Geografia da Argentina: Limites e Relevo

Explore a geografia da Argentina, seus limites internacionais com países vizinhos e as fascinantes formas de relevo que a compõem. Ideal para estudantes.

A Geografia da Argentina: Limites e Relevo é um tema fundamental para compreender a extensão e as características físicas deste vasto país sul-americano. Esta análise aprofunda os intrincados limites internacionais e as diversas formas de relevo que modelam o território argentino, oferecendo uma visão completa para estudantes e entusiastas da geografia.

Geografia da Argentina: Limites Internacionais e sua Resolução

A Argentina compartilha fronteiras com cinco países vizinhos, e ao longo de sua história, a delimitação desses limites tem sido objeto de complexos acordos e negociações. Compreender essas fronteiras é fundamental para entender a geografia política da Argentina.

Limites com a Bolívia: Acordos Chave

O limite com a Bolívia se estende do ponto Esmeralda a leste, sobre o rio Pilcomayo, até o cerro Zapaleri a oeste, apoiando-se no paralelo 22° Sul. Este limite foi definido pelo tratado de 1925, onde a Argentina cedeu a província de Tarija e o território das "Juntas de San Antonio" em troca de direitos bolivianos sobre um setor da Puna do Atacama. Yacuiba também foi entregue à Bolívia.

Existem dois pontos povoados com fácil comunicação: entre Salvador Mazza e Yacuiba, e na Quebrada de Humahuaca, onde La Quiaca se confronta com Villazón. A alta altitude, a escassez de água e as grandes amplitudes térmicas dificultam o assentamento permanente nesta fronteira.

Limites com o Chile: Desafios e Arbitragens

O limite com o Chile é o mais extenso e se estende do cerro Zapaleri até o ponto F na Passagem de Drake, estabelecido em 1984. Houve inúmeras questões limítrofes, resolvidas por diversos meios:

  • Setor da Puna: Entre o cerro Zapaleri e o Passo de San Francisco. Após uma disputa pela cessão à Argentina (compensação por Tarija), a arbitragem do presidente dos EUA em 1899 concedeu a maior parte à Argentina.
  • Passo de San Francisco: Um erro na colocação de um marco fronteiriço foi resolvido pelo laudo inglês de 1902, que favoreceu o Chile.
  • Andes Áridos: Estende-se entre o cerro Tres Cruces (Catamarca) e o cerro Pirehuerco (Neuquén). O princípio foi a linha das altas cumes divisoras de águas.
  • Andes Patagônicos: Aqui, a linha das mais altas cumes e o divisor de águas não coincidiam. A Argentina defendia a linha orográfica a oeste, enquanto o Chile reivindicava a hidrográfica a leste. Uma arbitragem concedeu cerca de 40.000 km² à Argentina de um total de 94.000 km² em disputa.
  • Questão do Beagle: O Chile reivindicava as ilhas Picton, Nueva e Lennox. Após uma arbitragem inglesa (1977, declarada nula pela Argentina) e uma mediação papal (1980, não aceita), foi resolvida em 1984. O tratado concedeu ao Chile todas as ilhas em disputa e uma zona econômica exclusiva no Atlântico, contrariando o protocolo de 1893 que estipulava que nenhum ponto no Atlântico poderia pertencer ao Chile.
  • 24 Questões Limítrofes: Foi assinado um acordo por 22 dessas questões técnicas de demarcação.
  • Lagoa do Deserto: Submetida a uma arbitragem de juízes latino-americanos, a decisão de 1994 favoreceu a Argentina.
  • Gelos Continentais: Este setor se estende entre o monte Fitz Roy e o cerro Daudet. O acordo de dezembro de 1998 entre Argentina e Chile (ratificado em 1999) respeitou o princípio das altas cumes divisoras de águas do tratado de 1981.
    • Pontos principais do acordo: Respeito às altas cumes divisoras de águas; as águas que fluem para o rio Santa Cruz são argentinas, as que fluem para frentes oceânicas são chilenas; medidas de proteção ambiental; estratégias para desastres; e a necessidade de elaborar um mapa 1:50.000.
    • Seções: A Zona Norte (entre o monte Fitz Roy e o cerro Murallón) não tem limite especificado ainda, apenas instruções para futuras demarcações. A Zona Sul (do cerro Murallón ao cerro Daudet) tem o limite estabelecido ponto por ponto seguindo as altas cumes, com alguns acordos políticos.

A fronteira com o Chile está praticamente desabitada devido às condições climáticas e à altitude, exceto nos Andes Patagônicos, onde o clima ameno e a menor altitude favorecem o assentamento humano. Existem passos internacionais como o Passo de Cuevas, que conecta Mendoza com Santiago do Chile.

Limites com o Paraguai: Rios como Fronteira Natural

O limite com o Paraguai se apoia em sua totalidade em cursos fluviais: os rios Paraná, Paraguai e Pilcomayo. Após a Guerra da Tríplice Aliança (1870), a questão do Chaco Boreal foi submetida à arbitragem do presidente dos EUA em 1878, que decidiu a favor do Paraguai.

Os pontos de maior trânsito vizinho são Posadas (Argentina) e Encarnación (Paraguai), unidas pela ponte internacional San Roque González de la Santa Cruz. Outros são Clorinda (Formosa) e Assunção; e Formosa em frente a Villa Alberdi. O rio Pilcomayo, por seu leito indefinido, forma uma fronteira muito pouco povoada.

Limites com o Brasil: História e Características

Quase todo o limite com o Brasil se apoia em cursos fluviais, exceto um pequeno setor de 30 quilômetros em Misiones conhecido como Fronteira seca. A "questão de Misiones" foi resolvida em 1895 por arbitragem do presidente dos EUA, que deu razão ao Brasil, concedendo-lhe todo o território em disputa (30.000 ha), que se originou por um problema toponímico na cartografia.

Destacam-se cidades confrontadas em ambos os lados dos rios Uruguai e Iguaçu, com maior quantidade de habitantes do lado brasileiro: Paso de los Libres em frente a Uruguaiana, Alvear-La Cruz em frente a Itaqui, Santo Tomé em frente a São Borja, e Puerto Iguazú em frente a Foz do Iguaçu. A vegetação selvática e o clima quente e úmido de Misiones geram uma fronteira pouco povoada, o que favorece a entrada clandestina e o aproveitamento ilegal de recursos.

Limites com o Uruguai: Acordos Fluviais e Marítimos

Os limites com o Uruguai se apoiam em cursos fluviais: o rio Uruguai e o rio da Prata. A questão do rio Uruguai foi resolvida em 1961:

  • Da Ilha Brasileira até a barragem de Salto Grande, o limite se apoia na linha média do leito.
  • Da barragem de Salto Grande até o paralelo de Punta Gorda, o critério foi a linha de máximas profundidades.

O Rio da Prata se estende do paralelo de Punta Gorda até uma linha reta que une Punta del Este (Uruguai) com Punta Rasa (Argentina). Foi acordada uma linha divisória para o leito e subsolo do rio. Também foi estabelecido um limite lateral marítimo para as águas além do limite exterior do rio da Prata, que vai do ponto médio da linha Punta del Este - Punta Rasa até uma distância de 200 milhas marítimas.

As relações entre Argentina e Uruguai são muito intensas, facilitadas por meios de comunicação como as pontes sobre a barragem de Salto Grande, o General Gervasio Artigas e o Libertador Gral. San Martín.

As Fronteiras da Argentina: Conceito e Dinâmicas

Uma fronteira é a faixa de território em ambos os lados do limite internacional. Todo limite gera duas fronteiras, cuja largura é variável e difícil de precisar. Caracterizam-se por ser uma mistura das condições específicas de cada país vizinho: idiomas, atividades econômicas, música, comida, vestuário, etc.

As funções da fronteira incluem o controle de pessoas e mercadorias, a contagem de entradas e saídas, a prevenção de doenças e o controle de acesso de vegetais ou animais contaminados. Ao longo dos 10.000 km de perímetro, a Argentina conta com mais de cem locais de comunicação internacional habilitados, além de portos fluviais e marítimos, e aeroportos, somando um total de mais de 200 pontos.

Tipos de Fronteiras e Cidades Gêmeas

As fronteiras classificam-se principalmente em:

  • Fronteira de Contato: Mantêm intensos intercâmbios em ambos os lados do limite internacional.
  • Fronteira de Separação: Escassas relações devido a elementos físicos que dificultam as comunicações.

As cidades gêmeas são duas áreas urbanas vizinhas, de tamanho similar, que crescem até fundir seus limites físicos. Embora tenham administrações independentes, compartilham uma dinâmica econômica, cultural e social.

  • Fronteiriças: Separadas por uma fronteira estatal, provincial ou internacional. Um exemplo conhecido é Posadas (Argentina) e Encarnación (Paraguai).
  • Internas: Localizadas dentro de um mesmo país, separadas por um acidente geográfico como um rio. Um exemplo é Santa Fé e Paraná.

Flashcards

1 / 11

Como se caracteriza a maior parte da fronteira entre Argentina e Brasil?

Quase toda a fronteira se apoia em cursos fluviais, exceto por um pequeno setor seco em Misiones de 30 km chamado "Fronteira Seca".

Toque para virar · Deslize para navegar

Relevo da Argentina: Diversidade Geomorfológica

O relevo argentino é o conjunto de geoformas de sua superfície terrestre. Os sistemas montanhosos predominam no oeste, enquanto as mesetas se encontram no leste. Essa diversidade é crucial para compreender a geografia física da Argentina.

Sistemas Montanhosos: A Imponente Cordilheira dos Andes

Os sistemas montanhosos localizam-se na borda ocidental e fazem parte da Cordilheira dos Andes. Este sistema se estende da Venezuela até a Ilha dos Estados, reaparecendo nas ilhas Geórgias do Sul, Sandwich do Sul e na Antártida. Na Argentina, é estudado em três setores: setentrional, central e meridional, compartilhando apenas os dois últimos com o Chile. O ponto mais alto é o cerro Aconcágua, com 6.959 m.s.n.m. em Mendoza.

Além dos Andes, a leste da cordilheira patagônico-fueguina, encontram-se outros sistemas montanhosos:

  • Pré-cordilheiras de La Rioja, San Juan e Mendoza.
  • Serras Pampeanas: Cordões estreitos e alongados com direção Norte-Sul, cumes planos e achatados, por isso são chamadas de "serras serranas". Exemplos incluem Tandilia, Ventania e Mahuida, onde a maior altura é o cerro Tres Picos (1.239 m).

Planícies e Mesetas: As Grandes Extensões

As planícies e mesetas conformam grandes extensões do território argentino:

  • A Puna: Localizada no extremo Noroeste, é um altiplano com mesetas de 3.000 a 3.500 metros de altura, separadas por cordões montanhosos.
  • Meseta Missioneira: No extremo Nordeste, tem forma abobadada e suavemente ondulada, com declive em direção aos rios Paraná e Uruguai.
  • Mesetas Patagônicas: Formam uma série de degraus com um descenso gradual da Cordilheira dos Andes em direção ao Oceano Atlântico.
  • Piemonte: Zona de transição entre a montanha e a planície, como o de Cuyo, que se estende do oeste da planície pampeana até o maciço montanhoso.

As Planícies: O Coração Produtivo da Argentina

A planície mais importante é a Planície Platense, chamada assim porque grande parte integra a bacia do Rio da Prata. É um dos relevos baixos mais extensos da Argentina e se divide em dois grandes setores:

  • Chaco ou Planície Chaqueña: Ao Norte.
  • Pampa ou Planície Pampeana: Ao Sul.

Sua característica principal é a escassa altitude no leste, que aumenta em direção ao oeste até formar o piemonte cuyano e as Serras Pampeanas e Subandinas. Por sua grande extensão latitudinal, abrange climas quentes ao norte e temperados ao sul, gerando diferentes formações vegetais (florestas no Chaco, campos de gramíneas na Pampa). É a região mais importante para atividades econômicas como a agricultura, a pecuária e a atividade florestal.

Perguntas Frequentes sobre a Geografia da Argentina

O que são os Gelos Continentais e qual sua importância na Argentina?

Os Gelos Continentais, corretamente denominados Campo de Gelo Patagônico Meridional, são uma vasta extensão de gelo. A diferença com um "gelo continental" reside no fato de que um campo de gelo tem uma superfície máxima de 50.000 km², forma alongada e está submetido a um controle geológico. Um "gelo continental" possui maior superfície e flui independentemente do relevo terrestre. Sua importância na Argentina é geopolítica e ambiental, sendo uma fonte de água doce e objeto de acordos limítrofes com o Chile.

Como as disputas limítrofes são resolvidas na geografia argentina?

As disputas limítrofes na geografia argentina têm sido resolvidas historicamente através de diversos mecanismos, incluindo arbitragens internacionais (por presidentes dos Estados Unidos, reis ou laudos ingleses), mediações (como a do Papa João Paulo II no caso Beagle), e a assinatura de tratados bilaterais. Esses processos buscam aplicar princípios geográficos como as altas cumes divisoras de águas ou as linhas médias dos rios, embora frequentemente impliquem acordos políticos.

Quais são as principais formas de relevo que caracterizam a Argentina?

As principais formas de relevo que caracterizam a Argentina são: os sistemas montanhosos no oeste, dominados pela Cordilheira dos Andes (incluindo os Andes Áridos e Patagônicos), Pré-cordilheiras e Serras Pampeanas; as planícies e mesetas, como a Puna, a Meseta Missioneira e as Mesetas Patagônicas; e as grandes planícies, destacando a Planície Platense, dividida na Planície Chaqueña e na Planície Pampeana. Esses elementos criam uma diversidade geográfica notável no país.

Sign up to access full content

Create a free account to unlock all study materials, take interactive tests, listen to podcasts and more.

Create free account

Temas relacionados