ser regulares, irregulares ou híbridas, e seus efeitos manifestam-se nos âmbitos físico, lógico e cognitivo.

Ciberespaço concebido como fim ou objetivo:

Concentram-se nas TIC, onde a infraestrutura é o alvo militar. Utilizam ciberarmas (software para proteger ou danificar ativos de TIC com possíveis consequências físicas). Os ciberataques (ações ofensivas maliciosas com ciberarmas) classificam-se em de interceptação, modificação, degradação, interrupção e suplantação. Os ciberefeitos podem ser ruidosos (perceptíveis) ou silenciosos (indetectáveis).

Classificação de Ciberoperações como fim ou objetivo:

  • Defensivas:
  • Passivas: Proteção e resiliência de recursos de TIC próprios (contrainteligência, cibersegurança).
  • Ativas: Intrusivas em recursos de TIC próprios para avaliar segurança e vulnerabilidades (hacking ético).
  • De reconhecimento:
  • Passivas: Não intrusivas em redes próprias ou públicas para obter informação.
  • Ativas: Intrusivas em redes adversárias ou de terceiros para obter informação. Permitem o uso de identidades simuladas.
  • Ofensivas:
  • De resposta: Executadas para prevenir, antecipar ou reagir a ciberataques (preventivas, antecipativas, reativas).
  • Ofensivas diretas: Executadas no âmbito de um conflito para causar um ciberefeito. Existe a variante de falsa bandeira.

Ciberespaço concebido como meio:

Concentram-se na informação armazenada, processada e transmitida. É o emprego do ciberespaço como fonte de informação ou canal de comunicação para ações militares tradicionais.

Classificação de Ciberoperações como meio:

  • Em apoio à inteligência: Obter dados, informação e conhecimento militar através de meios digitais (geoespacial, humana, fontes abertas, imagens, sinais).
  • Em informação/influência: Alcançar superioridade de informação e influência, protegendo a própria e afetando a do adversário para influenciar, perturbar, corromper ou usurpar a tomada de decisões. Utilizam operações psicológicas, de engano, de redes, guerra eletrônica e segurança nas operações.

Enquanto os especialistas em TIC materializam as operações onde o ciberespaço é fim ou objetivo, os especialistas em inteligência executam aquelas onde é um meio.

Características-Chave das Operações de Guerrilha

As operações de guerrilha possuem um caráter tático, mas podem responder a requisitos operacionais ou estratégicos. Podem operar de forma isolada, dependendo do Comandante da Z.O.G., ou em apoio a forças convencionais, sob o controle do Comandante da unidade do exército regular. As técnicas para conceber, preparar e conduzir as operações são as mesmas em ambos os casos.

As principais características que definem as operações de guerrilha são:

  • Planejamento centralizado e execução descentralizada: Axioma da guerra de guerrilhas. O Comandante de zona ou setor planeja e coordena, mas emite diretivas gerais para que as guerrilhas subordinadas tenham ampla margem de planejamento e execução.
  • Necessidade de informação de valor militar: Esforço contínuo para obter informação militar precisa e oportuna. As forças de resistência devem buscar constantemente informação, mesmo até o momento do ataque.
  • Surpresa: Fundamental para enfrentar forças superiores. É alcançada mediante o segredo, a rapidez, o engano e o uso do terreno, agindo no lugar e momento menos esperado pelo adversário.
  • Ações de curta duração: A ação violenta no alvo deve ser breve para evitar a reação inimiga, seguida de uma retirada rápida. Se um alvo requer um combate prolongado, ele é adiado.
  • Ataques múltiplos: Planejar ataques simultâneos ou escalonados em um curto tempo a alvos distantes. Isso busca que o inimigo superestime o número e a mobilidade das forças próprias.

Operações de Interdição na G.I.

As operações de interdição são ações planejadas pelo comandante de uma zona ou setor de guerrilha para dificultar o uso ou a ocupação de uma área geográfica ou infraestrutura por parte do inimigo. Quando buscam minar a moral, interromper o descanso ou semear desconfiança, são denominadas operações de hostigamento.

As guerrilhas executam incursões, emboscadas, operações de caça, minagem e instalação de obstáculos. Os agentes auxiliares e secretos realizam sabotagem, espionagem e terrorismo.

Planejamento de Interdição

A C.R.F.I., segundo os planos do Comandante do T.O., estabelece a prioridade dos sistemas de alvos a atacar e os danos esperados. Às vezes, a C.R.F.I. ordena diretamente o ataque a alvos estratégicos.

Os sistemas de alvos podem incluir:

  • Ferrovias (vias, estações, pontes, oficinas, etc.).
  • Rodovias (estradas e obras de arte).
  • Indústria (fábricas de armamento, munições, veículos, etc.).
  • Meios de comunicação (telefone, telégrafo, rádio, televisão, infraestrutura de TIC).
  • Energia elétrica (barragens, estações, linhas).
  • Combustível (poços, refinarias, oleodutos, depósitos).
  • Infraestruturas aéreas (aeroportos, pistas, torres de controle).
  • Infraestruturas fluviais e marítimas (portos, diques).
  • Infraestruturas militares.
  • Pessoal militar.

O Comandante da Z.O.G. ou S.O.G. analisa esses sistemas para determinar alvos específicos e elabora um programa que detalha danos, período e prioridade de ataque. Os fatores para determinar a especificidade dos alvos são:

  • Valor militar: A destruição afeta significativamente as operações inimigas.
  • Vulnerabilidade: Facilidade para ser atacado com os meios disponíveis da guerrilha.
  • Acessibilidade: Facilidade para o atacante de internar-se no alvo, considerando rotas de acesso e retirada.
  • Recuperabilidade: Habilidade do inimigo para reparar o dano e restaurar o alvo.

Esses fatores são variáveis e requerem reavaliação contínua. O planejamento deve considerar o impacto político, econômico e psicológico do ataque. O objetivo é destruir ou debilitar o poder combativo inimigo, enquanto se conserva a coesão, cooperação e espírito de resistência da população civil. Todo planejamento adere ao Processo Militar de Tomada de Decisões.

Medidas de Controle Tático em Guerrilha

Para coordenar as operações, o Comandante de uma Z.O.G. emprega medidas de controle tático como:

  • Alvos ou objetivos: Atribui-se o grau de dano esperado e o prazo para o ataque, sem implicar a captura ou conservação.
  • Zonas de ação de guerrilha: Designam-se para dar liberdade de ação aos comandantes de guerrilha, delimitando sua responsabilidade e estabelecendo limitações (ex. proibir ataques a trens civis).
  • Áreas de apoio: Lugares seguros para incrementar o raio de ação, usados antes, durante e depois das operações para descansar, obter informação, contatar agentes, reabastecer-se, ensaiar e ultimar detalhes.
  • Itinerários: Direções gerais atribuídas para o deslocamento a áreas de reunião ou apoio.
  • Áreas de reunião: Lugares transitórios perto dos alvos onde os grupos se congregam para uma operação.
  • Outras medidas: Posições de ataque, linhas de partida e direções de ataque, similares às de forças regulares.

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O que significa que uma ação no ciberespaço pode ter efeitos quase imediatos em qualquer lugar geográfico?

Significa que as operações ou atos no ciberespaço podem gerar consequências rápidas e de amplo alcance geográfico, sem limitação física imediata.

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Operações Executadas pelas Guerrilhas

As operações variam segundo o âmbito (rural ou urbano) e não têm caráter limitativo, permitindo a criatividade dentro das restrições impostas.

Operações em Áreas Rurais

A Incursão

É um ataque surpresa contra uma instalação ou força inimiga estacionada.

Objeto:

  • Danificar ou destruir equipamento, suprimentos ou instalações inimigas (postos de comando, transmissões, centros de suprimento).
  • Capturar equipamento, suprimentos ou pessoal-chave.
  • Causar baixas ao inimigo.
  • Libertar prisioneiros de guerra próprios.
  • Distrair o inimigo para cobrir outras operações.
  • Obrigar o inimigo a usar unidades adicionais para proteger a retaguarda, enfraquecendo sua frente.

Organização: O efetivo varia de uma esquadra a uma unidade maior, dividido em dois elementos básicos:

  • Elemento de assalto: Cumpre a finalidade da incursão, organizado em:
  • Equipe de ação principal: Executa a tarefa fundamental (ex. detonar cargas).
  • Equipe de apoio à ação principal: Assegura a penetração e permanência da equipe principal, eliminando sentinelas, abrindo brechas, etc.
  • Equipe de apoio por fogo: Proporciona fogo de apoio com armas automáticas.
  • Elemento de segurança: Proporciona segurança em 360 graus ao elemento de assalto. Evita a entrada/saída inimiga, alerta sobre aproximações, cobre a retirada e atua como retaguarda. Pode dividir-se em:
  • Equipe de segurança interna: Segurança local e imediata, observação do alvo.
  • Equipe de segurança externa: Alerta precoce de aproximação inimiga, patrulhas de reconhecimento móveis.

Preparação e Condução:

  1. Análise do alvo: Vulnerabilidade, acessibilidade, localização (terreno adjacente, rotas, observatórios) e disposição física de instalações críticas.
  2. Obtenção de informações de última hora: Fotografias, efetivos e localização de guardas, itinerários, áreas de reunião, localização de instalações críticas, obtida por agentes auxiliares ou secretos.
  3. Vigilância do alvo: Patrulha de observação para verificar a informação e detectar mudanças.
  4. Organização dos elementos: Segundo o alvo e a informação.
  5. Distribuição de tarefas.
  6. Ensaio da operação: Com a maior proximidade da realidade, usando terrenos similares, maquetes, e prevendo contingências. Determina o tempo de ação.
  7. Determinação de horários: Hora de início do ataque e horários para sair da base de operações, chegar a áreas de reunião/apoio.
  8. Movimento em direção ao alvo: Inspeção de pessoal e equipamento (saúde, equipamento, contrainformação, armamento). O movimento é planejado para minimizar a descoberta, mantendo disciplina de marcha. Ao chegar à área de reunião, revisa-se o pessoal e dão-se recomendações finais.
  9. Ataque (ação no alvo): O elemento de segurança posiciona-se. A equipe de apoio à ação principal desloca-se, elimina sentinelas e obstáculos; a equipe de apoio por fogo cobre. A equipe de ação principal cumpre sua tarefa. Se o inimigo não for neutralizado, a operação é abortada e as forças se retiram.
  10. Retirada: Geralmente fracionada em pequenos grupos por itinerários diferentes. Se houver perseguição, o elemento de segurança a obstaculiza. Evita-se dirigir-se ao ponto de reunião se estiver sendo perseguido diretamente. Os tempos de espera são determinados previamente.

As incursões com efetivos maiores seguem uma lógica similar, mas apresentam desafios adicionais em coordenação e sigilo, requerendo maior adestramento e disciplina. Os horários são mais difíceis de estabelecer e a retirada também se efetua em pequenos grupos para evitar ser um alvo fácil.

A Emboscada

É um ataque surpresa contra forças inimigas em movimento. O atacante fixa o local, e o emboscado, a hora.

Objeto:

  • Destruir ou capturar equipamento, documentos, suprimentos, armamento e pessoal-chave.
  • Hostilizar e desmoralizar o inimigo.
  • Retardar ou impedir movimentos de pessoal e suprimentos.
  • Canalizar movimentos inimigos para rotas desfavoráveis para serem atacados com maior efetividade.

Características:

  • Surpresa: A mais importante; é alcançada por segredo, rapidez, engano e uso do terreno.
  • Controle: Difícil de estabelecer e manter, mas essencial desde o início da marcha até o momento crucial.
  • Fogos concentrados: Plano minucioso para assegurar uma forte concentração de fogo em breve tempo, de pelo menos duas direções convergentes.
  • Simplicidade: Planejamento e execução de ordens simples para evitar confusões.
  • Disciplina: Habilidade para suportar longas esperas, sede e não dormir, desenvolvendo paciência.

Fatores que Favorecem uma Emboscada:

  • Planejamento: Prever possibilidades inimigas, cursos de ação, modificações do dispositivo, ordens simples, desdobramentos, organização e equipamento extra.
  • Localização: Cuidadosamente escolhida e analisada (estudo de mapas, fotografias, TIC, reconhecimentos pessoais).

Organização: Dois elementos básicos:

  • Elemento de assalto: Cumpre a finalidade da emboscada, organizado em:
  • Equipe de detenção e bloqueio: Detém a coluna inimiga com obstáculos, voladuras e fogo.
  • Equipe de captura e destruição: Captura pessoal, equipamento, destrói ou inutiliza veículos e equipamento.
  • Equipe de apoio por fogo: Armamento de maior alcance e potência para apoiar a ação, com prioridade a veículos com armas automáticas e depois ao pessoal que resista ou fuja.
  • Elemento de segurança: Similar ao de incursão, mas a equipe de segurança externa situa-se ou estende reconhecimentos a maior distância para observar a coluna e dar informação oportuna.

Preparação e Condução:

  1. Escolha do local: O Comandante de guerrilha estuda o terreno para determinar locais propícios. Devem ser passagens obrigatórias, com coberturas, campos de tiro, obstáculos naturais e rotas de aproximação/retirada.
  2. Busca de informações: Detectar a força, composição e formação do alvo antes de seu movimento. Se não for possível, planeja-se com hipóteses e verifica-se a informação durante a marcha.
  3. Vigilância contínua: Um observador mantém o local sob vigilância.
  4. Organização da força: Se necessário, toda a guerrilha; se não, uma força organizada com os elementos descritos.
  5. Ensaio da operação.
  6. Determinação de horários: Baseado em uma hora hipotética para a saída da base, chegada a áreas de reunião/apoio e ao local da emboscada, e ocupação de posições.
  7. Movimento: Em direção às áreas de reunião/apoio, realizando inspeções.
  8. Ações no local da emboscada:
  • O elemento de segurança ocupa posições e a equipe de segurança externa proporciona aviso e informação.
  • O Comandante assinala local de detenção, zona de destruição, emplacamentos de armas e base de partida.
  • Equipes preparam-se: detenção e bloqueio com obstáculos; apoio por fogo com emplacamentos; captura e destruição com linha de partida.
  • Revista pessoal do Comandante.
  • Decisão final de executar. Elemento de segurança permite a passagem da coluna.
  • Detenção da coluna (vanguarda e grosso) pela equipe de detenção e bloqueio. Elementos de segurança interna fixam vanguarda e retaguarda.
  • Todo o elemento de assalto abre fogo concentrado sobre pessoal e veículos.
  • Neutralização da resistência. Ordena-se cessar-fogo e a equipe de captura e destruição assalta.
  • Cumprida a missão, inutilizam-se veículos e equipamento não transportável, e inicia-se a retirada seguindo os lineamentos de uma incursão.

Minagem e Instalação de Obstáculos

Essas atividades interceptam vias de comunicação e danificam áreas críticas com mínima utilização de pessoal, podendo ser independentes ou conjuntas com outras operações. Têm um forte efeito desmoralizador.

  • Minagem: Apresenta-se com fins ilustrativos e para contra-atacar efeitos adversos se o inimigo os empregar, devido à Convenção de Ottawa (1997) que proíbe as minas antipessoais. Seu emprego planejado requer pessoal especializado e adestrado. Os campos minados são usados para segurança local, marcados e vigiados para serem ativados com veículos inimigos, ou ao longo de caminhos de primeira, segunda ou terceira ordem, veredas e brechas, ou em torno de instalações a hostilizar.
  • Instalação de obstáculos: As guerrilhas recebem adestramento em construção de obstáculos artificiais com material de fortuna. As armadilhas antipessoais são comuns em veredas. Abatidas, troncos, estacas, inundações e outros obstáculos engenhosos são usados para hostilizar e desmoralizar.

Operações de Caça

Desempenhadas por atiradores de elite contra o inimigo. Técnica econômica em pessoal e com forte efeito desmoralizador. Podem operar isolados ou como parte de incursões ou emboscadas.

Efeitos:

  • Imediatos: Destruição de pessoal inimigo, desorganização de comando e controle, retardo de movimentos, dano a veículos, tanques de combustível, iluminação.
  • Secundários: Hostigamento e desmoralização, superestimação de forças próprias pelo inimigo, obrigar o inimigo a usar um número desproporcionado de efetivos, garantir liberdade de movimento às guerrilhas.

A missão inclui o tipo de alvo a atacar (sem especificar), a área e o período. Os atiradores de elite operam melhor em duplas, mas podem fazê-lo individualmente se houver risco de descoberta. Para o sucesso, as operações de caça devem ser de ataques múltiplos sobre alvos dispersos ou de importância decisiva, com ações breves, mas contínuas.

Alvos:

  • Militares: Generais, chefes, oficiais, pessoal de transmissões, condutores, especialistas em armas, engenheiros.
  • Civis: Policiais secretos, colaboradores do inimigo, técnicos, especialistas.
  • Diversos: Veículos de roda, tanques de combustível, fontes de energia elétrica.

Os atiradores de elite são selecionados por sua habilidade de tiro, confiança, estabilidade emocional, perseverança, espírito de aventura e boa conduta. Recebem adestramento intenso em técnica de tiro, armamento, fogo e manobra (retardar e canalizar o inimigo), estimativa de distâncias e seleção de posições (distância efetiva, não localizável, com obstáculos, amplo campo de observação, coberturas, rotas de retirada).

Operações em Áreas Urbanas: Guerra Urbana Irregular

A guerrilha urbana não busca crescer como unidade, mas como célula, aumentando seu número sem pretender constituir unidades convencionais. A criação de unidades maiores é perigosa por sua vulnerabilidade e fácil detecção, favorecendo ações curtas e simultâneas de pequenas células que se confundem com a população.

As operações de guerrilha urbana são conduzidas pela força de resistência em áreas urbanas e suburbanas ocupadas ou influenciadas pelo inimigo, buscando expulsá-lo ou destruí-lo. Podem ser independentes ou apoiar operações de forças regulares, mantendo a coordenação nos níveis de T.O. e C.R.F.I.

Operações Típicas:

  • Incursões.
  • Emboscadas.
  • Assaltos.
  • Ocupações temporárias.
  • Sequestros.
  • Resgate de presos.

Características da Guerra Urbana Irregular

  • Caráter ofensivo: Adotar uma atitude defensiva frente a um inimigo superior é perder a iniciativa. Regem-se por operações agressivas.
  • Mobilidade e surpresa: As ruas, janelas e telhados oferecem terreno para a surpresa tática e a mobilidade, especialmente na retirada, onde as guerrilhas podem desaparecer entre as multidões. Mantém-se a disciplina do segredo e da rapidez.
  • Apoio da população civil: Elemento essencial. Uma força guerrilheira com objetivos alinhados com a população pode obter facilmente seu apoio.
  • Requisitos de informação, suprimentos e proteção: São obtidos da população civil, sujeitando-se a restrições da C.R.F.I. para ganhar e incrementar esse apoio.
  • Superposição de espaço com o inimigo: As operações são realizadas em terreno sob controle ou influência direta do inimigo.
  • Conhecimento do terreno: A vantagem crucial é o conhecimento palmo a palmo do terreno urbano, permitindo surpresa, liberdade de ação, segurança e coordenação.
  • Seletivas e precisas: Alvos seletivos e ações precisas para evitar danos à população civil.
  • Simultâneas e dispersas: A coordenação de ataques em diferentes lugares e tempos evita a concentração de forças inimigas.
  • Sistemáticas: A ação contínua desmoraliza o inimigo.
  • Coordenação: Estreita coordenação com operações clandestinas e rurais.
  • Rapidez na ação: Atacar e causar o maior dano no menor tempo possível, dispersando-se ao término da missão.

Possibilidades da Guerra Urbana Irregular

Conhecimento da área, exploração de características e apoio civil permitem:

  • Hostilizar e desmoralizar o inimigo: Baseado na segurança de suas formas de operar, na repetição de operações e na propaganda.
  • Devolver a confiança à população civil: Realizando ações que não afetem seus interesses, dando segurança a pessoal proeminente, magnificando sucessos, minimizando os do inimigo e aplicando justiça a traidores.
  • Apoiar as operações de forças regulares: Facilitar o combate em povoado, que é problemático para armamento pesado e veículos regulares.

Limitações da Guerra Urbana Irregular

  • Suspensão de liberdades civis: Medidas como toques de recolher, barreiras ou períodos de identificação prejudicam o governo militar e provocam oposição popular. Embora o guerrilheiro urbano opere clandestinamente de qualquer forma, essas medidas aumentam o perigo.
  • Dificuldades para o suprimento: Embora haja mais suprimentos na cidade, o problema é seu armazenamento e ocultação, já que é difícil contar com armazéns seguros. Um esconderijo fora da cidade ajudaria.
  • Escassa segurança nas bases de operações: Não é possível estabelecer uma base segura na cidade. Isso é compensado com a habilidade dos guerrilheiros para misturar-se com a comunidade, ter períodos inativos e recorrer a sequestros ou greves para desviar a atenção do inimigo.
  • Dificuldade para a coordenação e ação de comando: A rapidez requerida e a necessidade de passar despercebido implicam que o pessoal esteja muito tempo afastado de seus líderes. Mitiga-se com planejamento detalhado, práticas realistas e a iniciativa de cada elemento para resolver imprevistos.

Vantagens da Guerra Urbana Irregular

A dinâmica do choque violento contra forças inimigas e autoridades impostas, embora com inferioridade numérica para o guerrilheiro, paradoxalmente implica que são eles quem atacam. As forças inimigas respondem com mobilização e concentração de recursos, pelo que o guerrilheiro só pode evitar a derrota se explorar suas vantagens iniciais:

  • Pegar o inimigo de surpresa.
  • Conhecer o terreno melhor que o inimigo.
  • Ter maior mobilidade que o inimigo.
  • Possuir uma boa rede de informações.
  • Executar ações com decisão e rapidez.

A Incursão Urbana

Conceito similar à incursão rural: ataque surpresa contra uma instalação ou força inimiga estacionada.

Objeto:

  • Danificar ou destruir equipamento, suprimentos ou instalações inimigas (postos de comando, centros de transmissões).
  • Capturar pessoal-chave.
  • Causar baixas à força inimiga.
  • Como ação diversória.
  • Obrigar o inimigo a empregar unidades adicionais ou maiores efetivos para controlar a área.

Organização: O efetivo varia de uma esquadra (5 elementos) a uma seção (30 a 35 elementos) no máximo, dividida em elemento de assalto e elemento de segurança.

Perguntas Frequentes sobre a Guerra Irregular

O que são as Operações de Guerra Irregular e quais são seus tipos principais?

As Operações de Guerra Irregular são ações de grupos armados ou pequenas organizações militares contra um agressor superior, buscando hostilizar e desgastar. Classificam-se principalmente em operações de guerrilha (como forma de operar ou de luta) e operações de contraguerrilha.

Como as Operações Psicológicas contribuem para o sucesso da Guerra Irregular?

As Operações Psicológicas apoiam a Guerra Irregular de forma passiva (assessorando e criando uma imagem favorável) e ativa (assistência civil, propaganda, alertas, apoio doutrinário, eliminação de traidores). Seu objetivo é influenciar emoções e condutas para ganhar apoio popular e desmoralizar o inimigo.

Que papel o ciberespaço desempenha nas táticas de Guerra Irregular modernas?

O ciberespaço é um novo campo de batalha onde as TIC são armas e alvos. É utilizado para a ciberguerra (desde ataques à infraestrutura militar até afetações catastróficas), a obtenção de inteligência e a influência. As operações podem ser defensivas, de reconhecimento ou ofensivas, explorando as singularidades do ciberespaço como a artificialidade, ubiquidade e imediatismo.

Quais são as características distintivas das operações de guerrilha?

As operações de guerrilha caracterizam-se por um planejamento centralizado e execução descentralizada, uma constante necessidade de informação militar, a busca da surpresa em todo momento, a realização de ações de curta duração e a execução de ataques múltiplos para superestimar as forças próprias do inimigo.

Que fatores são considerados ao planejar operações de interdição na Guerra Irregular?

Ao planejar operações de interdição, analisam-se sistemas de alvos sob fatores como seu valor militar, vulnerabilidade, acessibilidade e recuperabilidade. Também se considera o impacto político, econômico e psicológico do ataque, buscando debilitar o inimigo e manter o apoio da população civil.

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